As duas seleções que vinham apresentando o melhor futebol da Copa fizeram uma partida que entrou na lista dos melhores jogos da Copa. A tal "final antecipada".
A Alemanha não jogou contra a Espanha o mesmo futebol que apresentou contra Argentina ou Inglaterra. Em parte, porque a Espanha não deixou. Em parte, porque finalmente a falta de experiência dos jovens alemães pesou. O jogo da Espanha se baseia na posse de bola. O dos alemães, nos rápidos contra-ataques. Parecia que seria uma mistura perfeita. E realmente foi, pro lado espanhol. Os alemães não conseguiam tirar a bola da Espanha para armar seus letais contra-ataques e, apesar de fazerem uma boa partida, foram dominados pela Fúria. Era só uma questão de tempo até que a superioridade espanhola refletisse no placar. O que Puyol ajudou a fazer já no fim do jogo.
Pelo lado da Espanha, Del Bosque finalmente cansou de esperar Fernando Torres entrar em forma e decidiu começar a partida com 11 jogadores, colocando Pedro para formar a dupla de ataque titular com Villa. O jovem barcelonista sentiu o peso da titularidade e não brilhou tanto quanto nos jogos em que entrou no meio do jogo, mas, mesmo assim, teve mais presença que Torres. Porém, o destaque espanhol é mesmo o conjunto. E, neste jogo, o conjunto foi essencial na parte defensiva. Ao mesmo tempo em que mantia a posse de bola, a Espanha marcava o time alemão, não dando a eles a oportunidade de armarem qualquer tipo de jogada.
Já pelo lado alemão, o jovem Özil, que, juntamente com Müller, ausente por suspensão (e que fez muita falta), vinha sendo o destaque do time e o principal responsável pela armação de jogadas da Alemanha, foi completamente anulado pelo excelente Busquets, o que deu a calma e o espaço para que a Espanha tocasse a bola e tentasse o gol. A marcação alemã também funcionou, mas Schweinsteiger não conseguiu ser tão brilhante quanto nas partidas anteriores - até por causa da maior qualidade do adversário e, principalmente, do meio de campo do adversário.
As chances de gol realmente não foram muitas - um pouco mais para a Espanha que para a Alemanha -, mas, mesmo assim, o futebol jogado pelas equipes foi de encher os olhos. E o único tento da partida acabou sendo marcado numa jogada ensaiada. No início do jogo, a Espanha já havia tentado um lance parecido, com Puyol chegando de trás para cabecear após cobrança de escanteio, mas foi somente aos 28 da segunda etapa que a jogada deu certo. Xavi bateu escateio. Piqué subiu de um lado e Sergio Ramos de outro. Os dois deram uns passinhos pra trás, abrindo espaço para Puyol, que chegou como um foguete e cabeceou forte para o fundo da rede. Vale a pena catar um vídeo dessa jogada na internet pra reparar como a movimentação da equipe espanhola é toda perfeitamente ensaiada. No fim da partida, o jovem Pedro ainda perdeu uma oportunidade de ouro para garantir a vitória, aos 37 minutos, se enrolando com a bola e com os dribles e acabou sendo desarmado na entrada da área, com Villa livre ao lado, pedindo a bola para fazer o segundo gol espanhol.
O jogo foi mesmo 1 a 0. Como foram todos os jogos decisivos da Espanha na 2a fase da Copa. Esse é o estilo de jogo espanhol. Manter a posse de bola e tentar jogadas que possam resultar em gol. Nem sempre dá certo, como, por exemplo, contra a Suíça. Mas, em uma partida com 25, 30 chutes a gol, eventualmente uma bola (normalmente saída dos pés de Villa) entra. E o 1 a 0 fica de bom tamanho, já que o adversário não consegue trocar passes no meio de campo com a facilidade que a Espanha o faz. Busquets, um dos melhores jogadores da Copa, e Xabi Alonso protegem a ótima zaga formada por Piqué e Puyol (que eu nunca achei que joga muito bem, mas se superou nesta Copa, independemente do gol decisivo), que joga tranquila. Se, por algum acaso, o jogador adversário consegue passar por esses quatro, tem sempre Casillas no gol. Tática vencedora. E a Espanha vai para a final com um pouco mais de favoritismo que a Holanda. A equipe faz menos gols, mas se mostra mais segura nas partidas. Seria uma final inédita, e, qualquer que fosse o vencedor, o título seria merecido.
Um pequeno adendo para falar dos dois maiores clubes espanhóis: Real Madri e Barcelona. Nos últimos anos, os dois times tiveram estratégias bem diferentes. Enquanto o Barça investiu na fabricação de talentos, o Real não valorizou as pratas da casa e tentou se tornar vitorioso por meio de grandes contratações. Só tentou, pois não conseguiu. Nos dois últimos anos, ninguém na Terra apresentou um futebol mais bonito, mais eficiente e mais vitorioso que o Barcelona. Dos 11 titulares da Espanha na semifinal contra a Alemanha, 7 eram blaugrana. Se vc tirar o Villa, contratado junto ao Valencia logo antes do Mundial, eram 6 barcelonistas em campo: Piqué e Puyol (a zaga), Busquets, Xavi e Iniesta (3, dos 4 jogadores de meio-campo) e Pedro. Mais da metade do time. Dos outros 4, 3 eram do Real: Casillas, criado no clube, Sergio Ramos, vindo do Sevilla, mas jogador do Real desde os 19 anos de idade, e Xabi Alonso, veterano contratado pelo clube ano passado.
Na política de contratações sem critério do Real Madri, houve uma fase em que estavam em alta os jogadores holandeses: Sneijder, Robben, Van der Vaart, Huntelaar, Drenthe, Van Nistelrooy... Mas quando Florentino Pérez voltou ao clube e deu início à "Era Galacticos II", contratando, a peso de ouro, Cristiano Ronaldo, Kaká e Benzema, os holandeses ficaram sem espaço e foram vendidos a preço de banana. Sneijder foi brilhar na Internazionale de Milão, onde, logo na sua primeira temporada, ganhou a tríplice coroa: Campeonato Italiano, Copa da Itália e Liga dos Campeões da Uefa. Robben foi ser campeão no Bayern de Munique: Campeonato Alemão e Copa da Alemanha, além de vice na Liga dos Campeões. Huntelaar, que nunca concretizou a promessa de futuro craque, foi ser reserva no fraco time do Milan. E Nistelrooy, já "velho" e após seguidas lesões, foi retomar sua carreira no Hamburgo. Ficaram no clube espanhol Drenthe e Van Der Vaart, ambos reservas. O Real disputou o título espanhol com o Barcelona rodada a rodada, mas ficou para trás depois de perder de 2 a 0 para seu maior rival em casa. E ainda foi eliminado da Liga dos Campeões, sonho de consumo de Florentino Pérez, pelo Lyon, sendo obrigado a assistir Sneijder e Robben disputarem o mais importante título interclubes do mundo em sua casa, o estádio Santiago Bernabéu.
Enquanto isso, o Barça tb fez algumas contratações de peso (Henry e Ibrahimovic), mas quem brilha mesmo no Camp Nou são os jogadores de casa: Pedro, Bojan, Victor Valdés, Piqué, Puyol, Xavi, Iniesta, Busquets, Jeffren e Messi, que não é espanhol, mas joga no clube desde os 13 anos de idade. Nem todos são catalães, mas todos foram criado nas chamadas "canteras" do clube, e se identificam demais com a ideologia do Barça: futebol vistoso, ofensivo, movimentado, com posse de bola, troca de passes, constante troca de posições. Essa ideologia, ou estilo de jogo, teve início na década de 70, quando Rinus Michels, treinador da Laranja Mecânica em 74 e do tricampeão europeu Ajax, foi contratado pelo clube, sendo logo seguido pelo craque Johan Cruyff. E o Barça a mantém até hoje. Com craques do Barcelona, a Espanha vem ganhando praticamente todos os títulos de categoria de base que existem e mostra que a geração talentosa que encantou na Euro 2008 e na Copa 2010 não é mero acaso. A Espanha se tornou uma grande potência no futebol mundial, e essa realidade não deve mudar tão cedo.
É para Florentino Pérez parar e pensar sobre a maneira como gere o maior clube do mundo. E para os torcedores espanhóis agradecerem pela Catalunia fazer parte da Espanha.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Finalmente, as semifinais: Uruguai 2 x 3 Holanda
Não. Eu não esqueci do blog. Eu sei que a Copa já acabou há quase duas semanas, e talvez ninguém queira mais saber a minha opinião sobre os últimos quatro jogos, mas esses textos estão na minha cabeça há tempos, e eu tinha prometido pra mim mesma que assim que eu tivesse um tempinho os postaria aqui. Acreditem ou não, só agora eu consegui um tempinho livre pra me dedicar um pouquinho ao De Letra. Então lá vai...
Se faltou emoção na Copa nas primeiras rodadas, não podemos reclamar da fase final. Uruguai x Holanda parecia ser um daqueles jogos em que o favorito jogaria melhor e venceria fácil, com muitas emoções, mas poucas surpresas. Mas não foi bem isso que aconteceu. O favorito até venceu, e a partida realmente foi recheada de emoções, mas o Uruguai não entregou a vaga na final tão facilmente assim...
A Holanda tem mais time que o Uruguai, isso é verdade. E a equipe sul-americana teve seu caminho à semifinal facilitado pelo chaveamento (disputando a vaga com Gana, EUA e Coréia do Sul), apesar do emocionante jogo contra Gana. Mas isso é futebol e, em campo, existem vários outros fatores importantes além da técnica e do talento. Se a Holanda tem alguns dos melhores jogadores da atualidade, como Sneijder e Robben, e outros que não são craques, mas são extremamente técnicos e competentes, o Uruguai tem (de sobra) algo que falta ao Brasil há bastante tempo: garra. Além, é claro, de Diego Forlán.
No primeiro tempo, o jogo foi bem parelho, o que refletiu no placar parcial: 1 a 1. Von Bronckhorst marcou o primeiro com um lindo chute de muito longe logo no início do jogo, mas não demorou para que o Uruguai empatasse, em outro chute lindo de fora da área, de (quem?!) Forlán. Dois gols que entraram pra lista dos mais bonitos da Copa.
Na segunda etapa, a Holanda foi superior. Marcou o segundo gol numa irregularidade quase imperceptível, um daqueles impedimentos "perdoáveis", que a gente só sabe que foi irregular pq a Fifa colocou 32 câmeras em campo em cada jogo (um show de imagens e de transmissão, mas isso é assunto pra outro post). Van Persie, que pouco (ou nada) fez na Copa, fingiu desviar a bola chutada por Sneijder, mas nem chegou a tocá-la. Apesar disso, participou da jogada, ajudando a enganar o goleiro Muslera (que, convenhamos, não precisa nem ser enganado pra sofrer um gol). O atacante holandês estava com o pé alguns centímetros à frente do último zagueiro uruguaio, mas o juiz não deu o impedimento. Acho até que Van Persie tentou desviar a bola, mas chegou atrasado.
O gol acalmou o ânimo uruguaio, que poderia ter sido definitivamente cessado pelo terceiro tento holandês, marcado por Robben pouco depois. Kuyt, livre, cruzou para o atacante do Bayern de Munique, livre, cabecear pra rede. Que falta fez o Lugano! Mas, como eu já mencionei, a garra uruguaia é algo que eles deveriam exportar, fazendo workshops mundo afora (principalmente no Brasil). O Uruguai seguiu lutando. E, no fim do jogo, diminuiu a diferença numa jogada ensaiada (ironicamente, arma tão usada pela Holanda na Copa).
O gol deu ânimo extra à equipe uruguaia. Se a Holanda achava q a partida já estava ganha, se enganou. Os 5 minutos finais foram de presão total do Uruguai dentro da área holandesa. Não estou exagerando. Foi pressão TOTAL mesmo! Era bola pra dentro da área e todos os tipos de finalização, com a Holanda tentando eliminar o perigo, cortando as jogadas de qualquer jeito, zunindo a bola pra frente, respirando apenas por alguns segundos. Não dava nem pra piscar. Mas o juiz apitou o fim do jogo, e a Holanda comemorou no final. Tenho que dizer que eu tb, já q estava torcendo pela equipe laranja, apesar de apreciar a garra uruguaia.
Foi uma aula de futebol. Um partidaço, com jogadas lindas e muita superação.
Pra falar a verdade, o Uruguai não tinha time pra chegar a uma semifinal de Copa. A equipe é fraca. Tem alguns bons jogadores, mas não era nada demais, só garantindo sua vaga no Mundial aos 45 do segundo tempo (figurativamente). Mas, das eliminatórias pra cá, o time foi se encontrando. E a Copa despertou aquele "algo a mais" em alguns jogadores, muito diferente do que aconteceu com o Brasil.
Para ajudar na armação do time, Forlán teve que jogar fora de sua posição. E, ao contrário de Cristiano Ronaldo ou de Van Persie, deu o seu melhor. O atacante foi um dos melhores armadores da Copa e, de quebra, ainda foi um dos artilheiros, com 5 (lindos) gols. Lugano, já com quase 30 anos, foi um verdadeiro líder em campo. Na competição, o zagueiro fez algumas das melhores partidas de sua carreira. E Suárez mostrou pro mundo o que apenas os torcedores do Ajax sabiam: tem faro de gol (além de ser ótimo goleiro!). A equipe cresceu (e muito) na competição e, após chegar como azarão na fase final, fez por merecer a vaga nas semifinais (e, posteriormente, o 4o lugar).
O Uruguai pode não ter sido o melhor time da Copa e certamente está longe de ter uma das melhores equipes do mundo, mas protagonizou alguns dos melhores momentos do Mundial, fez uma campanha histórica e resgatou a auto-estima do futebol do país. Foi muito prazeroso acompanhar os jogos do Uruguai e mais prazeroso ainda descobrir que o Uruguai ainda sabe jogar futebol. Além disso, foi uma honra (e uma ironia) ter o desacreditado país representar os sul-americanos nas semifinais da Copa, após as eliminações de Brasil e Argentina. Parabéns para os nossos outros hermanos!
Sobre a Holanda, tb podemos dizer que o time cresceu na Copa. Jogou muito melhor contra Brasil e Uruguai do que contra Dinamarca, Japão, Camarões ou Eslováquia. Talvez porque finalmente tenha enfrentado adversários de respeito. Mas ainda deixou um pouco a desejar. Não porque não jogou bonito, mas porque em momento algum conseguiu "garantir" o jogo. Nas duas partidas, correu sérios riscos de perder a vantagem e a classificação até o último minuto. Se eu fiquei nervosa nos momentos finais do jogo contra o Uruguai, imagino como não ficaram os holandeses! Eu teria escrito aqui antes mesmo da grande final que esse pecado holandês poderia custar caro...
Se num post anterior eu fiz uma observação sobre a comemoração de David Villa, neste eu faço uma pausa no futebol para elogiar a alegria dos príncipes holandeses. Nem pareciam europeus (muito menos nobres), de tanto que comemoravam, aplaudiam, pulavam, torciam e acenavam. Deram de mil a zero nos filhos de Diana, que assistiram sentadinhos às partidas da Inglaterra. Ponto pra realeza holandesa! Ah... e os cachecóis laranja são tudo!
Se faltou emoção na Copa nas primeiras rodadas, não podemos reclamar da fase final. Uruguai x Holanda parecia ser um daqueles jogos em que o favorito jogaria melhor e venceria fácil, com muitas emoções, mas poucas surpresas. Mas não foi bem isso que aconteceu. O favorito até venceu, e a partida realmente foi recheada de emoções, mas o Uruguai não entregou a vaga na final tão facilmente assim...
A Holanda tem mais time que o Uruguai, isso é verdade. E a equipe sul-americana teve seu caminho à semifinal facilitado pelo chaveamento (disputando a vaga com Gana, EUA e Coréia do Sul), apesar do emocionante jogo contra Gana. Mas isso é futebol e, em campo, existem vários outros fatores importantes além da técnica e do talento. Se a Holanda tem alguns dos melhores jogadores da atualidade, como Sneijder e Robben, e outros que não são craques, mas são extremamente técnicos e competentes, o Uruguai tem (de sobra) algo que falta ao Brasil há bastante tempo: garra. Além, é claro, de Diego Forlán.
No primeiro tempo, o jogo foi bem parelho, o que refletiu no placar parcial: 1 a 1. Von Bronckhorst marcou o primeiro com um lindo chute de muito longe logo no início do jogo, mas não demorou para que o Uruguai empatasse, em outro chute lindo de fora da área, de (quem?!) Forlán. Dois gols que entraram pra lista dos mais bonitos da Copa.
Na segunda etapa, a Holanda foi superior. Marcou o segundo gol numa irregularidade quase imperceptível, um daqueles impedimentos "perdoáveis", que a gente só sabe que foi irregular pq a Fifa colocou 32 câmeras em campo em cada jogo (um show de imagens e de transmissão, mas isso é assunto pra outro post). Van Persie, que pouco (ou nada) fez na Copa, fingiu desviar a bola chutada por Sneijder, mas nem chegou a tocá-la. Apesar disso, participou da jogada, ajudando a enganar o goleiro Muslera (que, convenhamos, não precisa nem ser enganado pra sofrer um gol). O atacante holandês estava com o pé alguns centímetros à frente do último zagueiro uruguaio, mas o juiz não deu o impedimento. Acho até que Van Persie tentou desviar a bola, mas chegou atrasado.
O gol acalmou o ânimo uruguaio, que poderia ter sido definitivamente cessado pelo terceiro tento holandês, marcado por Robben pouco depois. Kuyt, livre, cruzou para o atacante do Bayern de Munique, livre, cabecear pra rede. Que falta fez o Lugano! Mas, como eu já mencionei, a garra uruguaia é algo que eles deveriam exportar, fazendo workshops mundo afora (principalmente no Brasil). O Uruguai seguiu lutando. E, no fim do jogo, diminuiu a diferença numa jogada ensaiada (ironicamente, arma tão usada pela Holanda na Copa).
O gol deu ânimo extra à equipe uruguaia. Se a Holanda achava q a partida já estava ganha, se enganou. Os 5 minutos finais foram de presão total do Uruguai dentro da área holandesa. Não estou exagerando. Foi pressão TOTAL mesmo! Era bola pra dentro da área e todos os tipos de finalização, com a Holanda tentando eliminar o perigo, cortando as jogadas de qualquer jeito, zunindo a bola pra frente, respirando apenas por alguns segundos. Não dava nem pra piscar. Mas o juiz apitou o fim do jogo, e a Holanda comemorou no final. Tenho que dizer que eu tb, já q estava torcendo pela equipe laranja, apesar de apreciar a garra uruguaia.
Foi uma aula de futebol. Um partidaço, com jogadas lindas e muita superação.
Pra falar a verdade, o Uruguai não tinha time pra chegar a uma semifinal de Copa. A equipe é fraca. Tem alguns bons jogadores, mas não era nada demais, só garantindo sua vaga no Mundial aos 45 do segundo tempo (figurativamente). Mas, das eliminatórias pra cá, o time foi se encontrando. E a Copa despertou aquele "algo a mais" em alguns jogadores, muito diferente do que aconteceu com o Brasil.
Para ajudar na armação do time, Forlán teve que jogar fora de sua posição. E, ao contrário de Cristiano Ronaldo ou de Van Persie, deu o seu melhor. O atacante foi um dos melhores armadores da Copa e, de quebra, ainda foi um dos artilheiros, com 5 (lindos) gols. Lugano, já com quase 30 anos, foi um verdadeiro líder em campo. Na competição, o zagueiro fez algumas das melhores partidas de sua carreira. E Suárez mostrou pro mundo o que apenas os torcedores do Ajax sabiam: tem faro de gol (além de ser ótimo goleiro!). A equipe cresceu (e muito) na competição e, após chegar como azarão na fase final, fez por merecer a vaga nas semifinais (e, posteriormente, o 4o lugar).
O Uruguai pode não ter sido o melhor time da Copa e certamente está longe de ter uma das melhores equipes do mundo, mas protagonizou alguns dos melhores momentos do Mundial, fez uma campanha histórica e resgatou a auto-estima do futebol do país. Foi muito prazeroso acompanhar os jogos do Uruguai e mais prazeroso ainda descobrir que o Uruguai ainda sabe jogar futebol. Além disso, foi uma honra (e uma ironia) ter o desacreditado país representar os sul-americanos nas semifinais da Copa, após as eliminações de Brasil e Argentina. Parabéns para os nossos outros hermanos!
Sobre a Holanda, tb podemos dizer que o time cresceu na Copa. Jogou muito melhor contra Brasil e Uruguai do que contra Dinamarca, Japão, Camarões ou Eslováquia. Talvez porque finalmente tenha enfrentado adversários de respeito. Mas ainda deixou um pouco a desejar. Não porque não jogou bonito, mas porque em momento algum conseguiu "garantir" o jogo. Nas duas partidas, correu sérios riscos de perder a vantagem e a classificação até o último minuto. Se eu fiquei nervosa nos momentos finais do jogo contra o Uruguai, imagino como não ficaram os holandeses! Eu teria escrito aqui antes mesmo da grande final que esse pecado holandês poderia custar caro...
Se num post anterior eu fiz uma observação sobre a comemoração de David Villa, neste eu faço uma pausa no futebol para elogiar a alegria dos príncipes holandeses. Nem pareciam europeus (muito menos nobres), de tanto que comemoravam, aplaudiam, pulavam, torciam e acenavam. Deram de mil a zero nos filhos de Diana, que assistiram sentadinhos às partidas da Inglaterra. Ponto pra realeza holandesa! Ah... e os cachecóis laranja são tudo!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Paraguai 0 x 1 Espanha
Era pra ser a barbada das quartas de finais. No bolão, eu coloquei 3 a 0 pra Espanha. Sabia que o time sul-americano se fecharia, dificultado a chegada espanhola, mas eu não via como os paraguaios poderiam parar Xavi, Iniesta e Villa. Parar eles não pararam, mas desaceleraram bem. E ainda ofereceram perigo nos contra-ataques.
O início do jogo era de total domínio da Espanha, que tinha a posse de bola, mas nada conseguia criar, encurralada mela marcação paraguaia. A expectativa de goleada se transformou na expectativa de um dos jogos mais chatos da fase de mata-mata (não pior do que Paraguai x Japão pelas oitavas, é claro). O time paraguaio se fechou e marcava a saída de bola no campo do adversário, dando trabalho à Espanha, que não conseguia tocar a bola até o campo de ataque. Sendo uma equipe tecnicamente bastante inferior, o Paraguai não tinha outra alternativa. E a Espanha não encontrava alternativa de ataque.
Mas, no segundo tempo, para que o jogo não se tornasse um marasmo, chamaram o roteirista de Uruguai x Gana pra terminar a história da partida.
Casillas, que andava meio inseguro, defendeu um pênalti paraguaio para, em seguida, Xabi Alonso cobrar uma penalidade para a Espanha. Como Villa, o artilheiro rojo, já havia perdido um pênalti contra Honduras (além dos dois anteriores cobrados com a camisa da Fúria), Alonso tomou a frente. Acertou o chute, mas o juiz mandou repetir, já que tinha havido invasão da grande área. O meio-campista cobrou de novo (com nova invasão), mas Villar defendeu. No rebote, Fábregas ia pegando a bola, mas foi derrubado pelo goleiro. O juiz não teve coragem de assinalar o terceiro pênalti seguido, e deixou a bola correr.
O jogo teria voltado ao seu roteiro original, não fosse por Iniesta, que conseguiu uma brecha na defesa paraguaia. O armador espanhol poderia ter chutado pro gol, mas preferiu tocar para o jovem atacante do Barcelona, Pedro, que chutou na trave. No rebote, Villa não perdoou (sem que antes a bola batesse novamente na trave).
Como não poderia deixar de ser, os 10 minutos finais foram eletrizantes. O técnico paraguaio sacou um defensor para a entrada de um atacante, mas não houve mais alteração no placar. A Espanha jogaria a semifinal contra a Alemanha.
Villa foi decisivo novamente. Coisa que Torres (que passou por uma cirurgia pouco antes da Copa) não chegou nem perto de ser. O Barcelona, que contratou o artilheiro espanhol por 40 milhões de euros, deve estar dando graças a Deus por ter concluído a transação antes do Mundial. Agora, o atacante deve estar valendo no mínimo o dobro. Com a aquisição de Villa, o Barça se tornou o time de 6 dos 11 titulares espanhóis. Dos outros 5, 3 são do Real Madri, 1 do Liverpool e outro do Villareal.
