sexta-feira, 25 de junho de 2010

Rodada final da 1a fase IV

Brasil x Portugal

Tive que pensar muito antes de escrever sobre esse jogo. Até porque, sobre o jogo mesmo, não há quase nada para escrever (uma amiga me sugeriu publicar a resenha dessa partida no twitter, pois 140 caracteres seriam suficientes). Uma jogada perigosa de Nilmar no primeiro tempo, um chute a gol de Ramires no segundo (que só pode ser considerado "a gol" por causa do desvio no jogador português) e uma boa defesa de Júlio César. Fora isso, faltas grosseiras e desnecessárias. O estilo Muay Thai da partida não nos permite dizer que foi um "jogo de compadres", mas ambos os times pareceram muito satisfeitos com o empate sem gols.
Nilmar ainda tentou tirar o zero do placar no primeiro tempo, mas a total falta de criatividade do meio de campo da seleção (primeiramente com Gilberto Silva, Daniel Alves, Felipe Melo e Júlio Baptista e, depois, com Josué e Ramires no lugar dos dois últimos, respectivamente) isolou os dois atacantes brasileiros na frente, e poucas chances de gol foram criadas. Júlio Baptista não aproveitou a excelente oportunidade que o cartão vermelho de Kaká lhe proporcionou e passou despercebido em campo. Só nos resta rezar para que o meia do Real Madri não seja mais suspenso e não sofra nenhuma contusão até o fim do Mundial. Somente Maicon, mais uma vez, tentou criar alguma coisa, pela direita, mas a falta de apoio no meio de campo lhe impediu. Enquanto isso, Michel Bastos completou seu terceiro jogo sem entrar em campo.
Desde que Dunga assumiu o comando da seleção e Roberto Carlos aposentou sua camisa amarela (que já deveria ter sido aposentada bem antes da Copa da Alemanha), a lateral esquerda se tornou o maior problema da nossa equipe. Se Dunga não gosta de Fábio Aurélio (que sofre com contusões constantes, mas, sempre que entra em campo, faz belas partidas pelo Liverpool), Maxwell (que fez uma excelente temporada pelo Barcelona, após contusão do titular Abidal) ou Marcelo (titular do Real Madri), poderia ter convocado André Santos (Fenerbahçe), Juan (Flamengo) ou até mesmo Richarlyson (São Paulo). Só não faz o menor sentido chamar para a disputa de uma Copa do Mundo dois jogadores que há tempos não atuam na lateral esquerda: Michel Bastos, que fez ótima temporada no Lyon, jogando como meia-direita, e que não joga na lateral desde que saiu do Grêmio, em 2005, e Gilberto, que teve boa carreira como lateral, mas agora, aos 34 anos e sem fôlego para correr o campo inteiro por 90 minutos, migrou para o meio de campo. Jogando com Michel Bastos, o Brasil entra em campo com 10 homens, o que pode ser fatal na fase de mata-mata.
Como já se tornou rotina, os melhores jogadores do Brasil foram o zagueiro Lúcio, que anulou Cristiano Ronaldo e salvou a seleção em momentos cruciais, e o goleiro Júlio César, na minha opinião, o melhor do mundo em sua posição. Mas nem tudo está perdido: parece que o Felipe Melo está machucado. Não que Josué, Ramires ou Kléberson sejam craques, mas qualquer jogador é melhor que o esquentadinho Felipe Melo.
No jogo desta manhã ficou evidente a falta de suplentes de qualidade no plantel convocado por Dunga. A única opção razoável seria manter o Nilmar no ataque titular ao lado de Luís Fabiano e colocar Kaká e Robinho para armarem as jogadas, o que duvido muito que seja feito pelo nosso mal-humorado e mal-educado técnico.

No primeiro jogo da 2a fase, vamos enfrentar o Chile, que já vencemos nas mesmas oitavas-de-final em 1998 e também em duas oportunidades nas últimas eliminatórias. A equipe chilena tem um estilo de jogo que facilita o futebol jogado pelo Brasil. A princípio, um adversário que não deverá oferecer muito perigo. Só que esse favoritismo e os muitos defeitos da equipe brasileira apontados ao longo desse texto não me deixam muito confiante. Agora que a Copa do Mundo começou efetivamente, espero que o Brasil finalmente deslanche, mantendo a tradição da equipe de Dunga de "crescer ao longo da competição".

Não preciso nem dizer que, apesar de Brasil x Portugal ter sido um dos jogos mais chatos do Mundial, não troquei de canal uma só vez para saber como andava Coréia do Norte x Costa do Marfim, que acabou ganhando de (apenas) 3 a 0 e se tornou mais uma seleção africana eliminada na 1a fase. Esse resultado só serviu para nos envergonhar, já que o Brasil foi a única seleção que tomou gol da 32a colocada na Copa.

Chile x Espanha e Suíça x Honduras

Promessa de jogo disputado entre a campeã européia e a segunda colocada nas eliminatórias sul-americanas, já que a vitória da Suíça sobre a fraquíssima Honduras estava quase certa, e as outras duas seleções estavam jogando pela vaga às oitavas. E o primeiro tempo foi realmente muito bom, com os dois times brigando pelo gol. A Espanha, com sua terceira formação diferente em seu terceiro jogo (ao contrário do Brasil, a Espanha tem em seu banco jogadores que seriam titulares em qualquer equipe do mundo) novamente mostrou um bom futebol, com armações de jogadas perigosas e boa movimentação, mas só marcou seu primeiro tento (novamente David Villa, acertando um difícil chute de fora da área) em uma falha bisonha do goleiro chileno. O segundo gol veio numa excelente troca de passes entre Villa (olha ele aí de novo), Torres e Iniesta, que coroou sua recuperação de um problema muscular (que o atrapalhou durante toda a temporada, fazendo-o permanecer no departamente médico do Barcelona mais tempo do que em campo) mandando a bola pro fundo da rede.
O Chile diminuiu no segundo tempo, em um gol muito parecido com o chute de Ramires no jogo contra Portugal: só tomou a direção certa após desviar no zagueiro adversário. Depois disso, pouca coisa aconteceu na partida. O 0 a 0 no outro jogo do grupo classificava tanto Espanha quanto Chile, e nenhum dos dois fez muita coisa para tentar alterar o placar. Para não pegar no sono, acabei trocando de canal nos últimos dez minutos e me surpreendi com o jogo extremamente disputado entre Suíça e Honduras. Era ataque de um lado e contra-ataque de outro, num jogo rápido e movimentado. O único problema é que os dois times são muito (mas muito mesmo) ruins e nenhum dos dois conseguiu finalizar uma única bola decentemente. Parecia comédia. Cada chute! Cada finalização! Tento, mas não consigo encontrar palavras para descrever a total ausência de futebol mostrada em campo pelas equipes. A Espanha deve estar até agora tentanto entender como conseguiu tomar um gol da Suíça.
Apito final, e Espanha e Chile classificados. Com a Fúria em primeiro do grupo, como torcia o Brasil.

Com a derrota chilena, a América do Sul perdeu sua invencibilidade, mas, pela primeira vez na História, classificou suas 5 seleções para a segunda fase. Enquanto isso, das 13 seleções européias que iniciaram a competição, somente 6 permaneceram. E jogam todas entre si, o que significa apenas 3 times europeus nas quartas-de-final (em oposição às 4 equipes da Europa nas semi-finais de 2006).

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