Eslováquiva 3 x 2 Itália
Em disparado, a melhor partida da Copa até agora. Um jogo com todos os ingredientes que o futebol pode oferecer, e que me fazem ser completamente apaixonada por esse esporte: mudanças contantes no placar, disputas acirradas de bola, gol salvo em cima da linha, impedimento duvidoso e chances de gol (e classificação) até o último minuto.
Quando foram sorteados os confrontos da Copa da África do Sul, no final do ano passado, eu só considerei dois times praticamente classificados, pela facilidade do grupo em que haviam caído: Argentina (que venceu sem problemas Nigéria, Coréia do Sul e Grécia) e Itália, que, a meu ver, passaria facilmente por Eslováquia e Nova Zelândia (com direito a goleada) e só teria dificuldades diante do Paraguai. Ledo engano. A Eslováquia, que se mostrava uma das equipes mais fracas do Mundial até hoje, enterrou o caixão italiano esta tarde, explicitando uma crise que, se na França já estava à mostra há bastante tempo, na Itália ainda estava camuflada pela áurea de tetracampeã.
Há algum tempo a Itália vem despencando no ranking da UEFA. A ponto de torcedores de Milan, Juventus, Roma e Fiorentina terem comemorado a vitória da Inter de Milão na final da Liga dos Campeões da UEFA desta temporada, que significou a manutenção de 4 vagas na competição para times italianos (caso o Bayern tivesse ganho, no tempo regulamentar ou nos pênaltis, a Alemanha teria "roubado" da Itália o direito de ter 4 times disputando a maior competição de clubes do mundo). No entanto, o melhor time da Itália, vencedor dos 5 últimos campeonatos italianos e, este ano, da tríplice coroa (Campeonato Italiano, Copa da Itália e Liga dos Campeões da UEFA), não tem um único jogador italiano titular (e apenas 6 na reserva). Sofrendo com a falta de renovação, os titulares da seleção italiana jogam em times de segunda categoria, como Udinese, Genoa, Fiorentina e Napoli.
Além disso, Marcello Lippi fez questão de deixar de fora alguns dos melhores jogadores do país, como Totti (que havia se aposentado da seleção após a conquista da Copa da Alemanha, mas recentemente disse estar disposto a voltar), Luca Toni (que, dispensado por Louis Van Gaal do Bayern, vinha recuperando a boa forma na Roma, e tem um histórico decisivo), Perrotta, Aquilani, Balotelli e Cassano (os dois últimos considerados "rebeldes", mas certamente talentosos).
Ao contrário do que aconteceu ontem com a Inglaterra de Fabio Cappello, as mudanças de Lippi na equipe italiana para o jogo decisivo não surtiram efeito, e o time parecia ainda mais apático que nas partidas anteriores. De Rossi, que, apesar de ser volante, vinha sendo o único responsável pelos raros lampejos de criatividade no meio de campo italiano, falhou feio numa saída de bola e deu de presente o primeiro gol da Eslováquia. A única jogada de perigo da Itália no primeiro tempo foi um quase gol contra do zagueiro eslovaco Skrtel.
No segundo tempo o jogo foi outro. Lippi fez três alterações, colocando em campo Quagliarella, o melhor da partida e autor do belíssimo segundo gol italiano, Maggio e, posteriormente, Pirlo, que voltava de contusão, mas a Itália ainda parecia satisfeita com o resultado. O primeiro chute a gol da azzurra saiu somente aos 10 minutos da segunda etapa, e o empate em 0 a 0 entre Paraguai e Nova Zelândia no outro jogo do grupo fazia com que a classificação italiana dependesse apenas de um gol.
Foi somente quando a Eslováquia ampliou a vantagem, em uma falha do zagueiro Chiellini (que, ironicamente, tinha sido, assim como De Rossi, o destaque do time nas duas partidas anteriores) que a Itália percebeu que precisaria jogar futebol para não passar vexame e ser eliminada ainda na primeira fase, sem uma vitória sequer. A partida ficou movimentada e Skrtel, que quase marcara contra, salvou um chute de Quagliarella em cima da linha. A partir daí, o jogo foi "lá e cá" até o apito final. A Itália marcou seu primeiro gol aos 35 minutos com Di Natale (o que ele estava fazendo na reserva, Lippi?!) e teve seu gol de empate (que a classificaria) anulado por impedimento, mas, logo depois, a Eslováquia marcou seu terceiro tento (em mais uma falha de De Rossi). Parecia o fim da Azzurra. Só que Quagliarella estava em campo e, com um chutaço de fora da área, encobriu o goleiro eslovaco e manteve a Itália viva, diminuindo a diferença para somente um gol. Os últimos cinco minutos foram eletrizantes, mas Pepe mandou pra fora a última bola do jogo e o placar final foi mesmo a vitória eslovaca.
Nem preciso dizer que foi impossível trocar de canal uma vez sequer para saber como andava o jogo entre Paraguai e Nova Zelândia (que, pelo placar final de 0 a 0, não deve mesmo ter sido grande coisa).
A eliminação das atuais campeã e vice-campeã do mundo ainda na primeira fase, e sem nenhuma vitória, evidencia o baixíssimo nível técnico da última Copa do Mundo, que só não foi pior que a Copa de 90. Só nos resta esperar que a Copa da África melhore a partir do mata-mata. Não aguento mais 1 a 0!
Só discordo quanto ao Luca Toni. Na minha humilde opinião, ele é pouco melhor do que um poste.
ResponderExcluirOlha, pra liberar os comentários faz o seguinte: vai Configurações - Comentários. Lá tem a pergunta "Quem pode comentar?" Marca "qualquer um". Permite até comentários anônimos, mas enquanto o teu blog não tiver a mesma "audiência" do blog do Juca Kfouri, não tem problema.
Resolvido o problema.
ResponderExcluirTb não sou muito fã do Luca Toni não, mas o cara tem faro de gol (ou seja, é cagão). Algo que fez muita falta à Itália nesta Copa.