Deve ser fácil treinar uma seleção em que 6 jogadores (5, se não contar Villa, que ainda não jogou pela equipe da Catalunha) jogam juntos o ano todo e vencem praticamente tudo que disputam. Percebe-se nitidamente o toque de bola do Barça na equipe roja. E, se o time blaugrana é um dos melhores do mundo (pra mim, O melhor), não poderíamos mesmo esperar pouco da seleção da Espanha.
Ah... e adoro a comemoração dos gols de Villa, saudando os torcedores, "à la toureiro". Acho de uma classe!
O início do jogo era de total domínio da Espanha, que tinha a posse de bola, mas nada conseguia criar, encurralada mela marcação paraguaia. A expectativa de goleada se transformou na expectativa de um dos jogos mais chatos da fase de mata-mata (não pior do que Paraguai x Japão pelas oitavas, é claro). O time paraguaio se fechou e marcava a saída de bola no campo do adversário, dando trabalho à Espanha, que não conseguia tocar a bola até o campo de ataque. Sendo uma equipe tecnicamente bastante inferior, o Paraguai não tinha outra alternativa. E a Espanha não encontrava alternativa de ataque.
Mas, no segundo tempo, para que o jogo não se tornasse um marasmo, chamaram o roteirista de Uruguai x Gana pra terminar a história da partida.
Casillas, que andava meio inseguro, defendeu um pênalti paraguaio para, em seguida, Xabi Alonso cobrar uma penalidade para a Espanha. Como Villa, o artilheiro rojo, já havia perdido um pênalti contra Honduras (além dos dois anteriores cobrados com a camisa da Fúria), Alonso tomou a frente. Acertou o chute, mas o juiz mandou repetir, já que tinha havido invasão da grande área. O meio-campista cobrou de novo (com nova invasão), mas Villar defendeu. No rebote, Fábregas ia pegando a bola, mas foi derrubado pelo goleiro. O juiz não teve coragem de assinalar o terceiro pênalti seguido, e deixou a bola correr.
O jogo teria voltado ao seu roteiro original, não fosse por Iniesta, que conseguiu uma brecha na defesa paraguaia. O armador espanhol poderia ter chutado pro gol, mas preferiu tocar para o jovem atacante do Barcelona, Pedro, que chutou na trave. No rebote, Villa não perdoou (sem que antes a bola batesse novamente na trave).
Como não poderia deixar de ser, os 10 minutos finais foram eletrizantes. O técnico paraguaio sacou um defensor para a entrada de um atacante, mas não houve mais alteração no placar. A Espanha jogaria a semifinal contra a Alemanha.
Villa foi decisivo novamente. Coisa que Torres (que passou por uma cirurgia pouco antes da Copa) não chegou nem perto de ser. O Barcelona, que contratou o artilheiro espanhol por 40 milhões de euros, deve estar dando graças a Deus por ter concluído a transação antes do Mundial. Agora, o atacante deve estar valendo no mínimo o dobro. Com a aquisição de Villa, o Barça se tornou o time de 6 dos 11 titulares espanhóis. Dos outros 5, 3 são do Real Madri, 1 do Liverpool e outro do Villareal.
Deve ser fácil treinar uma seleção em que 6 jogadores (5, se não contar Villa, que ainda não jogou pela equipe da Catalunha) jogam juntos o ano todo e vencem praticamente tudo que disputam. Percebe-se nitidamente o toque de bola do Barça na equipe roja. E, se o time blaugrana é um dos melhores do mundo (pra mim, O melhor), não poderíamos mesmo esperar pouco da seleção da Espanha.
Ah... e adoro a comemoração dos gols de Villa, saudando os torcedores, "à la toureiro". Acho de uma classe!
Argentina 0 x 4 Alemanha - e a alma brasileira lavada
Não, a Copa não perdeu a graça depois que o Brasil foi eliminado. Muito pelo contrário. Não tenho escrito pq, dentre assistir os jogos, trabalhar e assistir as mesas redondas, quase não tem sobrado tempo pra escrever, por mais que eu tenha muito pra falar. Mas vou tentar passar pra vcs um pouco do que aconteceu no mundo no futebol nos últimos dias, mesmo com atraso...
Pois é... Pra curar a ressaca do futebolzinho irregular do time do Dunga e da eliminação diante da Holanda, nada melhor que ver Argentina tomar um chocolate alemão. Maradona, escorrendo sebo na beira do campo, foi ficando cada vez mais assustado com os gols germânicos, que pareciam até o tal ketchup português ("Golo é que nem ketchup: quando aparece, aparece tudo de uma vez", citando o poeta Cristiano Ronaldo).
A tampa do ketchup abriu logo aos 3 minutos de jogo. Schweinsteiger cobrou falta, e o péssimo goleiro argentino ficou agachado no campo, esperando a bola chegar nas suas mãos, como se mais ninguém estivesse em campo. Müller deu um leve desvio de cabeça, e a bola entrou. Inicialmente, a Argentina ficou abalada, mas logo se refez e passou a primeira etapa do jogo buscando o empate: alguns lances isolados de Messi, uma ou outra boa jogada de Tévez ou Higuaín. Só que a Alemanha não é o México. Muito menos a Grécia, a Nigéria ou a Coréia do Sul. O time germânico continuou buscando o ataque e tendo boas chances diante da tenebrosa defesa argentina.
A equipe de Maradona tem tantos atacantes excelentes, que, mesmo jogando com três homens na frente, pode se dar ao luxo de ter mais três no banco, dois dos quais seriam titulares em qualquer outra equipe (é óbvio que não estou falando do Palermo). O problema é que do meio de campo pra trás a Argentina é quase nula. Demichelis já havia mostrado contra a Coréia do Sul porque os hermanos têm tanto medo de sofrer um contra-ataque. Heinze é o Cannavaro argentino: já foi excelente, mas o técnico não percebeu que o tempo passou. De Burdisso e Otamendi então é melhor nem falar nada, pois, se eu fosse argentina, encheria o blog de palavrões, mas como sou brasileira, corro sérios riscos de elogiar os dois defensores. Sobra para Mascherano, sozinho, tentar segurar o ataque adversário, já que El Pibe cometeu o pecado de não convocar Cambiasso, provavelmente o melhor volante do mundo. Com Samuel machucado e nomes como Jonas Gutiérrez no banco, Dieguito não tinha realmente muito o que fazer. E ficou provado que um time não pode ser campeão se não tiver um elenco completo, ou ao menos algo perto disso.
No segundo tempo, o que ainda restava da Argentina se desfez. Schweinsteiger, novamente, - o melhor em campo - lutou por uma bola e, já deitado, acabou passando para Podolski cruzar e Klose marcar. Se estava difícil para os hermanos, a tarefa tornou-se hercúlea. Messi sumiu; Higuaín dava a impressão de ter ficado no vestiário durante o intervalo; Di María parecia uma barata tonta. Tévez era o único que ainda tentava alguma coisa. E se eu disser que Diego Milito não saiu do banco vc acreditaria? Pois é, quando decidiu mexer no time pra tentar empatar ou virar o jogo, Maradona colocou Pastore e, depois, seu genro Agüero, que nada puderam fazer diante da tragédia que estava para acontecer. A Argentina tentou partir pra cima, não conseguiu, e sofreu dois contra-ataques letais: Friedrich (em outro lance espetacular de Schweinsteiger, que entrou na área driblando como se fosse brasileiro) e Klose fecharam o caixão argentino e carimbaram o passaporte de Dieguito de volta pra Buenos Aires.
A Alemanha tem um timaço. No jogo das quartas de final, parecia uma mistura de drible brasileiro, criatividade holandesa e toque de bola espanhol. É a melhor surpresa da Copa. E, para isso, os alemães têm que agradecer a Kevin-Prince Boateng, o ganês (irmão do Boateng alemão) que tirou Ballack da Copa após entrada criminosa na final da Copa da Inglaterra. Ballack pra mim é como o inglês Lampard: superestimado. Até tem seus momentos, mas não é nem metade do que dizem por aí. E é notória a melhora do time na ausência do meio-campista.
Ocupando o espaço deixado por Ballack, Schweinsteiger (cujo nome eu só copio e colo, pois nunca vou aprender a escrever) se tornou o grande homem do time: defende, desarma, cria jogadas, dribla, cruza e finaliza. Está em todos os cantos do campo. Não há uma jogada alemã que não passe por seus pés. Pra mim, concorre com Villa e Sneijder pelo título de melhor jogador do torneio (mas deve perder para um desses dois, pois não é goleador). Acompanho o campeonato Alemão e a Liga dos Campeões assiduamente e confesso que sempre achei o alemão bom jogador, mas ele tem se superado na Copa. Até porque não joga no seu clube na posição em que está (muito bem) "improvisado". Özil e Müller são os outros destaques e excelentes surpresas da seleção germânica. Muito cuidado, pois estarão tinindo em 2014!
Pois é... Pra curar a ressaca do futebolzinho irregular do time do Dunga e da eliminação diante da Holanda, nada melhor que ver Argentina tomar um chocolate alemão. Maradona, escorrendo sebo na beira do campo, foi ficando cada vez mais assustado com os gols germânicos, que pareciam até o tal ketchup português ("Golo é que nem ketchup: quando aparece, aparece tudo de uma vez", citando o poeta Cristiano Ronaldo).
A tampa do ketchup abriu logo aos 3 minutos de jogo. Schweinsteiger cobrou falta, e o péssimo goleiro argentino ficou agachado no campo, esperando a bola chegar nas suas mãos, como se mais ninguém estivesse em campo. Müller deu um leve desvio de cabeça, e a bola entrou. Inicialmente, a Argentina ficou abalada, mas logo se refez e passou a primeira etapa do jogo buscando o empate: alguns lances isolados de Messi, uma ou outra boa jogada de Tévez ou Higuaín. Só que a Alemanha não é o México. Muito menos a Grécia, a Nigéria ou a Coréia do Sul. O time germânico continuou buscando o ataque e tendo boas chances diante da tenebrosa defesa argentina.
A equipe de Maradona tem tantos atacantes excelentes, que, mesmo jogando com três homens na frente, pode se dar ao luxo de ter mais três no banco, dois dos quais seriam titulares em qualquer outra equipe (é óbvio que não estou falando do Palermo). O problema é que do meio de campo pra trás a Argentina é quase nula. Demichelis já havia mostrado contra a Coréia do Sul porque os hermanos têm tanto medo de sofrer um contra-ataque. Heinze é o Cannavaro argentino: já foi excelente, mas o técnico não percebeu que o tempo passou. De Burdisso e Otamendi então é melhor nem falar nada, pois, se eu fosse argentina, encheria o blog de palavrões, mas como sou brasileira, corro sérios riscos de elogiar os dois defensores. Sobra para Mascherano, sozinho, tentar segurar o ataque adversário, já que El Pibe cometeu o pecado de não convocar Cambiasso, provavelmente o melhor volante do mundo. Com Samuel machucado e nomes como Jonas Gutiérrez no banco, Dieguito não tinha realmente muito o que fazer. E ficou provado que um time não pode ser campeão se não tiver um elenco completo, ou ao menos algo perto disso.
No segundo tempo, o que ainda restava da Argentina se desfez. Schweinsteiger, novamente, - o melhor em campo - lutou por uma bola e, já deitado, acabou passando para Podolski cruzar e Klose marcar. Se estava difícil para os hermanos, a tarefa tornou-se hercúlea. Messi sumiu; Higuaín dava a impressão de ter ficado no vestiário durante o intervalo; Di María parecia uma barata tonta. Tévez era o único que ainda tentava alguma coisa. E se eu disser que Diego Milito não saiu do banco vc acreditaria? Pois é, quando decidiu mexer no time pra tentar empatar ou virar o jogo, Maradona colocou Pastore e, depois, seu genro Agüero, que nada puderam fazer diante da tragédia que estava para acontecer. A Argentina tentou partir pra cima, não conseguiu, e sofreu dois contra-ataques letais: Friedrich (em outro lance espetacular de Schweinsteiger, que entrou na área driblando como se fosse brasileiro) e Klose fecharam o caixão argentino e carimbaram o passaporte de Dieguito de volta pra Buenos Aires.
A Alemanha tem um timaço. No jogo das quartas de final, parecia uma mistura de drible brasileiro, criatividade holandesa e toque de bola espanhol. É a melhor surpresa da Copa. E, para isso, os alemães têm que agradecer a Kevin-Prince Boateng, o ganês (irmão do Boateng alemão) que tirou Ballack da Copa após entrada criminosa na final da Copa da Inglaterra. Ballack pra mim é como o inglês Lampard: superestimado. Até tem seus momentos, mas não é nem metade do que dizem por aí. E é notória a melhora do time na ausência do meio-campista.
Ocupando o espaço deixado por Ballack, Schweinsteiger (cujo nome eu só copio e colo, pois nunca vou aprender a escrever) se tornou o grande homem do time: defende, desarma, cria jogadas, dribla, cruza e finaliza. Está em todos os cantos do campo. Não há uma jogada alemã que não passe por seus pés. Pra mim, concorre com Villa e Sneijder pelo título de melhor jogador do torneio (mas deve perder para um desses dois, pois não é goleador). Acompanho o campeonato Alemão e a Liga dos Campeões assiduamente e confesso que sempre achei o alemão bom jogador, mas ele tem se superado na Copa. Até porque não joga no seu clube na posição em que está (muito bem) "improvisado". Özil e Müller são os outros destaques e excelentes surpresas da seleção germânica. Muito cuidado, pois estarão tinindo em 2014!
domingo, 4 de julho de 2010
Uruguai 1 x 1 Gana
Se faltou emoção na primeira fase da Copa, o mesmo não se pode dizer do mata-mata.
Pouco importa Muntari finalmente como titular, marcando um golaço no último minuto do 1o tempo. Pouco importa o gol de Forlán logo no início da segunda etapa, jogando um balde de água fria na seleção africana. Pouco importa as chances de gol perdidas durante a partida. Daqui a 4 anos, ninguém vai se lembrar nem do placar final do jogo. O que vai entrar pra História são os minutos finais da partida, recheados de emoção.
Último lance do jogo, após 90 minutos de tempo regulamentar e mais 30 de prorrogação. Escanteio para Gana. No bate a rebate dentro da grande área, Suárez, que vinha sendo um dos destaques da campanha uruguaia até o momento, logo após salvar um gol em cima da linha, com a perna, mete as duas mãos na bola discaradamente, para impedir o que seria o gol de classificação de Gana às semifinais. Pênalti para Gana. Cartão vermelho para Suárez.
Gyan, que já havia convertido 2 pênaltis nos 2 primeiros jogos das Estrelas Negras, e artilheiro de Gana na Copa, se prepara para bater. E manda a bola no travessão.
Fim da partida. A decisão vai para a disputa de pênaltis.
Nas cobranças, o goleiro Muslera pega 2 penalidades cobradas por Gana (uma delas, batida pelo capitão, John Mensah, que toma a distância de apenas 2 passos pra trás e bate fraquinho na bola, tornando fácil a defesa uruguaia). Com direito a cavadinha, Loco Abreu converte a última cobrança uruguaia e leva sua seleção à semifinal pela primeira vez em 40 anos. Termina o sonho africano de ver uma equipe do continente entre as 4 melhores da Copa.
Alguém conseguiria escrever um roteiro mais emocionante?
Na Copa de 2006, faltaram jogos emocionantes, históricos, marcantes.
Portugal x Holanda, nas oitavas de final, foi um bom jogo, assim como a semifinal entre Alemanha e Itália, decidida na prorrogação. Mas o único momento marcante da competição foi a cabeçada de Zidane em Materazzi na final, culminando com a expulsão do gênio francês.
A copa de 2010 começou seguindo a mesma receita. Recheada de 1 a 0 e 0 a 0 na primeira fase, não prometia empolgar. Parecia que os fatos mais marcantes seriam as eliminações do campeão e do vice da Copa anterior ainda na primeira fase. Mas vieram as oitavas e uma bela partida entre Alemanha e Inglaterra prenunciou o que estava por vir na rodada seguinte. O eletrizante jogo entre as zebras das quartas, Uruguai e Gana, foi apenas o primeiro de 3 confrontos históricos. Ao término da rodada, sobrou para Brasil e Holanda o duelo menos excitante dessa fase. Principalmente se comparado aos jogos de 94 e 98.
Última seleção sul-americana a se classificar para a Copa, na repescagem, a Celeste é agora a única representante do continente, em meio ao domínio europeu. Totalmente desfalcado para a semifinal (Lodeiro, com fratura do dedo do pé, foi descartado; Lugano, chefão da zaga, também está machucado e não deve entrar em campo; Suárez e Fucile estão suspensos), o Uruguai é azarão contra a Holanda. A equipe já fez História, devolvendo a auto estima ao futebol do país, bicampeão na primeira metade do século passado, e é improvável que vá mais longe, disputando ou ganhando a final, mas já pode tirar onda ante os rivais Brasil e Argentina, considerados por muito favoritos ao título até pouco tempo atrás.
Sobre Gana, é uma pena que não tenha conseguido o feito histórico de ser a primeira seleção africana a disputar uma semifinal de Copa, principalmente por este ser o primeiro Mundial no continente. A equipe foi guerreira e superou adversários difíceis e tecnicamente superiores, mas seus jogadores (muitos campeões do último Mundial Sub-21 da Fifa, vencendo o Brasil na final, em disputa de pênaltis) ainda são jovens e prometem fazer, novamente, uma boa campanha no próximo Mundial. Com a volta de Essien, principal jogador do time e titular do campeão inglês Chelsea, que fora cortado da Copa por uma lesão no joelho, Gana se torna uma equipe ainda mais forte. Além disso a experiência adquirida na boa campanha feita na África do Sul certamente pesará a favor dos Estrelas Negras no futuro.
Pouco importa Muntari finalmente como titular, marcando um golaço no último minuto do 1o tempo. Pouco importa o gol de Forlán logo no início da segunda etapa, jogando um balde de água fria na seleção africana. Pouco importa as chances de gol perdidas durante a partida. Daqui a 4 anos, ninguém vai se lembrar nem do placar final do jogo. O que vai entrar pra História são os minutos finais da partida, recheados de emoção.
Último lance do jogo, após 90 minutos de tempo regulamentar e mais 30 de prorrogação. Escanteio para Gana. No bate a rebate dentro da grande área, Suárez, que vinha sendo um dos destaques da campanha uruguaia até o momento, logo após salvar um gol em cima da linha, com a perna, mete as duas mãos na bola discaradamente, para impedir o que seria o gol de classificação de Gana às semifinais. Pênalti para Gana. Cartão vermelho para Suárez.
Gyan, que já havia convertido 2 pênaltis nos 2 primeiros jogos das Estrelas Negras, e artilheiro de Gana na Copa, se prepara para bater. E manda a bola no travessão.
Fim da partida. A decisão vai para a disputa de pênaltis.
Nas cobranças, o goleiro Muslera pega 2 penalidades cobradas por Gana (uma delas, batida pelo capitão, John Mensah, que toma a distância de apenas 2 passos pra trás e bate fraquinho na bola, tornando fácil a defesa uruguaia). Com direito a cavadinha, Loco Abreu converte a última cobrança uruguaia e leva sua seleção à semifinal pela primeira vez em 40 anos. Termina o sonho africano de ver uma equipe do continente entre as 4 melhores da Copa.
Alguém conseguiria escrever um roteiro mais emocionante?
Na Copa de 2006, faltaram jogos emocionantes, históricos, marcantes.
Portugal x Holanda, nas oitavas de final, foi um bom jogo, assim como a semifinal entre Alemanha e Itália, decidida na prorrogação. Mas o único momento marcante da competição foi a cabeçada de Zidane em Materazzi na final, culminando com a expulsão do gênio francês.
A copa de 2010 começou seguindo a mesma receita. Recheada de 1 a 0 e 0 a 0 na primeira fase, não prometia empolgar. Parecia que os fatos mais marcantes seriam as eliminações do campeão e do vice da Copa anterior ainda na primeira fase. Mas vieram as oitavas e uma bela partida entre Alemanha e Inglaterra prenunciou o que estava por vir na rodada seguinte. O eletrizante jogo entre as zebras das quartas, Uruguai e Gana, foi apenas o primeiro de 3 confrontos históricos. Ao término da rodada, sobrou para Brasil e Holanda o duelo menos excitante dessa fase. Principalmente se comparado aos jogos de 94 e 98.
Última seleção sul-americana a se classificar para a Copa, na repescagem, a Celeste é agora a única representante do continente, em meio ao domínio europeu. Totalmente desfalcado para a semifinal (Lodeiro, com fratura do dedo do pé, foi descartado; Lugano, chefão da zaga, também está machucado e não deve entrar em campo; Suárez e Fucile estão suspensos), o Uruguai é azarão contra a Holanda. A equipe já fez História, devolvendo a auto estima ao futebol do país, bicampeão na primeira metade do século passado, e é improvável que vá mais longe, disputando ou ganhando a final, mas já pode tirar onda ante os rivais Brasil e Argentina, considerados por muito favoritos ao título até pouco tempo atrás.
Sobre Gana, é uma pena que não tenha conseguido o feito histórico de ser a primeira seleção africana a disputar uma semifinal de Copa, principalmente por este ser o primeiro Mundial no continente. A equipe foi guerreira e superou adversários difíceis e tecnicamente superiores, mas seus jogadores (muitos campeões do último Mundial Sub-21 da Fifa, vencendo o Brasil na final, em disputa de pênaltis) ainda são jovens e prometem fazer, novamente, uma boa campanha no próximo Mundial. Com a volta de Essien, principal jogador do time e titular do campeão inglês Chelsea, que fora cortado da Copa por uma lesão no joelho, Gana se torna uma equipe ainda mais forte. Além disso a experiência adquirida na boa campanha feita na África do Sul certamente pesará a favor dos Estrelas Negras no futuro.
A receita de erros de Dunga
Todos os jogadores que passaram pela zona mista na 6a feira deram entrevistas dizendo q o grupo estava muito unido. Gostaria de saber desde quando união ganha jogo. O que ganha jogo é talento, entrosamento, garra, chute a gol.
Dunga exigiu de seus comandados apenas comprometimento. Não exigiu que jogassem futebol. O comprometimento tão valorizado por Dunga levou à África do Sul jogadores como:
Kleberson - reserva no fraco time do Flamengo, mas, que, como quebrou o braço jogando pela Seleção (em uma fase em que estava apresentando um bom futebol no time carioca, mas não o suficiente para ajudar na conquista de uma Copa do Mundo), acabou sendo convocado para aliviar a culpa de Dunga. Na cabeça do treinador brasileiro, a culpa de Klberson estar na reserva do Flamengo, apresentando, novamente, o futebol medíocre que lhe é característico, era da recuperação da fratura ocasionada em amistoso da seleção.
Doni - 3o goleiro da Roma, Doni não senta nem no banco do time italiano. Na última temporada, Doni participou de apenas 9 jogos pelo time. Assim como com Kleberson, Dunga acredita que a reserva de Doni se deve ao fato de o goleiro ter enfrentado a direção da Roma e, contrariando orientações do clube, ter se apresentado à seleção para a disputa de alguns amistosos. Na volta à Itália, Doni foi punido com a reserva. E de lá nunca mais saiu. Júlio Sérgio, o brasileiro que o substituiu, tornou-se o novo intocável do time italiano, fazendo defesas espetaculares. Ou seja, na Roma, Doni é (2o) reserva de outro brasileiro! E Dunga nunca nem cogitou convocar Júlio Sérgio.
Michel Bastos - meia-direita do Lyon, foi convocado para a lateral esquerda titular da seleção. Alguém pode me explicar?
Gilberto - convocado para ser o substituto de Michel Bastos, Gilberto, com 34 anos, joga como meio de campo no Cruzeiro, tendo feito uma temporada bem ruizinha pelo time mineiro. Mesmo quando jogava na lateral, posição da qual se aposentou 4 anos atrás, por causa da idade avançada, nunca foi grande coisa.
Gilberto Silva - depois de se tornar reserva no Arsenal, foi contratado pelo Panathinaikos. Agora é reserva no time grego. Titular do meio de campo da seleção e, quando da ausência de Lúcio, capitão do time.
