EU AMO FUTEBOL!!!
Partidas como essa compensam por todas as peladas do campeonato brasileiro, por todas as exibições de 3a categoria da seleção brasileira de Dunga contra times fraquíssimos como Coréia do Norte ou Venezuela, por todos os joguinhos sem graça do campeonato carioca. Partidas como essa fazem a Copa do Mundo inteira valer a pena, incluindo Paraguai x Nova Zelândia ou Suiça x Honduras. Partidas como essa fazem até a gente torcer pela seleção rival. No caso, a Alemanha, que, se vencer a Copa, terá merecido essa conquista, em função do futebol apresentado hoje (é claro que o fato de os alemães terem a Argentina como próximo adversário facilita essa recente torcida...). Hoje, contra a Inglaterra, a Alemanha reencontrou o futebol que encantou o mundo contra a fraquíssima Austrália em sua partida de estréia. E espero que não o perca novamente.
Klose, Podolski e Müller formam um trio de atacantes extremamente eficiente e perigoso. Com Özil servindo de garçom, qualquer contra-ataque alemão pode ser fatal (e hoje a Alemanha deu uma verdadeira aula de contra-ataque. Será que Dunga estava assistindo?). Pra completar, a equipe germânica ainda tem Schweinsteiger, possivelmente o melhor volante da Copa, e Khedira, que não deixa saudades de Michael Ballack, cortado do mundial por uma lesão no último jogo do Chelsea na temporada. A zaga, formada por Mertesacker e Friedrich, não é o ponto mais forte do time, mas tampouco deixa a desejar. Lahm, pela direita, apoia o ataque tão bem quanto cobre a defesa. Boateng, pela esquerda, ainda é o ponto fraco do time, mas vem jogando melhor que o titular original da posição, Badstuber. No gol, Neuer, originalmente o terceiro goleiro do time, alterna excelentes defesas e saídas inseguras, mas, apesar da falha no gol inglês, segurou o resultado no segundo tempo. A Alemanha ainda pode se gabar de ter no banco de reservas Trochoswki, Mario Gomez e até o brasileiro naturalizado Cacau. O técnico Joachim Löw formou um time jovem, mas experiente, e que não se intimida com o peso da tradicionalíssima camisa alemã.
A Inglaterra começou o jogo apática, exatamente como jogara as 3 partidas anteriores. Só que a Alemanha não é EUA, Argélia ou Eslovênia. E Klose mostrou porque é o segundo alemão com mais gols em Copas (agora são 12), se antecipando ao zagueiro Upson e abrindo o placar aos 19 minutos. A seleção tricampeã ainda obrigaria o goleiro James a fazer bela defesa antes de entortar o English Team com seu toque de bola: de Özil para Klose, para Müller, para Podolski, para o fundo da rede. Foi aí que a Inglaterra acordou e decidiu mostrar para o mundo porque eu a considerava uma das favoritas à conquista da Copa. Foi aí também que nasceu a melhor partida desta Copa (muito possivelmente, da Copa inteira, independentemente do que ainda há por vir) e uma das melhores partidas de futebol que eu já assisti.
Upson se redimiu da falha no primeiro gol alemão e diminuiu a diferença no placar de cabeça, após saída esquisita de Neuer. Logo depois, o lance do jogo: Lampard (que decidiu "entrar em campo" hoje) mandou uma bomba de fora da área. A bola bateu no travessão e quicou dentro (muito dentro) do gol, mas o juiz e o bandeirinha (vesgos?) não validaram o tento, em uma espécie de "vingança" alemã da final da Copa de 1966, quando a Inglaterra, em final contra o mesmo adversário de hoje, teve validado um gol em que a bola nunca ultrapassou a linha.
A partir daí os dois times continuaram tocando a bola rapidamente, marcando o adversário no campo de ataque, pressionando em busca de mais gols, e proporcionando aos espectadores um espetáculo sem igual. O jogo foi corrido, disputado, leal, lindo. Qualquer coisa poderia acontecer e eu não conseguia nem piscar os olhos, com medo de perder uma jogada crucial.
Mas a Inglaterra jogava com 10 jogadores, e esse detalhe fez a diferença para o lado alemão. Se Lampard se redimiu das atuações apagadas nos primeiros jogos, mandando ainda outra bola no travessão (mas, dessa vez, sem quique dentro do gol), o mesmo não se pode dizer de Wayne Rooney, que, em todo o Mundial, não foi nem sombra do craque que não deixou os torcedores do Manchester United sentirem falta de Cristiano Ronaldo. Rooney pouco fez e, quando tocou na bola, não teve objetividade, ou mira, para chutá-la em direção ao gol.
Enquanto a Inglaterra (não) tinha Rooney, a Alemanha tinha Müller, que marcou seu segundo gol na competição após conta-ataque rápido de Schweinsteiger, no rebote de uma falta batida por Lampard em cima da barreira. O English Team sentiu o golpe. Joe Cole, no lugar de Milner, ainda tentava ajudar o ataque inglês, mas cada vez que a Inglaterra partia pra cima da seleção germânica, dava espaço pro contra-ataque alemão: Özil correu praticamente o campo inteiro antes de cruzar para Müller, livre, fazer seu segundo gol na partida.
O quarto gol alemão poderia ter fechado o caixão inglês, mas a Inglaterra continuou lutando, assim como a Alemanha. Um disputa de bola de Trochoswki (que entrara no lugar de Müller) no meio de campo foi sintomática da garra alemã na partida. Mas não houve mais alterações no placar.
É claro que o gol de empate da Inglaterra, se validado, poderia ter mudado a história dessa partida. Mas futebol tem dessas coisas (algo que a Fifa tanto gosta de ressaltar), e o dia hoje era mesmo da Alemanha.
Quando o jogo acabou, eu estava em estado de êxtase. Mas não demorou muito para que a minha felicidade se transformasse em desespero: enquanto a Alemanha tem Schweinsteiger, nós temos Felipe Melo; enquanto a Alemanha tem Özil, nós temos Elano. É pra sentar e chorar. Só nos resta torcer para que o pé frio do Mick Jagger não resolva assistir Brasil x Chile amanhã.
O Mick Jagger vai torcer pelo Chile.
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