Felipe Melo - era um jogador ruim no Flamengo, foi um jogador ruim no Cruzeiro, passou por times pequenos da Europa, como Mallorca, Racing Santander e Almería, até ser contratado pela Fiorentina. Fez uma boa temporada pelo campeonato italiano, e Dunga decidiu convocá-lo. Jogou todos os jogos da Copa das Confederações e alguém inventou que era bom jogador. Ele, Dunga e os dirigentes da Juventus acreditaram. Foi contratado a peso de ouro pelo clube de Turim. Na última temporada, foi eleito o pior jogador do campeonato italiano, tendo recebido 11 cartões amarelos e 2 vermelhos.
Elano - Joga no Galatasaray, 3o colocado no último campeonato turco (que só tem 3 times de peso). Volante de marcação, joga no time de Dunga como meia armador.
Julio Baptista - depois de ser reserva do Real Madri e do Arsenal, agora é reserva na Roma, onde atua como atacante. Foi convocado para ser reserva de Kaká, meia armador e único homem responsável pela criatividade no time do Brasil. Enquanto isso, Ronaldinho Gaúcho, titular do Milan, está curtindo férias.
Uma equipe com 7 volantes (caso também consideremos o Julio Baptista meio-campo marcador, posição em que ele atua melhor, já que não tem nenhuma criatividade para armar jogadas e pouco talento para finalizações) e 1 meia armador. Ah... e nenhum lateral esquerdo.
Fora isso, Dunga ainda contrariou sua própria convocação.
No jogo contra a Coréia do Norte, Dunga colocou Daniel Alves no lugar de Elano. Daniel é, originalmente, lateral direito, mas é considerado o "coringa" da Seleção, podendo jogar tb no meio de campo ou na lateral esquerda. O reserva de Elano, Ramires, entrou no jogo no lugar de Felipe Melo.
Contra o Chile, Dunga colocou Nilmar, atacante que se movimenta bastante e arma as jogadas, assim como Robinho, no lugar de Luís Fabiano, centroavante. Kaká, por sua vez, foi substituído por Kleberson, reserva de Elano, e Robinho deu lugar a Gilberto, que atua como meio-campo, mas foi convocado para ser o lateral esquerdo reserva da Seleção.
Na última partida, contra a Holanda, nova substituição esquisita de Dunga, que, precisando empatar o jogo, tirou o único centroavante em campo, Luís Fabiano, pra colocar Nilmar.
A razão usada por Dunga para explicar a não convocação de Ronaldinho Gaúcho, Marcelo, lateral esquerdo do Real Madri, e Pato, atacante que fez excelente início de temporada no Milan, até passar a sofrer com seguidas contusões, foi o tal comprometimento. Ronaldinho pediu dispensa da seleção em 2007, preferindo tirar suas primeiras férias em 4 anos (Ronaldinho disputara a Copa América 2004, a Copa das Confederações 2005 e a Copa do Mundo 2006, no período em que, normalmente, os jogadores que atuam na Europa estão de férias), e isso incomodou o técnico Dunga. Ronaldinho ainda foi convocado para a disputa das Olimpíadas de Pequim em 2008, em que o Brasil fez uma péssima campanha (terminou com a medalha de bronze após tomar um baile da Argentina na semifinal), e alguns jogos das eliminatórias, mas desde abril de 2009 o gaúcho nunca mais foi chamado. Marcelo e Pato tb fizeram parte do time medalha de bronze em Pequim e, de uns tempos pra cá, sumiram das listas da Seleção, nem nenhum motivo aparente. Quando fez a convocação final para o time que disputaria a Copa, Dunga disse que esses jogadores tiveram muitas oportunidades, mas não as aproveitaram.
Eu gostaria de saber, então, quais foram as oportunidades aproveitadas por Grafite, Michel Bastos e Kleberson. Grafite jogou 20 minutos no último amistoso da Seleção antes da lista final dos convocados. Michel Bastos fizera 3 jogos pela Seleção antes de ser oficializado como lateral esquerdo titular para a Copa. Já Kleberson, depois da boa fase vivida em 2002, voltou a jogar pela Seleção sob o comando de Dunga em junho de 2006, quando esteve presente em 3 partidas. Em agosto, no seu 4o jogo, quebrou o braço e só voltou agora, na Copa. Adoraria saber o que esses 3 jogadores fizeram em campo nessas poucas oportunidades que tanto encantou o técnico da Seleção. Ah... tinha esquecido... o Dunga não convocou a equipe que disputou a Copa baseado no futebol apresentado pelo jogadores, mas no comprometimento deles com a Seleção. Então qual foi o comprometimento que eles tiveram, tendo sido convocados tão poucas vezes?
É, Dunga... acho que a receita pra ganhar uma Copa do Mundo não é o tal comprometimento do qual vc tanto falou. Será que jogar futebol adianta?
Não faço parte do grupo que fez campanha para a convocação dos jovens Ganso e Neymar. Acho que não se pode basear uma convocação para Copa do Mundo em jogos de campeonato regional. Esse garotos realmente vêm jogando um bolão, mas, sinceramente, contra o Sertãozinho, até eu. Ok ok... Eles tb jogaram muito na Copa do Brasil, só que os únicos times decentes que o Santos enfrentou nessa competição foram o Atlético Mineiro e o Grêmio, não vencendo nenhum dos dois tão facilmente como vinha fazendo contra os Remos e Naviraienses da vida, apesar das boas atuações. Acho que Ganso e Neymar certamente têm lugar na seleção brasileira, mas mereciam, ao menos, ser testados antes de disputar uma Copa. No entanto, eu era totalmente a favor das convocações de Ronaldinho e Alexandre Pato.
Só que o Dunga preferiu um time recheado de volantes a uma equipe criativa. Tudo bem, não tem problema. Se o que ele queria na Copa era uma seleção especializada em marcação e desarme, poderia ter levado Lucas, do Liverpool (que teve bastante atuações na seleção de Dunga e tb fez parte do grupo medalha de bronze em Pequim, mas deixou de ser convocado há um tempo); Denílson, do Arsenal, jovem promessa que vem tendo excelentes auações pelo time inglês; Alex, ex-Internacional e agora no Spartak Moscou, que até chegou a ser chamado por Dunga algumas vezes, mas, ao que tudo indica, o técnico não gostou do que viu; ou Hernanes, do São Paulo, que não voltou a mostrar o bom futebol que ajudou o São Paulo a ser campeão brasileiro em 2008, mas certamente é muito melhor que Josué, Gilberto Silva, Felipe Melo ou Kleberson. E, na armação, Diego, ex-Werder Bremen e atual Juventus, apesar da má fase no clube italiano, certamente é bem melhor que Júlio Baptista. Pelo menos é titular no seu time. Até o próprio Michel Bastos fez um ótima temporada no Lyon como meia armador (não lateral esquerdo!!!).
Dunga achou que Copa do Mundo era como Copa das Confederações ou Copa América. E, até certo ponto, a nossa Copa foi. O Brasil conquistou a Copa América em 2007 jogando mal e feio. Perdeu o primeiro jogo para o México e ganhou do Chile no segundo. Depois, passou pelo fraquíssimo Equador com sufoco. Nas quartas, uma goleada em cima do freguês Chile, com bela atuação de Robinho. Nas semis, um empate suado com o Uruguai e a vaga na final nos pênaltis. O título veio sobre uma Argentina medrosa, que perdera os últimos 2 títulos que disputara contra o Brasil e entrou em campo extremamente nervosa.
Já na Copa das Confederações, ano passado, em momento algum o Brasil teve de enfrentar um adversário de peso. A campeã mundial Itália já estava em franca decadência, e os EUA, de quem o Brasil sofreu para vencer na final de virada, nos fez o favor de eliminar a Espanha.
Na Copa do Mundo, o Brasil perdeu para o primeiro adversário decente que enfrentou. Um time que sofre para vencer a Coréia do Norte e ainda toma um gol da pior seleção do Mundial não merece ser campeão do mundo.
Dunga também adora mencionar essa tal dicotomia "jogar feio e ganhar x jogar bonito e perder". Adoraria saber de onde ele tirou a idéia de que o que se faz ganhar ou perder uma partida de futebol é jogar um futebol feio ou bonito. O que se faz ganhar um jogo de futebol é jogar bem, não necessariamente bonito. O mesmo vale para perder e jogar feio.
No entanto, uma das coisas que torna o futebol um esporte tão fantástico é exatamente o fato de ele ser provavelmente a única modalidade esportiva em que se pode jogar bem o tempo inteiro, mas perder o jogo em uma falha boba, ou, no caso contrário, jogar muito mal, mas acabar vencendo. Esse foi o caso, por exemplo, da primeira partida da Espanha nesta Copa. A Espanha não jogou bonito, mas jogou muito bem. E perdeu. Passou o jogo inteiro buscando o gol e teve várias oportunidades de marcar, mas acabou não fazendo. A Suíça, timinho que joga feio e mal, teve apenas uma oportunidade, e marcou. Suíça 1 x 0 Espanha.
Dunga acha que jogar bem é sinônimo de jogar bonito. Não é. Jogar bem é o que a Holanda vem fazendo na Copa. Não encantou em nenhum jogo, mas vem jogando bem. E não perdeu uma partida sequer. Já a Alemanha, vem jogando bem e bonito. Mas uma coisa não necessariamente remete à outra.
E também não é sempre que se joga bem e ganha. O Brasil de 82 jogava bem, bonito e perdeu a Copa. O Brasil de 94 jogava bem, feio, e ganhou.
Dunga queria ganhar a Copa jogando feio, como fez em 94, mas esqueceu de jogar bem. A seleção de 2010 não encantou em momento algum, nem engrenou. Foi melhorando aos pouquinhos, muito aos pouquinhos para uma competição que tem apenas 7 jogos. Demorou 4 jogos pra finalmente começar uma partida jogando bem, como fez contra a Holanda. E demorou apenas 15 minutos pra desaprender tudo de novo. A seleção de 2006 pelo menos jogou bem em uma partida (contra o Japão, com o time reserva, mas jogou bem).
Outra analogia adorada por Dunga e pela imprensa esportiva brasileira é entre as seleções de 94 e de 2010. Dunga queria ser campeão em 2010 como foi em 94, jogando feio. Vamos, então, ajudar o (ex) técnico brasileiro e comparar as duas equipes.
Em 2010 tivemos um excelente goleiro (o melhor do mundo, apesar da falha contra a Holanda) e a melhor dupla de zaga do mundo. Em 94, o goleiro também era muito bom e a dupla de zaga, apesar de reserva (Ricardo Gomes se machucou antes da competição, e Ricardo Rocha durante), fez uma Copa impecável. Aldair estava no auge de sua carreira e Márcio Santos nunca mais jogou o futebol apresentado naquela Copa.
Na direita, Jorginho, assim como Maicon, era um dos melhores na sua posição, e foi, assim como Maicon, um dos responsáveis pelas melhores jogadas do Brasil. Já na esquerda, em 94 Leonardo fez uma excelente Copa até ser expulso no jogo contra os EUA. Branco, titular original da posição, fez um golaço contra a Holanda, mas passou em branco (sem trocadilhos) o resto da Copa. Já Michel Bastos.... cadê Michel Bastos? Alguém já encontrou?
No meio de campo, realmente não tínhamos criatividade. Mauro Silva e Dunga eram bons no desarme, e Zinho e Mazinho (que substituiu Raí, escalado fora de sua posição) tentavam, mas pouco criavam. No entanto, qualquer um dos quatro substituiria muito bem Felipe Melo, mesmo 16 anos depois. Sem contar que não faltava a nenhum deles vontade de mostrar serviço, garra e determinação, o que não se pode dizer dos volantes atuais.
Único homem de criação do meio de campo atual da seleção brasileira, Kaká começou a Copa muito mal, mas foi se encontrando aos poucos. Não foi nem sombra do craque eleito melhor do mundo em 2007, porém foi um dos poucos que tentou alguma coisa do meio pra frente. Só que não adianta tentar sozinho.
E não podemos nem começar a comparar Bebeto e Romário com Robinho e Luís Fabiano. Bebeto fez na Copa algumas das melhores partidas de sua vida. O entrosamento com Romário era algo de outro mundo. Fico com lágrimas nos olhos quando lembro do gol feito contra os EUA, em pleno 4 de julho, em que, após marcar, Bebeto dá a volta por trás do gol e abraça Romário com as palavras "eu te amo" saindo de sua boca. E Romário foi um dos melhores centroavantes da História do Futebol, o "gênio da grande área", segundo Cruyff, outro gênio e seu treinador na época, no Barcelona. Já Robinho.... Se jogasse metade do futebol que ele acha que joga, entraria para a História apenas como um bom jogador. Talento ele tem, mas tem muito mais marra que qualquer outra coisa. Alguém que chega numa Copa do Mundo dizendo que quer ser o craque da Copa não tem a menor chance de concretizar seu desejo (seria a maldição do comercial da Nike?). E Luís Fabiano é um ótimo atacante, mas é injusto tentar compará-lo a Romário, ou Ronaldo, ou até mesmo Careca. O Fabuloso é apenas nossa melhor opção de ataque na fraca safra pela qual estamos passando.
Tá bom pra vc, Dunga?
Já que estamos fazendo comparações, há duas outras coisas que tinha de sobra nas seleções passadas e das quais eu sinto muita falta nos últimos tempos. Para mencionar apenas as equipes vencedoras, tanto em 94 quanto em 2002, o Brasil chegava nos estádios tocando seu sambinha tradicional no ônibus, com direito a cavaquinho, pandeiro e outros instrumentos, que não podiam faltar na bagagem do time. A descontração,a felicidade e a alegria eram visíveis. E, no final das partidas, havia sempre algum jogador a passear pelo campo carregando a bandeira brasileira, orgulhoso. Em 94, quando o jogo terminava, eu já ficava procurando Romário, na tv, enrolado na bandeira do Brasil.
Nas duas últimas Copas, o Brasil desaprendeu a sambar. Agora, todos os jogadores descem do ônibus de cara fechada, com seus fones de ouvido e seus iPods, cada um ouvindo o que quer, sem a menor interação. E, quando o jogo acaba, meia dúzia de aplausos, troca de camisas e todos partem de volta ao vestiário. A sensação que fica é de que eles estão apenas cumprindo com suas obrigações. Não parecem estar animados por disputar uma Copa do Mundo, não se mostram orgulhosos de defender seu país, não demonstram empolgação em estarem realizando um sonho. Acho que os jogadores de hoje não devem mais sonhar em ganhar uma Copa, como sonhavam os jogadores de não tão antigamente assim.
Dunga exigiu de seus comandados apenas comprometimento. Não exigiu que jogassem futebol. O comprometimento tão valorizado por Dunga levou à África do Sul jogadores como:
Kleberson - reserva no fraco time do Flamengo, mas, que, como quebrou o braço jogando pela Seleção (em uma fase em que estava apresentando um bom futebol no time carioca, mas não o suficiente para ajudar na conquista de uma Copa do Mundo), acabou sendo convocado para aliviar a culpa de Dunga. Na cabeça do treinador brasileiro, a culpa de Klberson estar na reserva do Flamengo, apresentando, novamente, o futebol medíocre que lhe é característico, era da recuperação da fratura ocasionada em amistoso da seleção.
Doni - 3o goleiro da Roma, Doni não senta nem no banco do time italiano. Na última temporada, Doni participou de apenas 9 jogos pelo time. Assim como com Kleberson, Dunga acredita que a reserva de Doni se deve ao fato de o goleiro ter enfrentado a direção da Roma e, contrariando orientações do clube, ter se apresentado à seleção para a disputa de alguns amistosos. Na volta à Itália, Doni foi punido com a reserva. E de lá nunca mais saiu. Júlio Sérgio, o brasileiro que o substituiu, tornou-se o novo intocável do time italiano, fazendo defesas espetaculares. Ou seja, na Roma, Doni é (2o) reserva de outro brasileiro! E Dunga nunca nem cogitou convocar Júlio Sérgio.
Michel Bastos - meia-direita do Lyon, foi convocado para a lateral esquerda titular da seleção. Alguém pode me explicar?
Gilberto - convocado para ser o substituto de Michel Bastos, Gilberto, com 34 anos, joga como meio de campo no Cruzeiro, tendo feito uma temporada bem ruizinha pelo time mineiro. Mesmo quando jogava na lateral, posição da qual se aposentou 4 anos atrás, por causa da idade avançada, nunca foi grande coisa.
Gilberto Silva - depois de se tornar reserva no Arsenal, foi contratado pelo Panathinaikos. Agora é reserva no time grego. Titular do meio de campo da seleção e, quando da ausência de Lúcio, capitão do time.
Felipe Melo - era um jogador ruim no Flamengo, foi um jogador ruim no Cruzeiro, passou por times pequenos da Europa, como Mallorca, Racing Santander e Almería, até ser contratado pela Fiorentina. Fez uma boa temporada pelo campeonato italiano, e Dunga decidiu convocá-lo. Jogou todos os jogos da Copa das Confederações e alguém inventou que era bom jogador. Ele, Dunga e os dirigentes da Juventus acreditaram. Foi contratado a peso de ouro pelo clube de Turim. Na última temporada, foi eleito o pior jogador do campeonato italiano, tendo recebido 11 cartões amarelos e 2 vermelhos.
Elano - Joga no Galatasaray, 3o colocado no último campeonato turco (que só tem 3 times de peso). Volante de marcação, joga no time de Dunga como meia armador.
Julio Baptista - depois de ser reserva do Real Madri e do Arsenal, agora é reserva na Roma, onde atua como atacante. Foi convocado para ser reserva de Kaká, meia armador e único homem responsável pela criatividade no time do Brasil. Enquanto isso, Ronaldinho Gaúcho, titular do Milan, está curtindo férias.
Uma equipe com 7 volantes (caso também consideremos o Julio Baptista meio-campo marcador, posição em que ele atua melhor, já que não tem nenhuma criatividade para armar jogadas e pouco talento para finalizações) e 1 meia armador. Ah... e nenhum lateral esquerdo.
Fora isso, Dunga ainda contrariou sua própria convocação.
No jogo contra a Coréia do Norte, Dunga colocou Daniel Alves no lugar de Elano. Daniel é, originalmente, lateral direito, mas é considerado o "coringa" da Seleção, podendo jogar tb no meio de campo ou na lateral esquerda. O reserva de Elano, Ramires, entrou no jogo no lugar de Felipe Melo.
Contra o Chile, Dunga colocou Nilmar, atacante que se movimenta bastante e arma as jogadas, assim como Robinho, no lugar de Luís Fabiano, centroavante. Kaká, por sua vez, foi substituído por Kleberson, reserva de Elano, e Robinho deu lugar a Gilberto, que atua como meio-campo, mas foi convocado para ser o lateral esquerdo reserva da Seleção.
Na última partida, contra a Holanda, nova substituição esquisita de Dunga, que, precisando empatar o jogo, tirou o único centroavante em campo, Luís Fabiano, pra colocar Nilmar.
A razão usada por Dunga para explicar a não convocação de Ronaldinho Gaúcho, Marcelo, lateral esquerdo do Real Madri, e Pato, atacante que fez excelente início de temporada no Milan, até passar a sofrer com seguidas contusões, foi o tal comprometimento. Ronaldinho pediu dispensa da seleção em 2007, preferindo tirar suas primeiras férias em 4 anos (Ronaldinho disputara a Copa América 2004, a Copa das Confederações 2005 e a Copa do Mundo 2006, no período em que, normalmente, os jogadores que atuam na Europa estão de férias), e isso incomodou o técnico Dunga. Ronaldinho ainda foi convocado para a disputa das Olimpíadas de Pequim em 2008, em que o Brasil fez uma péssima campanha (terminou com a medalha de bronze após tomar um baile da Argentina na semifinal), e alguns jogos das eliminatórias, mas desde abril de 2009 o gaúcho nunca mais foi chamado. Marcelo e Pato tb fizeram parte do time medalha de bronze em Pequim e, de uns tempos pra cá, sumiram das listas da Seleção, nem nenhum motivo aparente. Quando fez a convocação final para o time que disputaria a Copa, Dunga disse que esses jogadores tiveram muitas oportunidades, mas não as aproveitaram.
Eu gostaria de saber, então, quais foram as oportunidades aproveitadas por Grafite, Michel Bastos e Kleberson. Grafite jogou 20 minutos no último amistoso da Seleção antes da lista final dos convocados. Michel Bastos fizera 3 jogos pela Seleção antes de ser oficializado como lateral esquerdo titular para a Copa. Já Kleberson, depois da boa fase vivida em 2002, voltou a jogar pela Seleção sob o comando de Dunga em junho de 2006, quando esteve presente em 3 partidas. Em agosto, no seu 4o jogo, quebrou o braço e só voltou agora, na Copa. Adoraria saber o que esses 3 jogadores fizeram em campo nessas poucas oportunidades que tanto encantou o técnico da Seleção. Ah... tinha esquecido... o Dunga não convocou a equipe que disputou a Copa baseado no futebol apresentado pelo jogadores, mas no comprometimento deles com a Seleção. Então qual foi o comprometimento que eles tiveram, tendo sido convocados tão poucas vezes?
É, Dunga... acho que a receita pra ganhar uma Copa do Mundo não é o tal comprometimento do qual vc tanto falou. Será que jogar futebol adianta?
Não faço parte do grupo que fez campanha para a convocação dos jovens Ganso e Neymar. Acho que não se pode basear uma convocação para Copa do Mundo em jogos de campeonato regional. Esse garotos realmente vêm jogando um bolão, mas, sinceramente, contra o Sertãozinho, até eu. Ok ok... Eles tb jogaram muito na Copa do Brasil, só que os únicos times decentes que o Santos enfrentou nessa competição foram o Atlético Mineiro e o Grêmio, não vencendo nenhum dos dois tão facilmente como vinha fazendo contra os Remos e Naviraienses da vida, apesar das boas atuações. Acho que Ganso e Neymar certamente têm lugar na seleção brasileira, mas mereciam, ao menos, ser testados antes de disputar uma Copa. No entanto, eu era totalmente a favor das convocações de Ronaldinho e Alexandre Pato.
Só que o Dunga preferiu um time recheado de volantes a uma equipe criativa. Tudo bem, não tem problema. Se o que ele queria na Copa era uma seleção especializada em marcação e desarme, poderia ter levado Lucas, do Liverpool (que teve bastante atuações na seleção de Dunga e tb fez parte do grupo medalha de bronze em Pequim, mas deixou de ser convocado há um tempo); Denílson, do Arsenal, jovem promessa que vem tendo excelentes auações pelo time inglês; Alex, ex-Internacional e agora no Spartak Moscou, que até chegou a ser chamado por Dunga algumas vezes, mas, ao que tudo indica, o técnico não gostou do que viu; ou Hernanes, do São Paulo, que não voltou a mostrar o bom futebol que ajudou o São Paulo a ser campeão brasileiro em 2008, mas certamente é muito melhor que Josué, Gilberto Silva, Felipe Melo ou Kleberson. E, na armação, Diego, ex-Werder Bremen e atual Juventus, apesar da má fase no clube italiano, certamente é bem melhor que Júlio Baptista. Pelo menos é titular no seu time. Até o próprio Michel Bastos fez um ótima temporada no Lyon como meia armador (não lateral esquerdo!!!).
Dunga achou que Copa do Mundo era como Copa das Confederações ou Copa América. E, até certo ponto, a nossa Copa foi. O Brasil conquistou a Copa América em 2007 jogando mal e feio. Perdeu o primeiro jogo para o México e ganhou do Chile no segundo. Depois, passou pelo fraquíssimo Equador com sufoco. Nas quartas, uma goleada em cima do freguês Chile, com bela atuação de Robinho. Nas semis, um empate suado com o Uruguai e a vaga na final nos pênaltis. O título veio sobre uma Argentina medrosa, que perdera os últimos 2 títulos que disputara contra o Brasil e entrou em campo extremamente nervosa.
Já na Copa das Confederações, ano passado, em momento algum o Brasil teve de enfrentar um adversário de peso. A campeã mundial Itália já estava em franca decadência, e os EUA, de quem o Brasil sofreu para vencer na final de virada, nos fez o favor de eliminar a Espanha.
Na Copa do Mundo, o Brasil perdeu para o primeiro adversário decente que enfrentou. Um time que sofre para vencer a Coréia do Norte e ainda toma um gol da pior seleção do Mundial não merece ser campeão do mundo.
Dunga também adora mencionar essa tal dicotomia "jogar feio e ganhar x jogar bonito e perder". Adoraria saber de onde ele tirou a idéia de que o que se faz ganhar ou perder uma partida de futebol é jogar um futebol feio ou bonito. O que se faz ganhar um jogo de futebol é jogar bem, não necessariamente bonito. O mesmo vale para perder e jogar feio.
No entanto, uma das coisas que torna o futebol um esporte tão fantástico é exatamente o fato de ele ser provavelmente a única modalidade esportiva em que se pode jogar bem o tempo inteiro, mas perder o jogo em uma falha boba, ou, no caso contrário, jogar muito mal, mas acabar vencendo. Esse foi o caso, por exemplo, da primeira partida da Espanha nesta Copa. A Espanha não jogou bonito, mas jogou muito bem. E perdeu. Passou o jogo inteiro buscando o gol e teve várias oportunidades de marcar, mas acabou não fazendo. A Suíça, timinho que joga feio e mal, teve apenas uma oportunidade, e marcou. Suíça 1 x 0 Espanha.
Dunga acha que jogar bem é sinônimo de jogar bonito. Não é. Jogar bem é o que a Holanda vem fazendo na Copa. Não encantou em nenhum jogo, mas vem jogando bem. E não perdeu uma partida sequer. Já a Alemanha, vem jogando bem e bonito. Mas uma coisa não necessariamente remete à outra.
E também não é sempre que se joga bem e ganha. O Brasil de 82 jogava bem, bonito e perdeu a Copa. O Brasil de 94 jogava bem, feio, e ganhou.
Dunga queria ganhar a Copa jogando feio, como fez em 94, mas esqueceu de jogar bem. A seleção de 2010 não encantou em momento algum, nem engrenou. Foi melhorando aos pouquinhos, muito aos pouquinhos para uma competição que tem apenas 7 jogos. Demorou 4 jogos pra finalmente começar uma partida jogando bem, como fez contra a Holanda. E demorou apenas 15 minutos pra desaprender tudo de novo. A seleção de 2006 pelo menos jogou bem em uma partida (contra o Japão, com o time reserva, mas jogou bem).
Outra analogia adorada por Dunga e pela imprensa esportiva brasileira é entre as seleções de 94 e de 2010. Dunga queria ser campeão em 2010 como foi em 94, jogando feio. Vamos, então, ajudar o (ex) técnico brasileiro e comparar as duas equipes.
Em 2010 tivemos um excelente goleiro (o melhor do mundo, apesar da falha contra a Holanda) e a melhor dupla de zaga do mundo. Em 94, o goleiro também era muito bom e a dupla de zaga, apesar de reserva (Ricardo Gomes se machucou antes da competição, e Ricardo Rocha durante), fez uma Copa impecável. Aldair estava no auge de sua carreira e Márcio Santos nunca mais jogou o futebol apresentado naquela Copa.
Na direita, Jorginho, assim como Maicon, era um dos melhores na sua posição, e foi, assim como Maicon, um dos responsáveis pelas melhores jogadas do Brasil. Já na esquerda, em 94 Leonardo fez uma excelente Copa até ser expulso no jogo contra os EUA. Branco, titular original da posição, fez um golaço contra a Holanda, mas passou em branco (sem trocadilhos) o resto da Copa. Já Michel Bastos.... cadê Michel Bastos? Alguém já encontrou?
No meio de campo, realmente não tínhamos criatividade. Mauro Silva e Dunga eram bons no desarme, e Zinho e Mazinho (que substituiu Raí, escalado fora de sua posição) tentavam, mas pouco criavam. No entanto, qualquer um dos quatro substituiria muito bem Felipe Melo, mesmo 16 anos depois. Sem contar que não faltava a nenhum deles vontade de mostrar serviço, garra e determinação, o que não se pode dizer dos volantes atuais.
Único homem de criação do meio de campo atual da seleção brasileira, Kaká começou a Copa muito mal, mas foi se encontrando aos poucos. Não foi nem sombra do craque eleito melhor do mundo em 2007, porém foi um dos poucos que tentou alguma coisa do meio pra frente. Só que não adianta tentar sozinho.
E não podemos nem começar a comparar Bebeto e Romário com Robinho e Luís Fabiano. Bebeto fez na Copa algumas das melhores partidas de sua vida. O entrosamento com Romário era algo de outro mundo. Fico com lágrimas nos olhos quando lembro do gol feito contra os EUA, em pleno 4 de julho, em que, após marcar, Bebeto dá a volta por trás do gol e abraça Romário com as palavras "eu te amo" saindo de sua boca. E Romário foi um dos melhores centroavantes da História do Futebol, o "gênio da grande área", segundo Cruyff, outro gênio e seu treinador na época, no Barcelona. Já Robinho.... Se jogasse metade do futebol que ele acha que joga, entraria para a História apenas como um bom jogador. Talento ele tem, mas tem muito mais marra que qualquer outra coisa. Alguém que chega numa Copa do Mundo dizendo que quer ser o craque da Copa não tem a menor chance de concretizar seu desejo (seria a maldição do comercial da Nike?). E Luís Fabiano é um ótimo atacante, mas é injusto tentar compará-lo a Romário, ou Ronaldo, ou até mesmo Careca. O Fabuloso é apenas nossa melhor opção de ataque na fraca safra pela qual estamos passando.
Tá bom pra vc, Dunga?
Já que estamos fazendo comparações, há duas outras coisas que tinha de sobra nas seleções passadas e das quais eu sinto muita falta nos últimos tempos. Para mencionar apenas as equipes vencedoras, tanto em 94 quanto em 2002, o Brasil chegava nos estádios tocando seu sambinha tradicional no ônibus, com direito a cavaquinho, pandeiro e outros instrumentos, que não podiam faltar na bagagem do time. A descontração,a felicidade e a alegria eram visíveis. E, no final das partidas, havia sempre algum jogador a passear pelo campo carregando a bandeira brasileira, orgulhoso. Em 94, quando o jogo terminava, eu já ficava procurando Romário, na tv, enrolado na bandeira do Brasil.
Nas duas últimas Copas, o Brasil desaprendeu a sambar. Agora, todos os jogadores descem do ônibus de cara fechada, com seus fones de ouvido e seus iPods, cada um ouvindo o que quer, sem a menor interação. E, quando o jogo acaba, meia dúzia de aplausos, troca de camisas e todos partem de volta ao vestiário. A sensação que fica é de que eles estão apenas cumprindo com suas obrigações. Não parecem estar animados por disputar uma Copa do Mundo, não se mostram orgulhosos de defender seu país, não demonstram empolgação em estarem realizando um sonho. Acho que os jogadores de hoje não devem mais sonhar em ganhar uma Copa, como sonhavam os jogadores de não tão antigamente assim.
Holanda 2 x 1 Brasil
Estamos mal acostumados. Principalmente a minha geração.
A primeira Copa de que me lembro perfeitamente foi a de 1990. O Brasil tinha um time fraco e, em sua melhor exibição, perdeu para a Argentina de Maradona e Canniggia nas oitavas de final, por 1 a 0. Antes disso, quartas de final em 86, 2a fase em 82 (o sistema de disputa era diferente), semifinais em 78 e 74. E depois de 90, só alegrias. Título em 94, vice em 98 e outro título em 2002.
Quando eu era criança, achava que nunca veria o Brasil ser campeão. Fazia 24 anos que o Brasil não ganhava um título mundial e havia tantas seleções com as quais competir: Alemanha, Argentina, Itália... Seria apenas normal se o próximo título demorasse mais uns 24 anos pra sair, ou mais... Mas veio a Copa de 94, recheada de seleções fracas e disputada sob um calor que só os brasileiros pareciam suportar. Quatro anos depois, aí sim tínhamos uma seleção competitiva, além do melhor jogador do mundo, em seu melhor momento. Mais uma vez os adversários não estavam bem, mas a apatia que tomou conta da seleção brasileira no dia da final, por motivos até agora ainda não satisfatoriamente explicados, nos custou o penta. Em 2002 eu já comecei a assistir a Copa confiante de que seríamos campeões. Os adversários estavam melhores do que antes, mas foram ficando pelo caminho. Me lembro de, a cada dia, colocar na porta da geladeira um cartaz diferente, à medida que nossos rivais iam ficando pelo caminho: "Adieu, Les Bleus", "Adiós, Hermanos", "Ciao, Azzurra"... Quando passamos pela Inglaterra, não tinha como o título não ser nosso. E assim ficamos mal acostumados.
Não se pode ganhar tudo sempre. E uma Copa do Mundo tem, pelo menos, umas 6 seleções que realmente disputam o título. O Brasil é só uma delas. Pra mim, temos que ir sempre até, no mínimo, as quartas de final. Parar nas oitavas (ou na 1a fase) é muito vergonhoso (às vezes, a maneira como somos eliminados, mesmo nas quartas, tb é vergonhosa, mas isso são outros quinhentos).
Faz 2 Copas que paramos nas quartas... Em 2006 o melhor time do mundo, com os melhores jogadores do mundo, tinha uma comissão técnica frouxa e nenhum conjunto. A única partida em que jogou bem, contra o Japão, teve os jogadores reservas como destaque. Era uma tragédia pronta para acontecer, mas sempre adiada por lampejos individuais de Zé Roberto ou pela fraqueza dos adversários. Contra nosso primeiro concorrente de peso - que tinha um time bem ruizinho, mas um craque sem igual, Zidane - o Brasil cedeu.
A mesma coisa acaba de acontecer em 2010. Coréia do Norte, Costa do Marfim, um Portugal totalmente desmotivado, Chile... Até enfrentarmos a Holanda e a Copa finalmente começar. Ou, no nosso caso, terminar. Os chavões de que "o Brasil joga bem contra seleções mais fortes" e de que "a Seleção costuma crescer ao longo da competição" até pareciam estar se concretizando no primeiro tempo, mais foram por água baixo na segunda etapa. O Brasil jogou duas partidas completamente diferentes em apenas 90 minutos. E, em campo, foi o reflexo de seu destemperado, nervoso e limitado técnico.
Como treinador, Dunga mostrou ser exatamente o que foi como jogador: limitado, grosso, retranqueiro e sem a menor criatividade. Contratado para ser um líder perante seus jogadores, acrescentando à Seleção a determinação que faltara em 2006, Dunga se mostrou um péssimo motivador. Maicon, Lúcio e Gilberto Silva, dentro de campo, pareciam ter maior influência sobre seus companheiros que o técnico, no banco de reservas. Além disso, na partida contra a Holanda, ficou bastante visível como o nervosismo do treinador era passado aos jogadores. A partida foi extremamente truncada, e o Brasil só não cometeu mais faltas que no jogo contra a Costa do Marfim.
Alertado contra as jogadas de Robben pela direita, Michel Bastos, tentando desesperadamente pará-lo, foi responsável por 4 das 20 faltas cometidas pelo Brasil, todas duríssimas, tendo sido advertido pelo árbitro duas vezes antes de ser punido com o cartão amarelo. Pela primeira vez em toda a competição, Dunga fez uma troca correta e substituiu o lateral esquerdo por Gilberto, antes que Michel fosse expulso. Sob o comando de Dunga, até o centrado Kaká perdeu as estribeiras e recebeu um recorde de 3 cartões amarelos.
O Brasil entrou em campo no primeiro tempo confundindo motivação com nervosismo. Após um início de jogo com posse de bola holandesa, a seleção canarinho se encontrou e passou a marcar a saída de bola do adversário. Felipe Melo, surpreendemente, achou Robinho livre no meio da fraca defesa holandesa. O atacante recebeu o lançamento e chutou de primeira para fazer o gol brasileiro. Depois, só deu Brasil. Kaká deu um belo chute para defesa incrível de Stekelenburg e, no último minuto, Maicon também deu trabalho para o goleiro numa bomba de fora da área, mas o juiz não deu o escanteio e ainda aproveitou para pôr fim na primeira etapa.
A Seleção estava começando a fazer seu primeiro bom jogo na Copa e eu começava a acreditar na classificação e numa possível ida à final. Qual foi a minha surpresa quando, no 2o tempo, apenas a Holanda voltou a campo.
No intervalo das quartas de final, entretanto, sobrou no vestiário holandês o que faltou no brasileiro: um técnico capaz de manter sua equipe tranquila e preparada para vencer a partida. Enquanto a Holanda voltou a campo determinada a inverter o placar, o Brasil retornou apático e sumiu ao levar o gol de empate aos 8 minutos. Eu já havia comentado sobre a Holanda bater rapidamente as faltas sofridas, tentando pegar o adversário de surpresa (em uma jogada desse tipo, Robben tentou enganar o Brasil fingindo não ter batido um escanteio, mas o Brasil não é pentacampeão por acaso e, obviamente, não caiu no truque). Não deu outra. Sneijder cobrou uma falta rapidamente, tocando para Robben, que devolveu para Sneijder cruzar uma bola que acabou indo direto pro gol (na verdade, com um leve desvio na cabeça de Felipe Melo).O time que tinha sobrado no primeiro tempo simplesmente desapareceu no segundo. Não teve calma para fazer o segundo gol e só conseguia parar o ataque holandês com falta.
Em outra jogada de bola parada, um escanteio aos 23 minutos, o Brasil sofreu o gol da virada. Era o momento de alguém fazer como Didi em 58 que, após sofrer um gol na final contra os donos da casa, pegou a bola no fundo da rede e a levou ao centro do gramado calmamente para dar a saída, tranquilizando seus companheiros. Mas é muito da minha parte querer que algum jogador da seleção atual fizesse como Didi, que a maioria nem deve saber quem é.
Após o segundo gol da Holanda, o Brasil perdeu a cabeça de vez. Felipe Melo, em particular. O meio-campo, que havia queimado minha língua, se redimiu do lançamento para o gol e voltou a ser o que sempre foi e o que todos, menos Dunga, esperavam dele na Copa: um botinudo que a qualquer momento seria expulso num lance infantil.
Já falei que, morrendo de medo de Robben, Michel Bastos passou o jogo tentando parar o holandês nas faltas. Quando não conseguia, era Felipe Melo que ficava na cobertura. Numa dessas disputas, o volante brasileiro derrubou o atacante holandês em falta merecedora de cartão amarelo. No entanto, não satisfeito, Felipe Melo cravou as travas de sua chuteira na coxa do holandês, que estava no chão. O juiz não teve dúvidas e sacou o cartão vermelho direto. Eu e toda a população brasileira levantamos o cartaz de "eu já sabia". O único surpreso foi Dunga.
Abro um parêntesis para falar sobre o mais contestado titular da seleção.
Não conheço uma única pessoa que aprovasse a escalação de Felipe Melo no meio de campo brasileiro. Reencarnação de Dunga, o volante é extremamente limitado e, assim como o técnico que o adora, confunde garra com violência, vontade com grosseria, desarme com falta. Extremamente destemperado, nunca mostrou em campo a técnica ou a maturidade para vestir a amarelinha. Mas Dunga o tomou como protegido e defendeu o volante de todas as críticas merecidamente recebidas. Após os dois últimos amistosos da seleção, já na África, a imprensa esportiva brasileira insistiu no fato de que Felipe Melo corria sérios riscos de prejudicar o Brasil em um jogo decisivo, cometendo alguma falta grosseira, ou uma agressão gratuita, e sendo expulso em um momento crucial. Mas Dunga estava "de mal" com a imprensa e, cabeça-dura, teimou com o volante.
190 milhões de brasileiros levantaram as mãos aos céus para agradecer quando saiu a notícia de que Felipe Melo estava machucado. No lugar dele no jogo contra o Chile, Ramires teve ótima atuação. Porém, imaturo e inexperiente, tomou o segundo cartão amarelo, em sua segunda falta desnecessária na competição. Não fosse suspenso para a partida seguinte, certamente teria conquistado a vaga de titular. Mas Felipe Melo se recuperou da lesão e não tivemos chance de conferir se Josué ou Kleberson se sairiam bem como Ramires.
Felipe Melo ainda teve a cara de pau de, na zona mista, dizer à imprensa que o juiz exagerou no cartão, pois havia feito apenas "uma falta normal de jogo". A falta em si não foi das piores, mas Felipe esqueceu que há 32 câmeras espalhadas pelo campo e ao menos uma delas gravaria a imagem do pisão dele em Robben.
Não vou nem entrar em detalhes sobre Felipe Melo ter marcado o primeiro gol contra da seleção brasileira em Copas do Mundo, pois acho que o goleiro Júlio César deveria ter saído do gol gritando que a bola era dele, socando a cabeça de Felipe junto com a bola (mas Júlio tem créditos de sobras e a falha é totalmente perdoável, até porque, com o gol, o jogo voltava a estar empatado). Também prefiro nem comentar sobre a falha de marcação do volante que, no escanteio que originou o gol da virada, deixou o baixinho Sneijder livre para cabecear pro gol. Afinal de contas, é histórica a dificuldade do Brasil com jogadas de bola aérea (2 gols de cabeça de Zidane em escanteios na final de 98; eliminação também diante da França na Copa passada, em falta batida (olha ele aí de novo) por Zidane, para finalização de Henry, após falha coletiva da defesa brasileira), e a cabeçada para trás de Kuyt, antes de a bola chegar a Sneijder, dificultou ainda mais a jogada para a zaga brasileira.
Voltando ao jogo... após sofrer 2 gols em jogadas de bola parada, o Brasil tinha tempo de sobra pra igualar ou reverter o placar, mas lhe faltava tranquilidade, principalmente após ficar com um jogador a menos. Robinho e Kaká ainda tentavam jogadas individuais, mas a Holanda se fechou e ainda partiu pra cima da Seleção. A impressão que ficou foi a de que não sofremos uma goleada comente porque a Holanda teve pena do Brasil. Em algumas oportunidades, Robben e Sneijder pararam na entrada da grande área e pareceram não saber o que fazer com a bola, dando tempo de a defesa brasileira se recompor. Luís Fabiano mostrou ser apenas um bom e eficiente centroavante, e não um craque, do tipo que decide nos momentos mais cruciais, pois desareceu quando mais se precisava dele. Tentando dar eficiência ao ataque para empatar o jogo, Dunga substituiu o camisa 9 por Nilmar faltando 13 minutos para o fim do jogo, porém deveria ter tirado um jogador de marcação para a entrada do 3o atacante, tornando a Seleção mais ofensiva.
No melhor lance do Brasil no 2o tempo, o craque apareceu. Mas, como não estava em sua melhor forma, errou. Kaká arrancou e partiu pra cima da defesa holandesa, mas cortou pro lado errado, e acabou tendo seu chute interceptado. Já Robben e Sneijder não brilharam, mas foram decisivos.
Mais uma vez, a Holanda não jogou bonito, mas jogou bem. E venceu. Mais uma vez, o Brasil jogou mal. Mas dessa vez perdeu.
Mesmo que o Brasil vencesse a Holanda e passasse pelo Uruguai, acho pouquíssmo provável que a Seleção conseguisse uma vitória sobre a Espanha ou a Alemanha na final.
E há males que vêm pra bem. Já imaginou se o Brasil conquistasse a Copa no fim das contas? Teríamos q aturar o Dunga se achando, mais do que já se acha, por ter vencido uma Copa jogando mal e feio, com um time sem nenhuma criatividade. E ainda correríamos o risco de um legado duradouro desse futebolzinho de quinta categoria (ou seria "de resultado", Dunga?) no Brasil.
Ah... e que fique claro que não foi a nulidade brasileira no 2o tempo o único resposável pela eliminação do Brasil da Copa. A Holanda, novamente, não encantou, mas jogou muito bem. Principalmente após se recuperar do golpe de sofrer um gol no início do jogo e depois da bronca motivacional que deve ter recebido do técnico no intervalo.
A primeira Copa de que me lembro perfeitamente foi a de 1990. O Brasil tinha um time fraco e, em sua melhor exibição, perdeu para a Argentina de Maradona e Canniggia nas oitavas de final, por 1 a 0. Antes disso, quartas de final em 86, 2a fase em 82 (o sistema de disputa era diferente), semifinais em 78 e 74. E depois de 90, só alegrias. Título em 94, vice em 98 e outro título em 2002.
Quando eu era criança, achava que nunca veria o Brasil ser campeão. Fazia 24 anos que o Brasil não ganhava um título mundial e havia tantas seleções com as quais competir: Alemanha, Argentina, Itália... Seria apenas normal se o próximo título demorasse mais uns 24 anos pra sair, ou mais... Mas veio a Copa de 94, recheada de seleções fracas e disputada sob um calor que só os brasileiros pareciam suportar. Quatro anos depois, aí sim tínhamos uma seleção competitiva, além do melhor jogador do mundo, em seu melhor momento. Mais uma vez os adversários não estavam bem, mas a apatia que tomou conta da seleção brasileira no dia da final, por motivos até agora ainda não satisfatoriamente explicados, nos custou o penta. Em 2002 eu já comecei a assistir a Copa confiante de que seríamos campeões. Os adversários estavam melhores do que antes, mas foram ficando pelo caminho. Me lembro de, a cada dia, colocar na porta da geladeira um cartaz diferente, à medida que nossos rivais iam ficando pelo caminho: "Adieu, Les Bleus", "Adiós, Hermanos", "Ciao, Azzurra"... Quando passamos pela Inglaterra, não tinha como o título não ser nosso. E assim ficamos mal acostumados.
Não se pode ganhar tudo sempre. E uma Copa do Mundo tem, pelo menos, umas 6 seleções que realmente disputam o título. O Brasil é só uma delas. Pra mim, temos que ir sempre até, no mínimo, as quartas de final. Parar nas oitavas (ou na 1a fase) é muito vergonhoso (às vezes, a maneira como somos eliminados, mesmo nas quartas, tb é vergonhosa, mas isso são outros quinhentos).
Faz 2 Copas que paramos nas quartas... Em 2006 o melhor time do mundo, com os melhores jogadores do mundo, tinha uma comissão técnica frouxa e nenhum conjunto. A única partida em que jogou bem, contra o Japão, teve os jogadores reservas como destaque. Era uma tragédia pronta para acontecer, mas sempre adiada por lampejos individuais de Zé Roberto ou pela fraqueza dos adversários. Contra nosso primeiro concorrente de peso - que tinha um time bem ruizinho, mas um craque sem igual, Zidane - o Brasil cedeu.
A mesma coisa acaba de acontecer em 2010. Coréia do Norte, Costa do Marfim, um Portugal totalmente desmotivado, Chile... Até enfrentarmos a Holanda e a Copa finalmente começar. Ou, no nosso caso, terminar. Os chavões de que "o Brasil joga bem contra seleções mais fortes" e de que "a Seleção costuma crescer ao longo da competição" até pareciam estar se concretizando no primeiro tempo, mais foram por água baixo na segunda etapa. O Brasil jogou duas partidas completamente diferentes em apenas 90 minutos. E, em campo, foi o reflexo de seu destemperado, nervoso e limitado técnico.
Como treinador, Dunga mostrou ser exatamente o que foi como jogador: limitado, grosso, retranqueiro e sem a menor criatividade. Contratado para ser um líder perante seus jogadores, acrescentando à Seleção a determinação que faltara em 2006, Dunga se mostrou um péssimo motivador. Maicon, Lúcio e Gilberto Silva, dentro de campo, pareciam ter maior influência sobre seus companheiros que o técnico, no banco de reservas. Além disso, na partida contra a Holanda, ficou bastante visível como o nervosismo do treinador era passado aos jogadores. A partida foi extremamente truncada, e o Brasil só não cometeu mais faltas que no jogo contra a Costa do Marfim.
Alertado contra as jogadas de Robben pela direita, Michel Bastos, tentando desesperadamente pará-lo, foi responsável por 4 das 20 faltas cometidas pelo Brasil, todas duríssimas, tendo sido advertido pelo árbitro duas vezes antes de ser punido com o cartão amarelo. Pela primeira vez em toda a competição, Dunga fez uma troca correta e substituiu o lateral esquerdo por Gilberto, antes que Michel fosse expulso. Sob o comando de Dunga, até o centrado Kaká perdeu as estribeiras e recebeu um recorde de 3 cartões amarelos.
O Brasil entrou em campo no primeiro tempo confundindo motivação com nervosismo. Após um início de jogo com posse de bola holandesa, a seleção canarinho se encontrou e passou a marcar a saída de bola do adversário. Felipe Melo, surpreendemente, achou Robinho livre no meio da fraca defesa holandesa. O atacante recebeu o lançamento e chutou de primeira para fazer o gol brasileiro. Depois, só deu Brasil. Kaká deu um belo chute para defesa incrível de Stekelenburg e, no último minuto, Maicon também deu trabalho para o goleiro numa bomba de fora da área, mas o juiz não deu o escanteio e ainda aproveitou para pôr fim na primeira etapa.
A Seleção estava começando a fazer seu primeiro bom jogo na Copa e eu começava a acreditar na classificação e numa possível ida à final. Qual foi a minha surpresa quando, no 2o tempo, apenas a Holanda voltou a campo.
No intervalo das quartas de final, entretanto, sobrou no vestiário holandês o que faltou no brasileiro: um técnico capaz de manter sua equipe tranquila e preparada para vencer a partida. Enquanto a Holanda voltou a campo determinada a inverter o placar, o Brasil retornou apático e sumiu ao levar o gol de empate aos 8 minutos. Eu já havia comentado sobre a Holanda bater rapidamente as faltas sofridas, tentando pegar o adversário de surpresa (em uma jogada desse tipo, Robben tentou enganar o Brasil fingindo não ter batido um escanteio, mas o Brasil não é pentacampeão por acaso e, obviamente, não caiu no truque). Não deu outra. Sneijder cobrou uma falta rapidamente, tocando para Robben, que devolveu para Sneijder cruzar uma bola que acabou indo direto pro gol (na verdade, com um leve desvio na cabeça de Felipe Melo).O time que tinha sobrado no primeiro tempo simplesmente desapareceu no segundo. Não teve calma para fazer o segundo gol e só conseguia parar o ataque holandês com falta.
Em outra jogada de bola parada, um escanteio aos 23 minutos, o Brasil sofreu o gol da virada. Era o momento de alguém fazer como Didi em 58 que, após sofrer um gol na final contra os donos da casa, pegou a bola no fundo da rede e a levou ao centro do gramado calmamente para dar a saída, tranquilizando seus companheiros. Mas é muito da minha parte querer que algum jogador da seleção atual fizesse como Didi, que a maioria nem deve saber quem é.
Após o segundo gol da Holanda, o Brasil perdeu a cabeça de vez. Felipe Melo, em particular. O meio-campo, que havia queimado minha língua, se redimiu do lançamento para o gol e voltou a ser o que sempre foi e o que todos, menos Dunga, esperavam dele na Copa: um botinudo que a qualquer momento seria expulso num lance infantil.
Já falei que, morrendo de medo de Robben, Michel Bastos passou o jogo tentando parar o holandês nas faltas. Quando não conseguia, era Felipe Melo que ficava na cobertura. Numa dessas disputas, o volante brasileiro derrubou o atacante holandês em falta merecedora de cartão amarelo. No entanto, não satisfeito, Felipe Melo cravou as travas de sua chuteira na coxa do holandês, que estava no chão. O juiz não teve dúvidas e sacou o cartão vermelho direto. Eu e toda a população brasileira levantamos o cartaz de "eu já sabia". O único surpreso foi Dunga.
Abro um parêntesis para falar sobre o mais contestado titular da seleção.
Não conheço uma única pessoa que aprovasse a escalação de Felipe Melo no meio de campo brasileiro. Reencarnação de Dunga, o volante é extremamente limitado e, assim como o técnico que o adora, confunde garra com violência, vontade com grosseria, desarme com falta. Extremamente destemperado, nunca mostrou em campo a técnica ou a maturidade para vestir a amarelinha. Mas Dunga o tomou como protegido e defendeu o volante de todas as críticas merecidamente recebidas. Após os dois últimos amistosos da seleção, já na África, a imprensa esportiva brasileira insistiu no fato de que Felipe Melo corria sérios riscos de prejudicar o Brasil em um jogo decisivo, cometendo alguma falta grosseira, ou uma agressão gratuita, e sendo expulso em um momento crucial. Mas Dunga estava "de mal" com a imprensa e, cabeça-dura, teimou com o volante.
190 milhões de brasileiros levantaram as mãos aos céus para agradecer quando saiu a notícia de que Felipe Melo estava machucado. No lugar dele no jogo contra o Chile, Ramires teve ótima atuação. Porém, imaturo e inexperiente, tomou o segundo cartão amarelo, em sua segunda falta desnecessária na competição. Não fosse suspenso para a partida seguinte, certamente teria conquistado a vaga de titular. Mas Felipe Melo se recuperou da lesão e não tivemos chance de conferir se Josué ou Kleberson se sairiam bem como Ramires.
Felipe Melo ainda teve a cara de pau de, na zona mista, dizer à imprensa que o juiz exagerou no cartão, pois havia feito apenas "uma falta normal de jogo". A falta em si não foi das piores, mas Felipe esqueceu que há 32 câmeras espalhadas pelo campo e ao menos uma delas gravaria a imagem do pisão dele em Robben.
Não vou nem entrar em detalhes sobre Felipe Melo ter marcado o primeiro gol contra da seleção brasileira em Copas do Mundo, pois acho que o goleiro Júlio César deveria ter saído do gol gritando que a bola era dele, socando a cabeça de Felipe junto com a bola (mas Júlio tem créditos de sobras e a falha é totalmente perdoável, até porque, com o gol, o jogo voltava a estar empatado). Também prefiro nem comentar sobre a falha de marcação do volante que, no escanteio que originou o gol da virada, deixou o baixinho Sneijder livre para cabecear pro gol. Afinal de contas, é histórica a dificuldade do Brasil com jogadas de bola aérea (2 gols de cabeça de Zidane em escanteios na final de 98; eliminação também diante da França na Copa passada, em falta batida (olha ele aí de novo) por Zidane, para finalização de Henry, após falha coletiva da defesa brasileira), e a cabeçada para trás de Kuyt, antes de a bola chegar a Sneijder, dificultou ainda mais a jogada para a zaga brasileira.
Voltando ao jogo... após sofrer 2 gols em jogadas de bola parada, o Brasil tinha tempo de sobra pra igualar ou reverter o placar, mas lhe faltava tranquilidade, principalmente após ficar com um jogador a menos. Robinho e Kaká ainda tentavam jogadas individuais, mas a Holanda se fechou e ainda partiu pra cima da Seleção. A impressão que ficou foi a de que não sofremos uma goleada comente porque a Holanda teve pena do Brasil. Em algumas oportunidades, Robben e Sneijder pararam na entrada da grande área e pareceram não saber o que fazer com a bola, dando tempo de a defesa brasileira se recompor. Luís Fabiano mostrou ser apenas um bom e eficiente centroavante, e não um craque, do tipo que decide nos momentos mais cruciais, pois desareceu quando mais se precisava dele. Tentando dar eficiência ao ataque para empatar o jogo, Dunga substituiu o camisa 9 por Nilmar faltando 13 minutos para o fim do jogo, porém deveria ter tirado um jogador de marcação para a entrada do 3o atacante, tornando a Seleção mais ofensiva.
No melhor lance do Brasil no 2o tempo, o craque apareceu. Mas, como não estava em sua melhor forma, errou. Kaká arrancou e partiu pra cima da defesa holandesa, mas cortou pro lado errado, e acabou tendo seu chute interceptado. Já Robben e Sneijder não brilharam, mas foram decisivos.
Mais uma vez, a Holanda não jogou bonito, mas jogou bem. E venceu. Mais uma vez, o Brasil jogou mal. Mas dessa vez perdeu.
Mesmo que o Brasil vencesse a Holanda e passasse pelo Uruguai, acho pouquíssmo provável que a Seleção conseguisse uma vitória sobre a Espanha ou a Alemanha na final.
E há males que vêm pra bem. Já imaginou se o Brasil conquistasse a Copa no fim das contas? Teríamos q aturar o Dunga se achando, mais do que já se acha, por ter vencido uma Copa jogando mal e feio, com um time sem nenhuma criatividade. E ainda correríamos o risco de um legado duradouro desse futebolzinho de quinta categoria (ou seria "de resultado", Dunga?) no Brasil.
Ah... e que fique claro que não foi a nulidade brasileira no 2o tempo o único resposável pela eliminação do Brasil da Copa. A Holanda, novamente, não encantou, mas jogou muito bem. Principalmente após se recuperar do golpe de sofrer um gol no início do jogo e depois da bronca motivacional que deve ter recebido do técnico no intervalo.
sábado, 3 de julho de 2010
Sobre ontem
Peço desculpas aos visitantes do blog, mas minha nova rotina de trabalho está interferindo com a atualização do blog.
Prometo novos posts ainda esta noite, já que, sobre o jogo de ontem (os jogos, na verdade, pois Uruguai x Gana tb merece destaque) não tenho como escrever rápido. Ou pouco. Por favor, voltem mais tarde. Mas voltem, pois tenho bastante a dizer.
Prometo novos posts ainda esta noite, já que, sobre o jogo de ontem (os jogos, na verdade, pois Uruguai x Gana tb merece destaque) não tenho como escrever rápido. Ou pouco. Por favor, voltem mais tarde. Mas voltem, pois tenho bastante a dizer.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Espanha 1 x 0 Portugal
Eu gostaria de saber o que o time de Portugal foi fazer na África do Sul. Tenho a impressão de que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol virou para o Carlos Queiroz e disse: esqueça a classificação, esqueça melhorar o 4o lugar conquistado em 2006, vencer o Brasil ou até uma possível artilharia de Cristiano Ronaldo, sua missão é tirar a Costa do Marfim da Copa. Pois foi apenas isso o que Portugal fez no Mundial.
No 1o jogo, um 0 a 0 bem insosso contra os marfinenses. Parecia que os portugueses já planejavam golear a Coréia do Norte (tarefa q cabia ao Brasil, mas...), o que não foi muito difícil, para depois empatar com o Brasil, em outro 0 a 0, e tornar a classificação dos africanos quase impossível. Contra a nossa seleção, Portugal deve ter entrado em campo torcendo para que a Suíça ganhasse bem de Honduras e deixasse a Espanha com o 2o lugar de seu grupo, pois a equipe não fez o menor esforço para tentar ganhar de um Brasil desfalcado e completamente perdido em campo, com o objetivo de evitar o confronto com os espanhóis nas oitavas. E nem na fase de mata-mata os portugueses fizeram algum esforço, exceção feita ao excelente goleiro Eduardo, que, apesar de ter tomado seu primeiro e único gol na competição, impediu que Portugal sofresse uma goleada da atual campeã européia. Não à toa, Eduardo estava desolado ao final da partida, chorando copiosamente.
A seleção lusitana entrou em campo na 3a feira parecendo que estava ganhando de 2 a 0. Não disputava a bola, não marcava a saída de jogo espanhola e muito menos tentava atacar. Estavam todos os jogadores prostrados na entrada da grande área, impedindo que a Espanha tentasse chutar a gol. Tudo bem que Portugal não tem mais o time que foi vice-campeão europeu em 2004 e terminou a última Copa em 4o lugar, mas certamente tem um elenco muito melhor que o da Suíça. Não acho que a 3a colocação no ranking da Fifa faça jus ao atual time português, mas a seleção tem bons jogadores, como o já mencionado Eduardo, Simão, que fez uma excelente temporada no Atlético de Madri, Deco, que se machucou logo no primeiro jogo e ficou no banco durante o resto da competição, Tiago, Ricardo Carvalho e outros. Além de um craque, Cristiano Ronaldo, que, totalmente fora de sua posição, não pôde ser nesta Copa nem sombra do que foi no Manchester United durante anos ou no Real Madri na última temporada. O lateral direito Bosingwa e o ponta Nani, cortados por lesão, fizeram bastante falta, mas mesmo assim o plantel português era digno de uma campanha melhor no Mundial.
O problema de Portugal é o mesmo há anos: não tem um centroavante, um homem de referência na grande área, um bom finalizador, um atacante com faro de gol. Durante anos, esse homem foi o trivial Pauleta. Para se ter uma idéia de como o problema é grave, Pauleta, que nunca foi grande coisa, é o jogador com o maior número de gols pela seleção portuguesa. Ele foi um centroavante apenas razoável, porém nunca surgiu outro melhor para substituí-lo. Tiveram até que naturalizar o limitado Liédson, que nem no Flamengo do início dos anos 2000 conseguiu brilhar. Para solucionar esse problema, o técnico Carlos Queiroz optou por sacrificar seu melhor jogador, o responsável pela armação das jogadas de ataque e pelos lances mais criativos do time, o galáctico Cristiano Ronaldo, colocando-o isolado na frente, sem ninguém para passar-lhe a bola. Podem dizer que Ronaldo é mais midiático do que bom jogador, mas, apesar de toda a marra e todo o gel no cabelo milimetricamente (mal) cortado, o gajo é craque.
Não quero comparar o futebol de Messi com o de Ronaldo, pois acho que o argentino joga muito mais bola, mas, fazendo uma analogia entre os dois, Messi era muito criticado por não jogar na seleção o futebol que encantava o mundo nos jogos do Barcelona, o que também acontece com o português. No time espanhol, além de estar rodeado de outros craques, Messi atuava como gostava, solto, logo atrás do centroavante, primeiro pela direita e, recentemente, mais pela esquerda, armando as jogadas e, às vezes, finalizando também. Na Argentina, Alfio Basile e, posteriormente, Maradona, deixavam o Pulga isolado na frente. Messi sumia. Nesta Copa, Maradona percebeu que precisaria de Lionel Messi se quisesse ser campeão e decidiu deixar o atacante à vontade. Soltou-o no no meio do campo e deixou Tevez e Higuaín à sua frente, para receberem a bola e decidirem o jogo. Resultado: Messi, apesar de ainda não ter marcado, vem jogando um bolão, e Tevez e Higuaín já têm, juntos, 6 gols marcados.
Algo parecido acontece com Cristiano Ronaldo. No Manchester e, agora, no Real, Ronaldo joga servindo os homens de frente. Caindo mais pela direita, ele não tem a obrigação de jogar enfiado na grande área. Assim, o gajo fica mais solto e acaba até marcando mais gols (foi artilheiro do campeonato inglês na temporada 2007/8, com 31 tentos). Na falta de um finalizador competente, Queiroz despejou em Ronaldo a obrigação de ficar na frente, esperando a bola chegar para mandá-la em direção ao gol. Resultado: a bola não chegou, Cristiano só marcou uma vez (contra a fraquíssima Coréia do Norte, um gol esquisito, meio sem querer), e agora Portugal volta para casa após uma exibição vergonhosa contra a Espanha.
Já a Espanha tem centroavante de sobra. E meio-campista, e zagueiro... Se Fernando Torres não está bem (teve uma temporada recheada de contusões e passou por uma cirurgia pouco antes do Mundial) e não vem repetindo as ótimas atuações da Eurocopa, deixa que David Villa resolve. E se for melhor poupar Villa no fim do jogo, pode colocar Pedro, ou Llorente. Isso sem falar em Jesus Navas, que fez uma excelente partida contra Honduras, mas voltou a esquentar o banco.
Na última partida das oitavas-de-final, a Espanha nem tomou conhecimento do retrancado time de Portugal e partiu pra cima, fazendo uma bela exibição. Se o placar não foi mais dilatado, a culpa é do goleiro português, que deve estar até agora tentanto entender como foi que salvou alguns gols que certamente entrariam pra galeria dos mais bonitos do Mundial.
Xavi e Iniesta voltaram a mostrar em campo o entrosamento que têm no Barcelona. Sérgio Ramos teve novamente excelentes chances de gol (que pararam nas mãos de Eduardo), e Sérgio Busquets e Xabi Alonso rapidamente desfizeram qualquer tentativa portuguesa de se aproximar da meta espanhola. As melhores chances de gol de Portugal foram dois "quase frangos" de Casillas, um dos melhores goleiros do mundo, mas que estava meio desatento (por causa do tédio provocado pelo ataque português) e acabou assustando a torcida espanhola.
Depois de um primeiro tempo sem alteração no placar, apesar do bom futebol praticado pela Espanha, David Villa marcou o gol da vitória espanhola aos 18 da segunda etapa, em excelente troca de passes entre Iniesta, Llorente e Xavi, que deu de calcanhar para Villa finalizar. Eduardo ainda defendeu, mas Villa não desperdiçou o rebote. A Espanha continuou pressionando e Portugal continuou dormindo. Foi só nos 5 minutos finais da partida que Portugal pareceu acordar para o fato de que, na 2a fase da Copa, se você perder um único jogo, está eliminado. O time português ainda tentou empatar, mas já era tarde demais.
A Espanha melhora a cada partida. E começa a encantar. Seu próximo desafio é o fraco Paraguai, que, apesar de estar pela primeira vez nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo, parece ter esquecido o bom futebol apresentado nas eliminatórias. O time sul-americano protagonizou algumas das partidas mais chatas do Mundial até agora, contra a Nova Zelândia e contra o Japão (que eu não assisti, por motivos de força maior- e, por isso, não escrevo sobre - mas que, pelo que fiquei sabendo e pelo que pude ver nas mesas redondas dos canais de esporte, entra na lista dos jogos mais tediosos da História das Copas). Como em futebol tudo é possível, não vou contar antecipadamente com uma classificação espanhola para as semi-finais, mas posso dizer que um possível confronto entre Espanha e o vencedor de Alemanha x Argentina seria um daqueles jogos em que é melhor nem piscar.
Aproveito para fazer uma observação especial sobre as saídas de bola do goleiro Casillas. A Espanha tem alguns dos melhores jogadores de futebol da atualidade, que trocam passes com uma facilidade incrível. Aproveitando esse fato, Casillas está sempre repondo as bolas diretamente nos pés de seus companheiros, ao invés de chutá-la para a frente, sem direção nem objetivo. Casillas bate todos os tiros de meta e repõe todas as bolas defendidas em chutes curtos para os companheiros que estão por perto, que, por sua vez, vão tocando a bola de pé em pé até o campo de ataque. Isso é que é valorização da posse de bola. Jogando assim, a Espanha transforma toda defesa de Casillas em contra-ataque eficiente, mesmo que não rápido, e todo tiro de meta em perigo para o adversário. Como eu gostaria que Dunga e seus discípulos prestassem atenção nisso...
No 1o jogo, um 0 a 0 bem insosso contra os marfinenses. Parecia que os portugueses já planejavam golear a Coréia do Norte (tarefa q cabia ao Brasil, mas...), o que não foi muito difícil, para depois empatar com o Brasil, em outro 0 a 0, e tornar a classificação dos africanos quase impossível. Contra a nossa seleção, Portugal deve ter entrado em campo torcendo para que a Suíça ganhasse bem de Honduras e deixasse a Espanha com o 2o lugar de seu grupo, pois a equipe não fez o menor esforço para tentar ganhar de um Brasil desfalcado e completamente perdido em campo, com o objetivo de evitar o confronto com os espanhóis nas oitavas. E nem na fase de mata-mata os portugueses fizeram algum esforço, exceção feita ao excelente goleiro Eduardo, que, apesar de ter tomado seu primeiro e único gol na competição, impediu que Portugal sofresse uma goleada da atual campeã européia. Não à toa, Eduardo estava desolado ao final da partida, chorando copiosamente.
A seleção lusitana entrou em campo na 3a feira parecendo que estava ganhando de 2 a 0. Não disputava a bola, não marcava a saída de jogo espanhola e muito menos tentava atacar. Estavam todos os jogadores prostrados na entrada da grande área, impedindo que a Espanha tentasse chutar a gol. Tudo bem que Portugal não tem mais o time que foi vice-campeão europeu em 2004 e terminou a última Copa em 4o lugar, mas certamente tem um elenco muito melhor que o da Suíça. Não acho que a 3a colocação no ranking da Fifa faça jus ao atual time português, mas a seleção tem bons jogadores, como o já mencionado Eduardo, Simão, que fez uma excelente temporada no Atlético de Madri, Deco, que se machucou logo no primeiro jogo e ficou no banco durante o resto da competição, Tiago, Ricardo Carvalho e outros. Além de um craque, Cristiano Ronaldo, que, totalmente fora de sua posição, não pôde ser nesta Copa nem sombra do que foi no Manchester United durante anos ou no Real Madri na última temporada. O lateral direito Bosingwa e o ponta Nani, cortados por lesão, fizeram bastante falta, mas mesmo assim o plantel português era digno de uma campanha melhor no Mundial.
O problema de Portugal é o mesmo há anos: não tem um centroavante, um homem de referência na grande área, um bom finalizador, um atacante com faro de gol. Durante anos, esse homem foi o trivial Pauleta. Para se ter uma idéia de como o problema é grave, Pauleta, que nunca foi grande coisa, é o jogador com o maior número de gols pela seleção portuguesa. Ele foi um centroavante apenas razoável, porém nunca surgiu outro melhor para substituí-lo. Tiveram até que naturalizar o limitado Liédson, que nem no Flamengo do início dos anos 2000 conseguiu brilhar. Para solucionar esse problema, o técnico Carlos Queiroz optou por sacrificar seu melhor jogador, o responsável pela armação das jogadas de ataque e pelos lances mais criativos do time, o galáctico Cristiano Ronaldo, colocando-o isolado na frente, sem ninguém para passar-lhe a bola. Podem dizer que Ronaldo é mais midiático do que bom jogador, mas, apesar de toda a marra e todo o gel no cabelo milimetricamente (mal) cortado, o gajo é craque.
Não quero comparar o futebol de Messi com o de Ronaldo, pois acho que o argentino joga muito mais bola, mas, fazendo uma analogia entre os dois, Messi era muito criticado por não jogar na seleção o futebol que encantava o mundo nos jogos do Barcelona, o que também acontece com o português. No time espanhol, além de estar rodeado de outros craques, Messi atuava como gostava, solto, logo atrás do centroavante, primeiro pela direita e, recentemente, mais pela esquerda, armando as jogadas e, às vezes, finalizando também. Na Argentina, Alfio Basile e, posteriormente, Maradona, deixavam o Pulga isolado na frente. Messi sumia. Nesta Copa, Maradona percebeu que precisaria de Lionel Messi se quisesse ser campeão e decidiu deixar o atacante à vontade. Soltou-o no no meio do campo e deixou Tevez e Higuaín à sua frente, para receberem a bola e decidirem o jogo. Resultado: Messi, apesar de ainda não ter marcado, vem jogando um bolão, e Tevez e Higuaín já têm, juntos, 6 gols marcados.
Algo parecido acontece com Cristiano Ronaldo. No Manchester e, agora, no Real, Ronaldo joga servindo os homens de frente. Caindo mais pela direita, ele não tem a obrigação de jogar enfiado na grande área. Assim, o gajo fica mais solto e acaba até marcando mais gols (foi artilheiro do campeonato inglês na temporada 2007/8, com 31 tentos). Na falta de um finalizador competente, Queiroz despejou em Ronaldo a obrigação de ficar na frente, esperando a bola chegar para mandá-la em direção ao gol. Resultado: a bola não chegou, Cristiano só marcou uma vez (contra a fraquíssima Coréia do Norte, um gol esquisito, meio sem querer), e agora Portugal volta para casa após uma exibição vergonhosa contra a Espanha.
Já a Espanha tem centroavante de sobra. E meio-campista, e zagueiro... Se Fernando Torres não está bem (teve uma temporada recheada de contusões e passou por uma cirurgia pouco antes do Mundial) e não vem repetindo as ótimas atuações da Eurocopa, deixa que David Villa resolve. E se for melhor poupar Villa no fim do jogo, pode colocar Pedro, ou Llorente. Isso sem falar em Jesus Navas, que fez uma excelente partida contra Honduras, mas voltou a esquentar o banco.
Na última partida das oitavas-de-final, a Espanha nem tomou conhecimento do retrancado time de Portugal e partiu pra cima, fazendo uma bela exibição. Se o placar não foi mais dilatado, a culpa é do goleiro português, que deve estar até agora tentanto entender como foi que salvou alguns gols que certamente entrariam pra galeria dos mais bonitos do Mundial.
Xavi e Iniesta voltaram a mostrar em campo o entrosamento que têm no Barcelona. Sérgio Ramos teve novamente excelentes chances de gol (que pararam nas mãos de Eduardo), e Sérgio Busquets e Xabi Alonso rapidamente desfizeram qualquer tentativa portuguesa de se aproximar da meta espanhola. As melhores chances de gol de Portugal foram dois "quase frangos" de Casillas, um dos melhores goleiros do mundo, mas que estava meio desatento (por causa do tédio provocado pelo ataque português) e acabou assustando a torcida espanhola.
Depois de um primeiro tempo sem alteração no placar, apesar do bom futebol praticado pela Espanha, David Villa marcou o gol da vitória espanhola aos 18 da segunda etapa, em excelente troca de passes entre Iniesta, Llorente e Xavi, que deu de calcanhar para Villa finalizar. Eduardo ainda defendeu, mas Villa não desperdiçou o rebote. A Espanha continuou pressionando e Portugal continuou dormindo. Foi só nos 5 minutos finais da partida que Portugal pareceu acordar para o fato de que, na 2a fase da Copa, se você perder um único jogo, está eliminado. O time português ainda tentou empatar, mas já era tarde demais.
A Espanha melhora a cada partida. E começa a encantar. Seu próximo desafio é o fraco Paraguai, que, apesar de estar pela primeira vez nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo, parece ter esquecido o bom futebol apresentado nas eliminatórias. O time sul-americano protagonizou algumas das partidas mais chatas do Mundial até agora, contra a Nova Zelândia e contra o Japão (que eu não assisti, por motivos de força maior- e, por isso, não escrevo sobre - mas que, pelo que fiquei sabendo e pelo que pude ver nas mesas redondas dos canais de esporte, entra na lista dos jogos mais tediosos da História das Copas). Como em futebol tudo é possível, não vou contar antecipadamente com uma classificação espanhola para as semi-finais, mas posso dizer que um possível confronto entre Espanha e o vencedor de Alemanha x Argentina seria um daqueles jogos em que é melhor nem piscar.
Aproveito para fazer uma observação especial sobre as saídas de bola do goleiro Casillas. A Espanha tem alguns dos melhores jogadores de futebol da atualidade, que trocam passes com uma facilidade incrível. Aproveitando esse fato, Casillas está sempre repondo as bolas diretamente nos pés de seus companheiros, ao invés de chutá-la para a frente, sem direção nem objetivo. Casillas bate todos os tiros de meta e repõe todas as bolas defendidas em chutes curtos para os companheiros que estão por perto, que, por sua vez, vão tocando a bola de pé em pé até o campo de ataque. Isso é que é valorização da posse de bola. Jogando assim, a Espanha transforma toda defesa de Casillas em contra-ataque eficiente, mesmo que não rápido, e todo tiro de meta em perigo para o adversário. Como eu gostaria que Dunga e seus discípulos prestassem atenção nisso...
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Brasil 3 x 0 Chile
O Brasil melhorou. Melhorou muito. Mas continua jogando mal. Para passar pela Holanda, ainda precisa melhorar muito mais. Tomara que o bom futebol holandês desperte o verdadeiro futebol brasileiro na nossa seleção.
Ramires entrou bem no lugar de Felipe Melo. Ok, ok... Qualquer um joga melhor que Felipe Melo, mas Ramires melhorou a qualidade do toque de bola no meio de campo do Brasil, que agora troca passes também na direção do gol adversário, e não só entre Lúcio, Juan, Gilberto Silva e Júlio César. Pena que tomou o segundo cartão amarelo, em sua segunda falta boba e desnecessária. Se não tivesse sido suspenso para as quartas-de-final, certamente voltaria como titular, independente da recuperação do nosso “volante-botineiro”. Agora é torcer para que a lesão de Felipe Melo não melhore até 6ª feira, e para que Dunga opte por Kleberson, e não Josué.
Daniel Alves continua perdido no meio de campo, mas um pouco menos que na partida anterior. Com a possível volta de Elano (que faz muita falta), faço coro para que Dunga finalmente se dê conta de que continuamos jogando com um homem a menos (Michel Bastos, cadê você?!) e reposicione nosso lateral direito reserva na lateral esquerda titular.
Kaká vem melhorando a cada partida e, se tiver oportunidade de jogar mais 3, certamente estará “tinindo” até o final da competição. Robinho e Luís Fabiano começaram a partida desatentos, errando passes bobos e finalizando mal. Mas logo se encontraram em campo e, com dois belos gols, se redimiram, porém ainda podem fazer mais.
Sobre Lúcio e Juan, novamente, sou só elogios. A defesa é o (único) ponto forte da nossa seleção. São dois dos melhores zagueiros do mundo e, por jogarem juntos na equipe nacional há muitos anos, perfeitamente entrosados. Até na hora do gol, quando Lúcio fez a proteção de Juan que, subindo desmarcado, tocou de cabeça para o funda da rede, após escanteio batido por Maicon. Particularmente, fiquei bastante emocionada com o primeiro gol do Brasil no jogo. Lembro do Juan estudando no mesmo colégio que eu e tendo que mudar para o turno da noite, em função dos treinos na equipe junior do Flamengo. Não nos conhecíamos, mas eu já era sua fã.
Hoje não vou nem comentar sobre a qualidade do Júlio César, que em momento algum teve seu gol realmente ameaçado pelo ataque chileno. É por isso também que não podemos dizer que o Brasil fez uma boa partida. Apesar de algumas boas jogadas, o Chile nunca demonstrou capacidade de desbancar a seleção pentacampeã mundial. No entanto, mesmo assim, tivemos dificuldade para vencer.
Na partida de hoje, o Brasil finalmente pôde realizar suas tão eficientes jogadas de contra-ataque. O segundo gol partiu de uma troca de passes excelente entre os homens de frente da seleção: Robinho arrancou e tocou para Kaká, que passou, na medida, para Luís Fabiano driblar o goleiro e fazer (outro) lindo gol. Já o terceiro foi fruto de uma jogada individual de Ramires, que arrancou driblando antes de tocar pra Robinho mandar pro gol.
Contra a Holanda, o Brasil certamente terá muitas oportunidades de contra-atacar, mas, enfrentando seu primeiro adversário de qualidade na Copa, terá que criar suas próprias jogadas, e não depender do rival para criar suas chances de gol. Até porque os ataques holandeses correm o risco de não nos proporcionar muitas oportunidades de contra-ataque, pois serão muito mais perigosos que os ataques norte-coreanos, marfinenses, portugueses ou chilenos foram até agora. Outro ponto (muito) preocupante será o duelo Robben x Michel Bastos. O atacante da seleção laranja é um dos melhores do mundo e, se tiver espaço, será extremamente perigoso. E espaço é o que não falta na faixa de campo em que o holandês atua e onde temos um jogador a menos. Na final da Liga dos Campeões da UEFA, Lúcio, Júlio César e Maicon conseguiram anular Robben, entretanto, naquela ocasião, Sneijder estava do lado deles.
O Brasil tem, nas quartas-de-final, sua grande oportunidade de finalmente deslanchar na competição (a Seleção não tem fama de jogar bem contra times bons e encontrar dificuldade contra times ruins?). Ou, ao menos, se despedir jogando um futebol digno da camisa amarela.
A não ser que a Espanha passe a jogar o futebol que a fez conquistar a última Eurocopa, os adversários da final devem sair dos confrontos Argentina x Alemanha e Holanda x Brasil. Vencer um duelo como esses fortalece qualquer equipe. É uma pena que apenas dois desses times continuem na competição. De qualquer maneira, serão dois jogaços imperdíveis.
Ramires entrou bem no lugar de Felipe Melo. Ok, ok... Qualquer um joga melhor que Felipe Melo, mas Ramires melhorou a qualidade do toque de bola no meio de campo do Brasil, que agora troca passes também na direção do gol adversário, e não só entre Lúcio, Juan, Gilberto Silva e Júlio César. Pena que tomou o segundo cartão amarelo, em sua segunda falta boba e desnecessária. Se não tivesse sido suspenso para as quartas-de-final, certamente voltaria como titular, independente da recuperação do nosso “volante-botineiro”. Agora é torcer para que a lesão de Felipe Melo não melhore até 6ª feira, e para que Dunga opte por Kleberson, e não Josué.
Daniel Alves continua perdido no meio de campo, mas um pouco menos que na partida anterior. Com a possível volta de Elano (que faz muita falta), faço coro para que Dunga finalmente se dê conta de que continuamos jogando com um homem a menos (Michel Bastos, cadê você?!) e reposicione nosso lateral direito reserva na lateral esquerda titular.
Kaká vem melhorando a cada partida e, se tiver oportunidade de jogar mais 3, certamente estará “tinindo” até o final da competição. Robinho e Luís Fabiano começaram a partida desatentos, errando passes bobos e finalizando mal. Mas logo se encontraram em campo e, com dois belos gols, se redimiram, porém ainda podem fazer mais.
Sobre Lúcio e Juan, novamente, sou só elogios. A defesa é o (único) ponto forte da nossa seleção. São dois dos melhores zagueiros do mundo e, por jogarem juntos na equipe nacional há muitos anos, perfeitamente entrosados. Até na hora do gol, quando Lúcio fez a proteção de Juan que, subindo desmarcado, tocou de cabeça para o funda da rede, após escanteio batido por Maicon. Particularmente, fiquei bastante emocionada com o primeiro gol do Brasil no jogo. Lembro do Juan estudando no mesmo colégio que eu e tendo que mudar para o turno da noite, em função dos treinos na equipe junior do Flamengo. Não nos conhecíamos, mas eu já era sua fã.
Hoje não vou nem comentar sobre a qualidade do Júlio César, que em momento algum teve seu gol realmente ameaçado pelo ataque chileno. É por isso também que não podemos dizer que o Brasil fez uma boa partida. Apesar de algumas boas jogadas, o Chile nunca demonstrou capacidade de desbancar a seleção pentacampeã mundial. No entanto, mesmo assim, tivemos dificuldade para vencer.
Na partida de hoje, o Brasil finalmente pôde realizar suas tão eficientes jogadas de contra-ataque. O segundo gol partiu de uma troca de passes excelente entre os homens de frente da seleção: Robinho arrancou e tocou para Kaká, que passou, na medida, para Luís Fabiano driblar o goleiro e fazer (outro) lindo gol. Já o terceiro foi fruto de uma jogada individual de Ramires, que arrancou driblando antes de tocar pra Robinho mandar pro gol.
Contra a Holanda, o Brasil certamente terá muitas oportunidades de contra-atacar, mas, enfrentando seu primeiro adversário de qualidade na Copa, terá que criar suas próprias jogadas, e não depender do rival para criar suas chances de gol. Até porque os ataques holandeses correm o risco de não nos proporcionar muitas oportunidades de contra-ataque, pois serão muito mais perigosos que os ataques norte-coreanos, marfinenses, portugueses ou chilenos foram até agora. Outro ponto (muito) preocupante será o duelo Robben x Michel Bastos. O atacante da seleção laranja é um dos melhores do mundo e, se tiver espaço, será extremamente perigoso. E espaço é o que não falta na faixa de campo em que o holandês atua e onde temos um jogador a menos. Na final da Liga dos Campeões da UEFA, Lúcio, Júlio César e Maicon conseguiram anular Robben, entretanto, naquela ocasião, Sneijder estava do lado deles.
O Brasil tem, nas quartas-de-final, sua grande oportunidade de finalmente deslanchar na competição (a Seleção não tem fama de jogar bem contra times bons e encontrar dificuldade contra times ruins?). Ou, ao menos, se despedir jogando um futebol digno da camisa amarela.
A não ser que a Espanha passe a jogar o futebol que a fez conquistar a última Eurocopa, os adversários da final devem sair dos confrontos Argentina x Alemanha e Holanda x Brasil. Vencer um duelo como esses fortalece qualquer equipe. É uma pena que apenas dois desses times continuem na competição. De qualquer maneira, serão dois jogaços imperdíveis.
Holanda 2 x 1 Eslováquia
A Holanda não vem jogando o futebol espetacular que encantou a muitos na Eurocopa 2008 e do qual seus muitos craques são capazes, mas é um dos times mais eficientes da Copa. Não joga bonito, mas joga bem (diferentemente do “não joga bonito, nem joga bem, mas vence” do qual o Dunga parece ser fã). Esta manhã, contra a Eslováquia, a Holanda teve total domínio do jogo, apesar de alguns excelentes chutes a gol por parte do adversário, em particular do artilheiro Vittek, para defesas sensacionais do goleiro holandês Stekelenburg.
A equipe laranja foi superior ao adversário durante os 90 minutos. Robben, mostrando-se totalmente recuperado da lesão muscular que quase o tirou do Mundial, abriu o placar num contra-ataque rápido, dando uma arrancada típica sua. A vitória magra deixava a Holanda tranqüila, e a Eslováquia ansiosa por empatar. Quando a equipe eslovaca partia pra cima da fraca defesa holandesa, o contra-ataque era rápido e perigoso, obrigando o goleiro Mucha a fazer excelentes defesas. Sneijder, Robben e Van Persie são extremamente rápidos e muito entrosados, dificilmente errando passes ou finalizações.
O ponto fraco da Holanda é a defesa. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen não inspiram confiança e, por duas vezes, cometeram o erro primário de marcar a bola ao invés do adversário. Resultado: chutes fortes à queima-roupa de Vittek para duas defesas espetaculares de Stekelenburg. Se a Eslováquia tivesse empatado, certamente mudaria o desenrolar da partida. Mas foi a Holanda que ampliou o placar.
Os jogadores holandeses trocam passes em toques de primeira e cobram rapidamente todas as faltas e os laterais que têm a seu favor. Se o adversário não estiver 100% atento, corre o risco de nem reparar que está sendo atacado. Foi o que aconteceu no final do 2º tempo, quando, após rápida cobrança de falta, Kuyt arrancou, tirou o goleiro do lance com uma cabeçada na bola e ainda teve a calma de decidir para quem tocar, deixando Sneijder de cara pro gol.
No último minuto, a defesa holandesa deu outra bobeada, e sobrou para Stekelenburg, que vinha fazendo uma partida impecável, parar Jakubko com falta dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o goleiro. Vittek converteu a penalidade e alcançou Higuaín na artilharia.
A Eslováquia, uma das equipes mais fracas do torneio, fez bonito na Copa, indo mais longe do que o previsto graças à fragilidade do grupo em que caiu no sorteio, com Paraguai, Nova Zelândia e a combalida Itália. Já a Holanda ainda não encantou, mas vem jogando com uma eficiência que, até agora, só a Argentina também foi capaz – continuam sendo as duas únicas equipes com 100% de aproveitamento no torneio. A equipe holandesa ainda tem que melhorar a atenção na defesa e, principalmente, o posicionamento dos zagueiros, mas está convidada a vir ao Brasil ensinar nossos jogadores a tocar a bola rapidamente e sempre na direção do gol.
A equipe laranja foi superior ao adversário durante os 90 minutos. Robben, mostrando-se totalmente recuperado da lesão muscular que quase o tirou do Mundial, abriu o placar num contra-ataque rápido, dando uma arrancada típica sua. A vitória magra deixava a Holanda tranqüila, e a Eslováquia ansiosa por empatar. Quando a equipe eslovaca partia pra cima da fraca defesa holandesa, o contra-ataque era rápido e perigoso, obrigando o goleiro Mucha a fazer excelentes defesas. Sneijder, Robben e Van Persie são extremamente rápidos e muito entrosados, dificilmente errando passes ou finalizações.
O ponto fraco da Holanda é a defesa. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen não inspiram confiança e, por duas vezes, cometeram o erro primário de marcar a bola ao invés do adversário. Resultado: chutes fortes à queima-roupa de Vittek para duas defesas espetaculares de Stekelenburg. Se a Eslováquia tivesse empatado, certamente mudaria o desenrolar da partida. Mas foi a Holanda que ampliou o placar.
Os jogadores holandeses trocam passes em toques de primeira e cobram rapidamente todas as faltas e os laterais que têm a seu favor. Se o adversário não estiver 100% atento, corre o risco de nem reparar que está sendo atacado. Foi o que aconteceu no final do 2º tempo, quando, após rápida cobrança de falta, Kuyt arrancou, tirou o goleiro do lance com uma cabeçada na bola e ainda teve a calma de decidir para quem tocar, deixando Sneijder de cara pro gol.
No último minuto, a defesa holandesa deu outra bobeada, e sobrou para Stekelenburg, que vinha fazendo uma partida impecável, parar Jakubko com falta dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o goleiro. Vittek converteu a penalidade e alcançou Higuaín na artilharia.
A Eslováquia, uma das equipes mais fracas do torneio, fez bonito na Copa, indo mais longe do que o previsto graças à fragilidade do grupo em que caiu no sorteio, com Paraguai, Nova Zelândia e a combalida Itália. Já a Holanda ainda não encantou, mas vem jogando com uma eficiência que, até agora, só a Argentina também foi capaz – continuam sendo as duas únicas equipes com 100% de aproveitamento no torneio. A equipe holandesa ainda tem que melhorar a atenção na defesa e, principalmente, o posicionamento dos zagueiros, mas está convidada a vir ao Brasil ensinar nossos jogadores a tocar a bola rapidamente e sempre na direção do gol.
Argentina 3 x 1 México
À primeira vista, era fácil adivinhar o resultado da partida: a Argentina eliminaria o México sem problemas, como fizera em 2006. Mas essa impressão logo sumiu quando a bola finalmente rolou. Nos primeiros 20 minutos, o México pressionou uma Argentina irreconhecível. Daria zebra? A seleção mexicana tinha a posse de bola e não saía do campo de ataque, mas pecava nas finalizações. Já nossos hermanos não pecam nem quando finalizam em impedimento. Aos 26 minutos, Carlitos Tevez abriu o placar após receber a bola muito à frente do penúltimo jogador mexicano. O árbitro não viu a irregularidade. Tampouco o bandeirinha. Mesmo após o replay no telão do estádio. Apesar dos protestos mexicanos, o juiz validou o gol, e o México, que estava melhor na partida, perdeu o ânimo. Foi o segundo erro grotesco de arbitragem desta Copa, e também o segundo erro que poderia ter transformado o jogo, caso o juiz tivesse acertado.
Depois disso, o que se passou em campo foi um duelo entre um México desanimado e uma Argentina burocrática, exceção feita aos lampejos de talento e criatividade do melhor jogador do mundo, Lionel Messi. A Argentina seguiu a mesma receita dos 3 jogos anteriores: o time não tem conjunto e a defesa é extremamente fraca, mas o talento individual de jogadores como Messi (que ainda não marcou, mas já mandou várias bolas no travessão e vem obrigando os goleiros adversários a fazerem ótimas defesas), Tevez e Higuaín vem fazendo a diferença (é sempre bom lembrar que Maradona ainda tem Agüero e Diego Milito no banco).
Aos 33 minutos do 1o tempo, Higuaín ampliou o placar e, já na segunda etapa, Tevez marcou um dos gols mais lindos da Copa em um belo chute de fora da área. Hernandez ainda diminuiu para o México em excelente jogada, mas em nenhum momento a vitória argentina esteve ameaçada.
A equipe comandada por Maradona ainda não encontrou o futebol que se espera dela, dada a qualidade individual de seus jogadores. Mas nunca podemos duvidar da garra argentina. Se eles repetiram o duelo das oitavas de 2006, eliminando o México, certamente não vão querer repetir também a eliminação nas quartas diante da Alemanha. O confronto entre dois dos melhores ataques da Copa promete mais uma partida de perder o fôlego.
Depois disso, o que se passou em campo foi um duelo entre um México desanimado e uma Argentina burocrática, exceção feita aos lampejos de talento e criatividade do melhor jogador do mundo, Lionel Messi. A Argentina seguiu a mesma receita dos 3 jogos anteriores: o time não tem conjunto e a defesa é extremamente fraca, mas o talento individual de jogadores como Messi (que ainda não marcou, mas já mandou várias bolas no travessão e vem obrigando os goleiros adversários a fazerem ótimas defesas), Tevez e Higuaín vem fazendo a diferença (é sempre bom lembrar que Maradona ainda tem Agüero e Diego Milito no banco).
Aos 33 minutos do 1o tempo, Higuaín ampliou o placar e, já na segunda etapa, Tevez marcou um dos gols mais lindos da Copa em um belo chute de fora da área. Hernandez ainda diminuiu para o México em excelente jogada, mas em nenhum momento a vitória argentina esteve ameaçada.
A equipe comandada por Maradona ainda não encontrou o futebol que se espera dela, dada a qualidade individual de seus jogadores. Mas nunca podemos duvidar da garra argentina. Se eles repetiram o duelo das oitavas de 2006, eliminando o México, certamente não vão querer repetir também a eliminação nas quartas diante da Alemanha. O confronto entre dois dos melhores ataques da Copa promete mais uma partida de perder o fôlego.
domingo, 27 de junho de 2010
Alemanha 4 x 1 Inglaterra - o melhor jogo da Copa
EU AMO FUTEBOL!!!
Partidas como essa compensam por todas as peladas do campeonato brasileiro, por todas as exibições de 3a categoria da seleção brasileira de Dunga contra times fraquíssimos como Coréia do Norte ou Venezuela, por todos os joguinhos sem graça do campeonato carioca. Partidas como essa fazem a Copa do Mundo inteira valer a pena, incluindo Paraguai x Nova Zelândia ou Suiça x Honduras. Partidas como essa fazem até a gente torcer pela seleção rival. No caso, a Alemanha, que, se vencer a Copa, terá merecido essa conquista, em função do futebol apresentado hoje (é claro que o fato de os alemães terem a Argentina como próximo adversário facilita essa recente torcida...). Hoje, contra a Inglaterra, a Alemanha reencontrou o futebol que encantou o mundo contra a fraquíssima Austrália em sua partida de estréia. E espero que não o perca novamente.
Klose, Podolski e Müller formam um trio de atacantes extremamente eficiente e perigoso. Com Özil servindo de garçom, qualquer contra-ataque alemão pode ser fatal (e hoje a Alemanha deu uma verdadeira aula de contra-ataque. Será que Dunga estava assistindo?). Pra completar, a equipe germânica ainda tem Schweinsteiger, possivelmente o melhor volante da Copa, e Khedira, que não deixa saudades de Michael Ballack, cortado do mundial por uma lesão no último jogo do Chelsea na temporada. A zaga, formada por Mertesacker e Friedrich, não é o ponto mais forte do time, mas tampouco deixa a desejar. Lahm, pela direita, apoia o ataque tão bem quanto cobre a defesa. Boateng, pela esquerda, ainda é o ponto fraco do time, mas vem jogando melhor que o titular original da posição, Badstuber. No gol, Neuer, originalmente o terceiro goleiro do time, alterna excelentes defesas e saídas inseguras, mas, apesar da falha no gol inglês, segurou o resultado no segundo tempo. A Alemanha ainda pode se gabar de ter no banco de reservas Trochoswki, Mario Gomez e até o brasileiro naturalizado Cacau. O técnico Joachim Löw formou um time jovem, mas experiente, e que não se intimida com o peso da tradicionalíssima camisa alemã.
A Inglaterra começou o jogo apática, exatamente como jogara as 3 partidas anteriores. Só que a Alemanha não é EUA, Argélia ou Eslovênia. E Klose mostrou porque é o segundo alemão com mais gols em Copas (agora são 12), se antecipando ao zagueiro Upson e abrindo o placar aos 19 minutos. A seleção tricampeã ainda obrigaria o goleiro James a fazer bela defesa antes de entortar o English Team com seu toque de bola: de Özil para Klose, para Müller, para Podolski, para o fundo da rede. Foi aí que a Inglaterra acordou e decidiu mostrar para o mundo porque eu a considerava uma das favoritas à conquista da Copa. Foi aí também que nasceu a melhor partida desta Copa (muito possivelmente, da Copa inteira, independentemente do que ainda há por vir) e uma das melhores partidas de futebol que eu já assisti.
Upson se redimiu da falha no primeiro gol alemão e diminuiu a diferença no placar de cabeça, após saída esquisita de Neuer. Logo depois, o lance do jogo: Lampard (que decidiu "entrar em campo" hoje) mandou uma bomba de fora da área. A bola bateu no travessão e quicou dentro (muito dentro) do gol, mas o juiz e o bandeirinha (vesgos?) não validaram o tento, em uma espécie de "vingança" alemã da final da Copa de 1966, quando a Inglaterra, em final contra o mesmo adversário de hoje, teve validado um gol em que a bola nunca ultrapassou a linha.
A partir daí os dois times continuaram tocando a bola rapidamente, marcando o adversário no campo de ataque, pressionando em busca de mais gols, e proporcionando aos espectadores um espetáculo sem igual. O jogo foi corrido, disputado, leal, lindo. Qualquer coisa poderia acontecer e eu não conseguia nem piscar os olhos, com medo de perder uma jogada crucial.
Mas a Inglaterra jogava com 10 jogadores, e esse detalhe fez a diferença para o lado alemão. Se Lampard se redimiu das atuações apagadas nos primeiros jogos, mandando ainda outra bola no travessão (mas, dessa vez, sem quique dentro do gol), o mesmo não se pode dizer de Wayne Rooney, que, em todo o Mundial, não foi nem sombra do craque que não deixou os torcedores do Manchester United sentirem falta de Cristiano Ronaldo. Rooney pouco fez e, quando tocou na bola, não teve objetividade, ou mira, para chutá-la em direção ao gol.
Enquanto a Inglaterra (não) tinha Rooney, a Alemanha tinha Müller, que marcou seu segundo gol na competição após conta-ataque rápido de Schweinsteiger, no rebote de uma falta batida por Lampard em cima da barreira. O English Team sentiu o golpe. Joe Cole, no lugar de Milner, ainda tentava ajudar o ataque inglês, mas cada vez que a Inglaterra partia pra cima da seleção germânica, dava espaço pro contra-ataque alemão: Özil correu praticamente o campo inteiro antes de cruzar para Müller, livre, fazer seu segundo gol na partida.
O quarto gol alemão poderia ter fechado o caixão inglês, mas a Inglaterra continuou lutando, assim como a Alemanha. Um disputa de bola de Trochoswki (que entrara no lugar de Müller) no meio de campo foi sintomática da garra alemã na partida. Mas não houve mais alterações no placar.
É claro que o gol de empate da Inglaterra, se validado, poderia ter mudado a história dessa partida. Mas futebol tem dessas coisas (algo que a Fifa tanto gosta de ressaltar), e o dia hoje era mesmo da Alemanha.
Quando o jogo acabou, eu estava em estado de êxtase. Mas não demorou muito para que a minha felicidade se transformasse em desespero: enquanto a Alemanha tem Schweinsteiger, nós temos Felipe Melo; enquanto a Alemanha tem Özil, nós temos Elano. É pra sentar e chorar. Só nos resta torcer para que o pé frio do Mick Jagger não resolva assistir Brasil x Chile amanhã.
Partidas como essa compensam por todas as peladas do campeonato brasileiro, por todas as exibições de 3a categoria da seleção brasileira de Dunga contra times fraquíssimos como Coréia do Norte ou Venezuela, por todos os joguinhos sem graça do campeonato carioca. Partidas como essa fazem a Copa do Mundo inteira valer a pena, incluindo Paraguai x Nova Zelândia ou Suiça x Honduras. Partidas como essa fazem até a gente torcer pela seleção rival. No caso, a Alemanha, que, se vencer a Copa, terá merecido essa conquista, em função do futebol apresentado hoje (é claro que o fato de os alemães terem a Argentina como próximo adversário facilita essa recente torcida...). Hoje, contra a Inglaterra, a Alemanha reencontrou o futebol que encantou o mundo contra a fraquíssima Austrália em sua partida de estréia. E espero que não o perca novamente.
Klose, Podolski e Müller formam um trio de atacantes extremamente eficiente e perigoso. Com Özil servindo de garçom, qualquer contra-ataque alemão pode ser fatal (e hoje a Alemanha deu uma verdadeira aula de contra-ataque. Será que Dunga estava assistindo?). Pra completar, a equipe germânica ainda tem Schweinsteiger, possivelmente o melhor volante da Copa, e Khedira, que não deixa saudades de Michael Ballack, cortado do mundial por uma lesão no último jogo do Chelsea na temporada. A zaga, formada por Mertesacker e Friedrich, não é o ponto mais forte do time, mas tampouco deixa a desejar. Lahm, pela direita, apoia o ataque tão bem quanto cobre a defesa. Boateng, pela esquerda, ainda é o ponto fraco do time, mas vem jogando melhor que o titular original da posição, Badstuber. No gol, Neuer, originalmente o terceiro goleiro do time, alterna excelentes defesas e saídas inseguras, mas, apesar da falha no gol inglês, segurou o resultado no segundo tempo. A Alemanha ainda pode se gabar de ter no banco de reservas Trochoswki, Mario Gomez e até o brasileiro naturalizado Cacau. O técnico Joachim Löw formou um time jovem, mas experiente, e que não se intimida com o peso da tradicionalíssima camisa alemã.
A Inglaterra começou o jogo apática, exatamente como jogara as 3 partidas anteriores. Só que a Alemanha não é EUA, Argélia ou Eslovênia. E Klose mostrou porque é o segundo alemão com mais gols em Copas (agora são 12), se antecipando ao zagueiro Upson e abrindo o placar aos 19 minutos. A seleção tricampeã ainda obrigaria o goleiro James a fazer bela defesa antes de entortar o English Team com seu toque de bola: de Özil para Klose, para Müller, para Podolski, para o fundo da rede. Foi aí que a Inglaterra acordou e decidiu mostrar para o mundo porque eu a considerava uma das favoritas à conquista da Copa. Foi aí também que nasceu a melhor partida desta Copa (muito possivelmente, da Copa inteira, independentemente do que ainda há por vir) e uma das melhores partidas de futebol que eu já assisti.
Upson se redimiu da falha no primeiro gol alemão e diminuiu a diferença no placar de cabeça, após saída esquisita de Neuer. Logo depois, o lance do jogo: Lampard (que decidiu "entrar em campo" hoje) mandou uma bomba de fora da área. A bola bateu no travessão e quicou dentro (muito dentro) do gol, mas o juiz e o bandeirinha (vesgos?) não validaram o tento, em uma espécie de "vingança" alemã da final da Copa de 1966, quando a Inglaterra, em final contra o mesmo adversário de hoje, teve validado um gol em que a bola nunca ultrapassou a linha.
A partir daí os dois times continuaram tocando a bola rapidamente, marcando o adversário no campo de ataque, pressionando em busca de mais gols, e proporcionando aos espectadores um espetáculo sem igual. O jogo foi corrido, disputado, leal, lindo. Qualquer coisa poderia acontecer e eu não conseguia nem piscar os olhos, com medo de perder uma jogada crucial.
Mas a Inglaterra jogava com 10 jogadores, e esse detalhe fez a diferença para o lado alemão. Se Lampard se redimiu das atuações apagadas nos primeiros jogos, mandando ainda outra bola no travessão (mas, dessa vez, sem quique dentro do gol), o mesmo não se pode dizer de Wayne Rooney, que, em todo o Mundial, não foi nem sombra do craque que não deixou os torcedores do Manchester United sentirem falta de Cristiano Ronaldo. Rooney pouco fez e, quando tocou na bola, não teve objetividade, ou mira, para chutá-la em direção ao gol.
Enquanto a Inglaterra (não) tinha Rooney, a Alemanha tinha Müller, que marcou seu segundo gol na competição após conta-ataque rápido de Schweinsteiger, no rebote de uma falta batida por Lampard em cima da barreira. O English Team sentiu o golpe. Joe Cole, no lugar de Milner, ainda tentava ajudar o ataque inglês, mas cada vez que a Inglaterra partia pra cima da seleção germânica, dava espaço pro contra-ataque alemão: Özil correu praticamente o campo inteiro antes de cruzar para Müller, livre, fazer seu segundo gol na partida.
O quarto gol alemão poderia ter fechado o caixão inglês, mas a Inglaterra continuou lutando, assim como a Alemanha. Um disputa de bola de Trochoswki (que entrara no lugar de Müller) no meio de campo foi sintomática da garra alemã na partida. Mas não houve mais alterações no placar.
É claro que o gol de empate da Inglaterra, se validado, poderia ter mudado a história dessa partida. Mas futebol tem dessas coisas (algo que a Fifa tanto gosta de ressaltar), e o dia hoje era mesmo da Alemanha.
Quando o jogo acabou, eu estava em estado de êxtase. Mas não demorou muito para que a minha felicidade se transformasse em desespero: enquanto a Alemanha tem Schweinsteiger, nós temos Felipe Melo; enquanto a Alemanha tem Özil, nós temos Elano. É pra sentar e chorar. Só nos resta torcer para que o pé frio do Mick Jagger não resolva assistir Brasil x Chile amanhã.
EUA 1 x 2 Gana
Quando foram definidos os times deste chaveamento (Uruguai, Coréia do Sul, EUA e Gana), eu considerei a seleção americana a que tinha maior probabilidade de seguir adiante na Copa, tornando-se a zebra das semi-finais. Os EUA têm uma equipe limitada, porém eficiente e determinada, e, a meu ver, o gol da classificação, aos 45 minutos do jogo contra a Argélia, daria uma vontade extra à seleção americana. Vontade que faltou na partida de oitavas-de-final contra Gana.
Segundo jogo de mata-mata da Copa e segundo jogo que começa movimentado, com ambas as equipes buscando o gol (será que a 1a fase faz com que os times "escondam" seu melhor futebol?). Dessa vez, foi Gana que abriu o placar (aprenderam a fazer gol!), num erro de saída de bola da seleção americana.
Os EUA só perceberam que estavam disputando uma Copa do Mundo no 2o tempo, quando, logo no primeiro minuto, obrigaram o goleiro Kingson a fazer boa defesa. O merecido empate teve origem em uma excelente arrancada de Dempsey, que, após driblar John Mensah, foi derrubado na área por Jonathan Mensah. Donovan cobrou o pênalti lembrando Romário em 94: a bola chegou a bater na trave, mas entrou.
Gana e EUA fizeram um segundo tempo emocionante, obrigando os goleiros adversários a fazerem excelentes defesas, mas não houve alteração no placar, e a partida foi para a prorrogação, a primeira desta edição da Copa. Em geral, tempo extra significa dois times cansados tocando a bola de um lado para o outro, à espera dos pênaltis. Mas não foi isso que aconteceu ontem. Logo aos 3 minutos, Gyan, que havia feito os dois gols de pênalti nas partidas anteriores, recebeu lançamento longo de Ayew, se manteve de pé após a trombada de Bocanegra (que acabou ajudando na finalização) e soltou uma bomba pro fundo das redes, comemorando com aquela sua dancinha esquisita. E não é que Gana aprendeu mesmo a fazer gol?
Os EUA passaram o resto do jogo tentando levar a classificação para os pênaltis, sem sucesso. Até o goleiro Howard tentou marcar de cabeça (ou seria de mão) no último lance da partida. Mas a vitória foi mesmo ganense. Ou, poderíamos dizer, africana, já que todo os Estrela Negra têm o apoio do continente inteiro.
Segundo jogo de mata-mata da Copa e segundo jogo que começa movimentado, com ambas as equipes buscando o gol (será que a 1a fase faz com que os times "escondam" seu melhor futebol?). Dessa vez, foi Gana que abriu o placar (aprenderam a fazer gol!), num erro de saída de bola da seleção americana.
Os EUA só perceberam que estavam disputando uma Copa do Mundo no 2o tempo, quando, logo no primeiro minuto, obrigaram o goleiro Kingson a fazer boa defesa. O merecido empate teve origem em uma excelente arrancada de Dempsey, que, após driblar John Mensah, foi derrubado na área por Jonathan Mensah. Donovan cobrou o pênalti lembrando Romário em 94: a bola chegou a bater na trave, mas entrou.
Gana e EUA fizeram um segundo tempo emocionante, obrigando os goleiros adversários a fazerem excelentes defesas, mas não houve alteração no placar, e a partida foi para a prorrogação, a primeira desta edição da Copa. Em geral, tempo extra significa dois times cansados tocando a bola de um lado para o outro, à espera dos pênaltis. Mas não foi isso que aconteceu ontem. Logo aos 3 minutos, Gyan, que havia feito os dois gols de pênalti nas partidas anteriores, recebeu lançamento longo de Ayew, se manteve de pé após a trombada de Bocanegra (que acabou ajudando na finalização) e soltou uma bomba pro fundo das redes, comemorando com aquela sua dancinha esquisita. E não é que Gana aprendeu mesmo a fazer gol?
Os EUA passaram o resto do jogo tentando levar a classificação para os pênaltis, sem sucesso. Até o goleiro Howard tentou marcar de cabeça (ou seria de mão) no último lance da partida. Mas a vitória foi mesmo ganense. Ou, poderíamos dizer, africana, já que todo os Estrela Negra têm o apoio do continente inteiro.
Uruguai 2 x 1 Coréia do Sul
Apesar da rivalidade, é muito bom ver o Uruguai voltar a fazer uma boa campanha na Copa do Mundo. Campeão em 1930 e 1950, o nosso 2o maior rival não passava das oitavas-de-final em um Mundial desde o 4o lugar em 1970. O fraco desempenho da equipe nas eliminatórias, que perdeu em casa para Brasil e Argentina e só se classificou após disputar a repescagem contra a Costa Rica, não prenunciava um bom desempenho dos nossos vizinhos nesta Copa. Mas o grupo extremamente equilibrado em que foi sorteado alimentou as esperanças uruguaias de chegar à 2a fase. E a Celeste não fez feio. Após vitórias sobre África do Sul e México, conquistou o primeiro lugar em seu grupo.
O jogo contra a Coréia do Sul começou bastante movimentado. O Uruguai tocava a bola como se fosse o Brasil (mais uma vez, não o Brasil de Dunga, é claro), com passes velozes e muita eficiência. A Celeste buscava o gol e, quando perdia a bola, se rearrumava e voltava rapidamente para impedir os contra-ataques coreanos. Não demoraria muito até o primeiro gol ser marcado. E ele saiu dos pés de Luis Suárez, aos 9 minutos de jogo, após uma falha coletiva esdrúxula da defesa coreana. Depois de cruzamento de Diego Forlán, os zagueiros coreanos ficaram em linha e esqueceram de marcar o atacante uruguaio. Por sua vez, o goleiro, achando que a bola atravessaria o campo e sairia pela lateral, a deixou passar. Mas Suárez encontrava-se logo após o último defensor coreano e não perdoou. Erros bobos assim não podem acontecer numa oitava-de-final de Copa do Mundo.
A formação encontrada pelo técnico Oscar Tabárez no segundo jogo do Mundial, com Forlán mais recuado, armando as jogadas para Suárez e Cavani, funcionou e transformou o Uruguai em uma equipe ofensiva e perigosa, tudo que ele não foi nas eliminatórias. Nesta temporada, Suárez marcou 35 gols pelo Ajax, da Holanda, Forlán, 28 pelo Atlético de Madri, e Cavani, 14 gols pelo italiano Palermo. E mesmo assim a defesa coreana preferiu marcar a bola aos jogadores.
Ainda no primeiro tempo, o Uruguai quase ampliou o placar, com a bola batendo no cotovelo do jogador coreano dentro da área, após chute forte de Maxi Pereira. Porém o juiz não marcou o pênalti. A sensação era de que uma goleada estava a caminho.
Mas veio o segundo tempo, e a Coréia acordou pro jogo. Depois de tanto correr na primeira etapa, o Uruguai voltou do intervalo demonstrando cansaço, e a seleção coreana aproveitou para pressionar. Aos 23 minutos, após toque de cabeça do uruguaio Victorino, o goleiro Muslera, que até então não havia sofrido gols no torneio, saiu mal, e um dos Lee coreanos mandou a bola pro gol vazio, empatando a partida.
Com o gol da Coréia, o jogo voltou a ficar parelho, porém o dia era mesmo do Uruguai, que desempatou com outro tento de Suárez, aos 35 minutos, após um chute lindo da entrada da área (um dos gols mais bonitos da Copa até o momento). A Coréia ainda perderia a oportunidade de levar a partida para a prorrogação, mandando para fora uma bola cara a cara com o goleiro Muslera, a 5 minutos do fim.
A vitória do Uruguai foi merecida. E a comemoração dos jogadores junto à empolgada torcida uruguaia na arquibancada deu um toque de emoção ao triunfo que leva o time às quartas-de-final da Copa da África.
O jogo contra a Coréia do Sul começou bastante movimentado. O Uruguai tocava a bola como se fosse o Brasil (mais uma vez, não o Brasil de Dunga, é claro), com passes velozes e muita eficiência. A Celeste buscava o gol e, quando perdia a bola, se rearrumava e voltava rapidamente para impedir os contra-ataques coreanos. Não demoraria muito até o primeiro gol ser marcado. E ele saiu dos pés de Luis Suárez, aos 9 minutos de jogo, após uma falha coletiva esdrúxula da defesa coreana. Depois de cruzamento de Diego Forlán, os zagueiros coreanos ficaram em linha e esqueceram de marcar o atacante uruguaio. Por sua vez, o goleiro, achando que a bola atravessaria o campo e sairia pela lateral, a deixou passar. Mas Suárez encontrava-se logo após o último defensor coreano e não perdoou. Erros bobos assim não podem acontecer numa oitava-de-final de Copa do Mundo.
A formação encontrada pelo técnico Oscar Tabárez no segundo jogo do Mundial, com Forlán mais recuado, armando as jogadas para Suárez e Cavani, funcionou e transformou o Uruguai em uma equipe ofensiva e perigosa, tudo que ele não foi nas eliminatórias. Nesta temporada, Suárez marcou 35 gols pelo Ajax, da Holanda, Forlán, 28 pelo Atlético de Madri, e Cavani, 14 gols pelo italiano Palermo. E mesmo assim a defesa coreana preferiu marcar a bola aos jogadores.
Ainda no primeiro tempo, o Uruguai quase ampliou o placar, com a bola batendo no cotovelo do jogador coreano dentro da área, após chute forte de Maxi Pereira. Porém o juiz não marcou o pênalti. A sensação era de que uma goleada estava a caminho.
Mas veio o segundo tempo, e a Coréia acordou pro jogo. Depois de tanto correr na primeira etapa, o Uruguai voltou do intervalo demonstrando cansaço, e a seleção coreana aproveitou para pressionar. Aos 23 minutos, após toque de cabeça do uruguaio Victorino, o goleiro Muslera, que até então não havia sofrido gols no torneio, saiu mal, e um dos Lee coreanos mandou a bola pro gol vazio, empatando a partida.
Com o gol da Coréia, o jogo voltou a ficar parelho, porém o dia era mesmo do Uruguai, que desempatou com outro tento de Suárez, aos 35 minutos, após um chute lindo da entrada da área (um dos gols mais bonitos da Copa até o momento). A Coréia ainda perderia a oportunidade de levar a partida para a prorrogação, mandando para fora uma bola cara a cara com o goleiro Muslera, a 5 minutos do fim.
A vitória do Uruguai foi merecida. E a comemoração dos jogadores junto à empolgada torcida uruguaia na arquibancada deu um toque de emoção ao triunfo que leva o time às quartas-de-final da Copa da África.
The Damned United
Não consegui escrever ontem sobre os primeiros jogos das oitavas-de-final pq, ao chegar em casa tarde, e cansada, optei por alugar um dvd na locadora, para espairar um pouco após 15 dias assistindo jogos de futebol e mesas redondas. Mas não consegui fugir ao tema e acabei alugando The Damned United (na tradução brasileira, Maldito Futebol Clube), um dos melhores filmes sobre futebol que eu já vi. Sendo assim, relembrando meus tempos de estudante de cinema, decidi escrever um pouco sobre o filme, que recomendo a todos os "futebolmaníacos".
The Damned United (foi mal, mas me recuso a escrever "Maldito Futebol Clube" cada vez que eu for mencionar o filme) conta a história de Brian Clough, técnico inglês de futebol que ficou famoso ao levar tanto Derby County quanto seu rival Nottingham Forest da segunda divisão ao título inglês. No entanto, o período apresentado no filme vai de 1967, quando Clough ainda era técnico do Derby, a 1974, quando assumiu o comando do Leeds United (o "United" do título), o maior time britânico na época.
Com uma excelente narrativa, que vai e volta no tempo, fazendo conexões entre Derby e Leeds, o filme mostra um pouco dos bastidores do futebol inglês das décadas de 1960/70, uma época em que a paixão pelo clube ainda movia alguns (poucos) jogadores, técnicos e dirigentes. No entanto, Clough, apesar de talentoso (principalmente quando se trata de motivar seus jogadores), consegue tornar seu trabalho ainda mais árduo que o normal, tentando manipular os envolvidos no esporte, buscando uma superexposição na mídia e considerando-se maior que os clubes que dirigiu (parece familiar?).
É um filme atual e que agrada mesmo quem não curte futebol tanto quanto eu. Outro ponto positivo é a atuação de Michael Sheen (o Tony Blair, do filme A Rainha) como Clough. Vale a pena alugar.
Curiosidades:
Sob o comando de Clough, o Nottingham Forest conquistou 2 Copas dos Campeões da Uefa (atual Liga dos Campeões) seguidas, em 1978 e 1979. Atualmente, após alguns anos na 3a divisão inglesa, o Forest foi promovido à 2a divisão na temporada 2007/8. Tendo terminado o último campeonato em 3o lugar, o Forest perdeu para o Blackpool o playoff de classificação para a 1a divisão inglesa.
O Leeds United disputou (e perdeu) as semi-finais da Liga dos Campeões da Uefa em 2000 e 2001, mas foi rebaixado para a 2a divisão em 2004 e, três anos depois, para a 3a divisão. Na temporada passada, o Leeds terminou o campeonato em 2o lugar, sendo promovido da 3a para a 2a divisão inglesa.
Atualmente, o Derby County também se encontra na 2a divisão, para onde foi rebaixado na temporada 2007/08, quando ficou em último lugar no campeonato inglês.
The Damned United (foi mal, mas me recuso a escrever "Maldito Futebol Clube" cada vez que eu for mencionar o filme) conta a história de Brian Clough, técnico inglês de futebol que ficou famoso ao levar tanto Derby County quanto seu rival Nottingham Forest da segunda divisão ao título inglês. No entanto, o período apresentado no filme vai de 1967, quando Clough ainda era técnico do Derby, a 1974, quando assumiu o comando do Leeds United (o "United" do título), o maior time britânico na época.
Com uma excelente narrativa, que vai e volta no tempo, fazendo conexões entre Derby e Leeds, o filme mostra um pouco dos bastidores do futebol inglês das décadas de 1960/70, uma época em que a paixão pelo clube ainda movia alguns (poucos) jogadores, técnicos e dirigentes. No entanto, Clough, apesar de talentoso (principalmente quando se trata de motivar seus jogadores), consegue tornar seu trabalho ainda mais árduo que o normal, tentando manipular os envolvidos no esporte, buscando uma superexposição na mídia e considerando-se maior que os clubes que dirigiu (parece familiar?).
É um filme atual e que agrada mesmo quem não curte futebol tanto quanto eu. Outro ponto positivo é a atuação de Michael Sheen (o Tony Blair, do filme A Rainha) como Clough. Vale a pena alugar.
Curiosidades:
Sob o comando de Clough, o Nottingham Forest conquistou 2 Copas dos Campeões da Uefa (atual Liga dos Campeões) seguidas, em 1978 e 1979. Atualmente, após alguns anos na 3a divisão inglesa, o Forest foi promovido à 2a divisão na temporada 2007/8. Tendo terminado o último campeonato em 3o lugar, o Forest perdeu para o Blackpool o playoff de classificação para a 1a divisão inglesa.
O Leeds United disputou (e perdeu) as semi-finais da Liga dos Campeões da Uefa em 2000 e 2001, mas foi rebaixado para a 2a divisão em 2004 e, três anos depois, para a 3a divisão. Na temporada passada, o Leeds terminou o campeonato em 2o lugar, sendo promovido da 3a para a 2a divisão inglesa.
Atualmente, o Derby County também se encontra na 2a divisão, para onde foi rebaixado na temporada 2007/08, quando ficou em último lugar no campeonato inglês.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Rodada final da 1a fase IV
Brasil x Portugal
Tive que pensar muito antes de escrever sobre esse jogo. Até porque, sobre o jogo mesmo, não há quase nada para escrever (uma amiga me sugeriu publicar a resenha dessa partida no twitter, pois 140 caracteres seriam suficientes). Uma jogada perigosa de Nilmar no primeiro tempo, um chute a gol de Ramires no segundo (que só pode ser considerado "a gol" por causa do desvio no jogador português) e uma boa defesa de Júlio César. Fora isso, faltas grosseiras e desnecessárias. O estilo Muay Thai da partida não nos permite dizer que foi um "jogo de compadres", mas ambos os times pareceram muito satisfeitos com o empate sem gols.
Nilmar ainda tentou tirar o zero do placar no primeiro tempo, mas a total falta de criatividade do meio de campo da seleção (primeiramente com Gilberto Silva, Daniel Alves, Felipe Melo e Júlio Baptista e, depois, com Josué e Ramires no lugar dos dois últimos, respectivamente) isolou os dois atacantes brasileiros na frente, e poucas chances de gol foram criadas. Júlio Baptista não aproveitou a excelente oportunidade que o cartão vermelho de Kaká lhe proporcionou e passou despercebido em campo. Só nos resta rezar para que o meia do Real Madri não seja mais suspenso e não sofra nenhuma contusão até o fim do Mundial. Somente Maicon, mais uma vez, tentou criar alguma coisa, pela direita, mas a falta de apoio no meio de campo lhe impediu. Enquanto isso, Michel Bastos completou seu terceiro jogo sem entrar em campo.
Desde que Dunga assumiu o comando da seleção e Roberto Carlos aposentou sua camisa amarela (que já deveria ter sido aposentada bem antes da Copa da Alemanha), a lateral esquerda se tornou o maior problema da nossa equipe. Se Dunga não gosta de Fábio Aurélio (que sofre com contusões constantes, mas, sempre que entra em campo, faz belas partidas pelo Liverpool), Maxwell (que fez uma excelente temporada pelo Barcelona, após contusão do titular Abidal) ou Marcelo (titular do Real Madri), poderia ter convocado André Santos (Fenerbahçe), Juan (Flamengo) ou até mesmo Richarlyson (São Paulo). Só não faz o menor sentido chamar para a disputa de uma Copa do Mundo dois jogadores que há tempos não atuam na lateral esquerda: Michel Bastos, que fez ótima temporada no Lyon, jogando como meia-direita, e que não joga na lateral desde que saiu do Grêmio, em 2005, e Gilberto, que teve boa carreira como lateral, mas agora, aos 34 anos e sem fôlego para correr o campo inteiro por 90 minutos, migrou para o meio de campo. Jogando com Michel Bastos, o Brasil entra em campo com 10 homens, o que pode ser fatal na fase de mata-mata.
Como já se tornou rotina, os melhores jogadores do Brasil foram o zagueiro Lúcio, que anulou Cristiano Ronaldo e salvou a seleção em momentos cruciais, e o goleiro Júlio César, na minha opinião, o melhor do mundo em sua posição. Mas nem tudo está perdido: parece que o Felipe Melo está machucado. Não que Josué, Ramires ou Kléberson sejam craques, mas qualquer jogador é melhor que o esquentadinho Felipe Melo.
No jogo desta manhã ficou evidente a falta de suplentes de qualidade no plantel convocado por Dunga. A única opção razoável seria manter o Nilmar no ataque titular ao lado de Luís Fabiano e colocar Kaká e Robinho para armarem as jogadas, o que duvido muito que seja feito pelo nosso mal-humorado e mal-educado técnico.
No primeiro jogo da 2a fase, vamos enfrentar o Chile, que já vencemos nas mesmas oitavas-de-final em 1998 e também em duas oportunidades nas últimas eliminatórias. A equipe chilena tem um estilo de jogo que facilita o futebol jogado pelo Brasil. A princípio, um adversário que não deverá oferecer muito perigo. Só que esse favoritismo e os muitos defeitos da equipe brasileira apontados ao longo desse texto não me deixam muito confiante. Agora que a Copa do Mundo começou efetivamente, espero que o Brasil finalmente deslanche, mantendo a tradição da equipe de Dunga de "crescer ao longo da competição".
Não preciso nem dizer que, apesar de Brasil x Portugal ter sido um dos jogos mais chatos do Mundial, não troquei de canal uma só vez para saber como andava Coréia do Norte x Costa do Marfim, que acabou ganhando de (apenas) 3 a 0 e se tornou mais uma seleção africana eliminada na 1a fase. Esse resultado só serviu para nos envergonhar, já que o Brasil foi a única seleção que tomou gol da 32a colocada na Copa.
Chile x Espanha e Suíça x Honduras
Promessa de jogo disputado entre a campeã européia e a segunda colocada nas eliminatórias sul-americanas, já que a vitória da Suíça sobre a fraquíssima Honduras estava quase certa, e as outras duas seleções estavam jogando pela vaga às oitavas. E o primeiro tempo foi realmente muito bom, com os dois times brigando pelo gol. A Espanha, com sua terceira formação diferente em seu terceiro jogo (ao contrário do Brasil, a Espanha tem em seu banco jogadores que seriam titulares em qualquer equipe do mundo) novamente mostrou um bom futebol, com armações de jogadas perigosas e boa movimentação, mas só marcou seu primeiro tento (novamente David Villa, acertando um difícil chute de fora da área) em uma falha bisonha do goleiro chileno. O segundo gol veio numa excelente troca de passes entre Villa (olha ele aí de novo), Torres e Iniesta, que coroou sua recuperação de um problema muscular (que o atrapalhou durante toda a temporada, fazendo-o permanecer no departamente médico do Barcelona mais tempo do que em campo) mandando a bola pro fundo da rede.
O Chile diminuiu no segundo tempo, em um gol muito parecido com o chute de Ramires no jogo contra Portugal: só tomou a direção certa após desviar no zagueiro adversário. Depois disso, pouca coisa aconteceu na partida. O 0 a 0 no outro jogo do grupo classificava tanto Espanha quanto Chile, e nenhum dos dois fez muita coisa para tentar alterar o placar. Para não pegar no sono, acabei trocando de canal nos últimos dez minutos e me surpreendi com o jogo extremamente disputado entre Suíça e Honduras. Era ataque de um lado e contra-ataque de outro, num jogo rápido e movimentado. O único problema é que os dois times são muito (mas muito mesmo) ruins e nenhum dos dois conseguiu finalizar uma única bola decentemente. Parecia comédia. Cada chute! Cada finalização! Tento, mas não consigo encontrar palavras para descrever a total ausência de futebol mostrada em campo pelas equipes. A Espanha deve estar até agora tentanto entender como conseguiu tomar um gol da Suíça.
Apito final, e Espanha e Chile classificados. Com a Fúria em primeiro do grupo, como torcia o Brasil.
Com a derrota chilena, a América do Sul perdeu sua invencibilidade, mas, pela primeira vez na História, classificou suas 5 seleções para a segunda fase. Enquanto isso, das 13 seleções européias que iniciaram a competição, somente 6 permaneceram. E jogam todas entre si, o que significa apenas 3 times europeus nas quartas-de-final (em oposição às 4 equipes da Europa nas semi-finais de 2006).
Tive que pensar muito antes de escrever sobre esse jogo. Até porque, sobre o jogo mesmo, não há quase nada para escrever (uma amiga me sugeriu publicar a resenha dessa partida no twitter, pois 140 caracteres seriam suficientes). Uma jogada perigosa de Nilmar no primeiro tempo, um chute a gol de Ramires no segundo (que só pode ser considerado "a gol" por causa do desvio no jogador português) e uma boa defesa de Júlio César. Fora isso, faltas grosseiras e desnecessárias. O estilo Muay Thai da partida não nos permite dizer que foi um "jogo de compadres", mas ambos os times pareceram muito satisfeitos com o empate sem gols.
Nilmar ainda tentou tirar o zero do placar no primeiro tempo, mas a total falta de criatividade do meio de campo da seleção (primeiramente com Gilberto Silva, Daniel Alves, Felipe Melo e Júlio Baptista e, depois, com Josué e Ramires no lugar dos dois últimos, respectivamente) isolou os dois atacantes brasileiros na frente, e poucas chances de gol foram criadas. Júlio Baptista não aproveitou a excelente oportunidade que o cartão vermelho de Kaká lhe proporcionou e passou despercebido em campo. Só nos resta rezar para que o meia do Real Madri não seja mais suspenso e não sofra nenhuma contusão até o fim do Mundial. Somente Maicon, mais uma vez, tentou criar alguma coisa, pela direita, mas a falta de apoio no meio de campo lhe impediu. Enquanto isso, Michel Bastos completou seu terceiro jogo sem entrar em campo.
Desde que Dunga assumiu o comando da seleção e Roberto Carlos aposentou sua camisa amarela (que já deveria ter sido aposentada bem antes da Copa da Alemanha), a lateral esquerda se tornou o maior problema da nossa equipe. Se Dunga não gosta de Fábio Aurélio (que sofre com contusões constantes, mas, sempre que entra em campo, faz belas partidas pelo Liverpool), Maxwell (que fez uma excelente temporada pelo Barcelona, após contusão do titular Abidal) ou Marcelo (titular do Real Madri), poderia ter convocado André Santos (Fenerbahçe), Juan (Flamengo) ou até mesmo Richarlyson (São Paulo). Só não faz o menor sentido chamar para a disputa de uma Copa do Mundo dois jogadores que há tempos não atuam na lateral esquerda: Michel Bastos, que fez ótima temporada no Lyon, jogando como meia-direita, e que não joga na lateral desde que saiu do Grêmio, em 2005, e Gilberto, que teve boa carreira como lateral, mas agora, aos 34 anos e sem fôlego para correr o campo inteiro por 90 minutos, migrou para o meio de campo. Jogando com Michel Bastos, o Brasil entra em campo com 10 homens, o que pode ser fatal na fase de mata-mata.
Como já se tornou rotina, os melhores jogadores do Brasil foram o zagueiro Lúcio, que anulou Cristiano Ronaldo e salvou a seleção em momentos cruciais, e o goleiro Júlio César, na minha opinião, o melhor do mundo em sua posição. Mas nem tudo está perdido: parece que o Felipe Melo está machucado. Não que Josué, Ramires ou Kléberson sejam craques, mas qualquer jogador é melhor que o esquentadinho Felipe Melo.
No jogo desta manhã ficou evidente a falta de suplentes de qualidade no plantel convocado por Dunga. A única opção razoável seria manter o Nilmar no ataque titular ao lado de Luís Fabiano e colocar Kaká e Robinho para armarem as jogadas, o que duvido muito que seja feito pelo nosso mal-humorado e mal-educado técnico.
No primeiro jogo da 2a fase, vamos enfrentar o Chile, que já vencemos nas mesmas oitavas-de-final em 1998 e também em duas oportunidades nas últimas eliminatórias. A equipe chilena tem um estilo de jogo que facilita o futebol jogado pelo Brasil. A princípio, um adversário que não deverá oferecer muito perigo. Só que esse favoritismo e os muitos defeitos da equipe brasileira apontados ao longo desse texto não me deixam muito confiante. Agora que a Copa do Mundo começou efetivamente, espero que o Brasil finalmente deslanche, mantendo a tradição da equipe de Dunga de "crescer ao longo da competição".
Não preciso nem dizer que, apesar de Brasil x Portugal ter sido um dos jogos mais chatos do Mundial, não troquei de canal uma só vez para saber como andava Coréia do Norte x Costa do Marfim, que acabou ganhando de (apenas) 3 a 0 e se tornou mais uma seleção africana eliminada na 1a fase. Esse resultado só serviu para nos envergonhar, já que o Brasil foi a única seleção que tomou gol da 32a colocada na Copa.
Chile x Espanha e Suíça x Honduras
Promessa de jogo disputado entre a campeã européia e a segunda colocada nas eliminatórias sul-americanas, já que a vitória da Suíça sobre a fraquíssima Honduras estava quase certa, e as outras duas seleções estavam jogando pela vaga às oitavas. E o primeiro tempo foi realmente muito bom, com os dois times brigando pelo gol. A Espanha, com sua terceira formação diferente em seu terceiro jogo (ao contrário do Brasil, a Espanha tem em seu banco jogadores que seriam titulares em qualquer equipe do mundo) novamente mostrou um bom futebol, com armações de jogadas perigosas e boa movimentação, mas só marcou seu primeiro tento (novamente David Villa, acertando um difícil chute de fora da área) em uma falha bisonha do goleiro chileno. O segundo gol veio numa excelente troca de passes entre Villa (olha ele aí de novo), Torres e Iniesta, que coroou sua recuperação de um problema muscular (que o atrapalhou durante toda a temporada, fazendo-o permanecer no departamente médico do Barcelona mais tempo do que em campo) mandando a bola pro fundo da rede.
O Chile diminuiu no segundo tempo, em um gol muito parecido com o chute de Ramires no jogo contra Portugal: só tomou a direção certa após desviar no zagueiro adversário. Depois disso, pouca coisa aconteceu na partida. O 0 a 0 no outro jogo do grupo classificava tanto Espanha quanto Chile, e nenhum dos dois fez muita coisa para tentar alterar o placar. Para não pegar no sono, acabei trocando de canal nos últimos dez minutos e me surpreendi com o jogo extremamente disputado entre Suíça e Honduras. Era ataque de um lado e contra-ataque de outro, num jogo rápido e movimentado. O único problema é que os dois times são muito (mas muito mesmo) ruins e nenhum dos dois conseguiu finalizar uma única bola decentemente. Parecia comédia. Cada chute! Cada finalização! Tento, mas não consigo encontrar palavras para descrever a total ausência de futebol mostrada em campo pelas equipes. A Espanha deve estar até agora tentanto entender como conseguiu tomar um gol da Suíça.
Apito final, e Espanha e Chile classificados. Com a Fúria em primeiro do grupo, como torcia o Brasil.
Com a derrota chilena, a América do Sul perdeu sua invencibilidade, mas, pela primeira vez na História, classificou suas 5 seleções para a segunda fase. Enquanto isso, das 13 seleções européias que iniciaram a competição, somente 6 permaneceram. E jogam todas entre si, o que significa apenas 3 times europeus nas quartas-de-final (em oposição às 4 equipes da Europa nas semi-finais de 2006).
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Rodada final da 1a fase III
Dinamarca x Japão e Camarões x Holanda
Único grupo com um jogo "amistoso". No caso, Camarões x Holanda. O primeiro já estava eliminado, após 2 derrotas. O segundo, já classificado e com o 1o lugar do grupo praticamente garantido. Apesar de Dinamarca x Japão prometer mais emoção, visto que havia uma vaga nas oitavas-de-final em disputa, não consegui dispensar a Holanda. Explico: sou fã do futebol holandês. Sempre fui. Agora, com craques como Robben, Van der Vaart, Van Persie e Sneijder em campo, mais ainda. É o estilo de futebol mais bonito e agradável de se ver, junto com o brasileiro. Isto é, quando o Brasil joga como Brasil, é claro. Não quando joga como Itália, vide essa seleção do Dunga.
A Holanda não vem jogando muito bem nesta Copa, verdade seja dita. Estreou tímida contra a Dinamarca e fez um joguinho bem ruim contra o Japão. Hoje, seja por já estar classificada, seja por estar mais entrosada, a seleção laranja começou melhor. Não teve muitas chances de gol no primeiro tempo, mas acertou o toque de bola e se soltou mais que nas partidas anteriores. Ainda não é a Holanda da Euro 2008 (eliminada pela Rússia no melhor jogo da competição), mas torço para que continue evoluindo pra fazer bonito na Copa.
O primeiro tempo terminou 1 a 0 pros europeus, com um belo gol de Van Persie, que ainda não havia marcado na competição. Na segunda etapa, a Holanda pareceu satisfeita e deixou a seleção de Camarões se empolgar. Depois de muito tentar, o time africano empatou, em pênalti cobrado por Eto'o depois de uma bobeira de Van der Vaart na grande área. O goleirão Stekelenburg, que vem fazendo bonito na posição que durante anos foi de Van der Sar, pulou bem e quase defendeu, mas Eto'o cobrou melhor. Camarões ficou feliz com seu primeiro ponto na competição e novamente o jogo amornou. Até pensei em trocar de canal, pra assistir o desfecho de Dinamarca x Japão, que, nesse momento, se classificava com a vitória parcial de 2 a 1, mas o técnico Bert Van Marwijk colocou Robben no time e eu não perderia isso por nada. Valeu a pena. Foi dele o lindo chute de fora da área, cheio de efeito (aliás, uma marca registrada sua) que bateu na trave, e cujo rebote Huntelaar aproveitou para selar a vitória holandesa.
A laranja segue com 100% de aproveitamento, assim como a Argentina. As únicas seleções que ainda podem alcançar essa marca são Brasil e Chile. A tarefa brasileira parece mais fácil que a chilena, mas com as zebras anti-Europa soltas por aí, nunca se sabe.
Enquanto isso, continuo aguardando uma bela apresentação por parte da seleçao holandesa. Será que estão aguardando o início do mata-mata?
Para falar de Dinamarca x Japão vou ter q assistir o VT, mas os melhores momentos não sugerem uma partida muito emocionante. O 3 a 1 para o Japão, com 2 gols de falta, corrobora com a fama japonesa de "equipe tecnicamente aplicada e só" que vem sendo criada neste Mundial.
Já a Dinamarca, mesmo sem o peso de um (ou quatro) título mundial nas costas, como França e Itália, entra pro rol das decepções européias. A bela campanha nas eliminatórias, terminando em primeiro lugar no seu grupo e deixando pra trás Portugal de Cristiano Ronaldo e a Suécia de Ibrahimovic, prometia uma boa participação dinamarquesa na Copa. No entanto, as falhas bisonhas de defesa nos jogos contra Holanda e Camarões, em que só venceu pela total incapacidade do time africano de segurar a vitória, e o ataque ineficiente causaram a eliminação precoce de mais uma equipe européia. Enquanto isso, os sul-americanos seguem invictos.
Esqueci de mencionar no post anterior a campanha surpreendente da Nova Zelândia. Qualquer pessoa que entenda minimamente de futebol esperaria uma participação ridícula do time da Oceania no Mundial. Diante de Itália, Paraguai e Eslováquia, só restava aos All Whites torcer para não tomar nenhuma goleada, visto que a última colocação no grupo era quase certa. Ao invés disso, a Nova Zelândia se despede da Copa do Mundo com 2 gols marcados, 3 empates e nenhuma derrota. Ficaram com 1 ponto a menos que sua eterna rival Austrália, mas podem até tirar uma onda por não terem tomado 4 gols num só jogo, como aconteceu com os Socceroos diante da Alemanha na 1a rodada.
Outro comentário que esqueci de fazer anteriormente: adorei a quantidade de jogadores negros em times europeus de (teoricamente) primeira linha. Como já vem acontecendo há um bom tempo, boa parte das seleções de França e Inglaterra, além de alguns jogadores de Alemanha e também da Suiça (que não faz parte das "seleções de primeira linha", mas, até agora, fez uma camapanha bem melhor que a francesa) são negros. E daqueles bem negros mesmo, não "escurinhos" que nem os nossos negros. Tô achando que o imperialismo do final do século XIX / início do século XX tinha finalidade esportiva...
(Não mencionei a Holanda pq estou é surpresa com a pequena quantidade de negros na seleção laranja, que costuma estar recheada de surinameses ou descendentes).
Único grupo com um jogo "amistoso". No caso, Camarões x Holanda. O primeiro já estava eliminado, após 2 derrotas. O segundo, já classificado e com o 1o lugar do grupo praticamente garantido. Apesar de Dinamarca x Japão prometer mais emoção, visto que havia uma vaga nas oitavas-de-final em disputa, não consegui dispensar a Holanda. Explico: sou fã do futebol holandês. Sempre fui. Agora, com craques como Robben, Van der Vaart, Van Persie e Sneijder em campo, mais ainda. É o estilo de futebol mais bonito e agradável de se ver, junto com o brasileiro. Isto é, quando o Brasil joga como Brasil, é claro. Não quando joga como Itália, vide essa seleção do Dunga.
A Holanda não vem jogando muito bem nesta Copa, verdade seja dita. Estreou tímida contra a Dinamarca e fez um joguinho bem ruim contra o Japão. Hoje, seja por já estar classificada, seja por estar mais entrosada, a seleção laranja começou melhor. Não teve muitas chances de gol no primeiro tempo, mas acertou o toque de bola e se soltou mais que nas partidas anteriores. Ainda não é a Holanda da Euro 2008 (eliminada pela Rússia no melhor jogo da competição), mas torço para que continue evoluindo pra fazer bonito na Copa.
O primeiro tempo terminou 1 a 0 pros europeus, com um belo gol de Van Persie, que ainda não havia marcado na competição. Na segunda etapa, a Holanda pareceu satisfeita e deixou a seleção de Camarões se empolgar. Depois de muito tentar, o time africano empatou, em pênalti cobrado por Eto'o depois de uma bobeira de Van der Vaart na grande área. O goleirão Stekelenburg, que vem fazendo bonito na posição que durante anos foi de Van der Sar, pulou bem e quase defendeu, mas Eto'o cobrou melhor. Camarões ficou feliz com seu primeiro ponto na competição e novamente o jogo amornou. Até pensei em trocar de canal, pra assistir o desfecho de Dinamarca x Japão, que, nesse momento, se classificava com a vitória parcial de 2 a 1, mas o técnico Bert Van Marwijk colocou Robben no time e eu não perderia isso por nada. Valeu a pena. Foi dele o lindo chute de fora da área, cheio de efeito (aliás, uma marca registrada sua) que bateu na trave, e cujo rebote Huntelaar aproveitou para selar a vitória holandesa.
A laranja segue com 100% de aproveitamento, assim como a Argentina. As únicas seleções que ainda podem alcançar essa marca são Brasil e Chile. A tarefa brasileira parece mais fácil que a chilena, mas com as zebras anti-Europa soltas por aí, nunca se sabe.
Enquanto isso, continuo aguardando uma bela apresentação por parte da seleçao holandesa. Será que estão aguardando o início do mata-mata?
Para falar de Dinamarca x Japão vou ter q assistir o VT, mas os melhores momentos não sugerem uma partida muito emocionante. O 3 a 1 para o Japão, com 2 gols de falta, corrobora com a fama japonesa de "equipe tecnicamente aplicada e só" que vem sendo criada neste Mundial.
Já a Dinamarca, mesmo sem o peso de um (ou quatro) título mundial nas costas, como França e Itália, entra pro rol das decepções européias. A bela campanha nas eliminatórias, terminando em primeiro lugar no seu grupo e deixando pra trás Portugal de Cristiano Ronaldo e a Suécia de Ibrahimovic, prometia uma boa participação dinamarquesa na Copa. No entanto, as falhas bisonhas de defesa nos jogos contra Holanda e Camarões, em que só venceu pela total incapacidade do time africano de segurar a vitória, e o ataque ineficiente causaram a eliminação precoce de mais uma equipe européia. Enquanto isso, os sul-americanos seguem invictos.
Esqueci de mencionar no post anterior a campanha surpreendente da Nova Zelândia. Qualquer pessoa que entenda minimamente de futebol esperaria uma participação ridícula do time da Oceania no Mundial. Diante de Itália, Paraguai e Eslováquia, só restava aos All Whites torcer para não tomar nenhuma goleada, visto que a última colocação no grupo era quase certa. Ao invés disso, a Nova Zelândia se despede da Copa do Mundo com 2 gols marcados, 3 empates e nenhuma derrota. Ficaram com 1 ponto a menos que sua eterna rival Austrália, mas podem até tirar uma onda por não terem tomado 4 gols num só jogo, como aconteceu com os Socceroos diante da Alemanha na 1a rodada.
Outro comentário que esqueci de fazer anteriormente: adorei a quantidade de jogadores negros em times europeus de (teoricamente) primeira linha. Como já vem acontecendo há um bom tempo, boa parte das seleções de França e Inglaterra, além de alguns jogadores de Alemanha e também da Suiça (que não faz parte das "seleções de primeira linha", mas, até agora, fez uma camapanha bem melhor que a francesa) são negros. E daqueles bem negros mesmo, não "escurinhos" que nem os nossos negros. Tô achando que o imperialismo do final do século XIX / início do século XX tinha finalidade esportiva...
(Não mencionei a Holanda pq estou é surpresa com a pequena quantidade de negros na seleção laranja, que costuma estar recheada de surinameses ou descendentes).
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