quarta-feira, 7 de julho de 2010

Argentina 0 x 4 Alemanha - e a alma brasileira lavada

Não, a Copa não perdeu a graça depois que o Brasil foi eliminado. Muito pelo contrário. Não tenho escrito pq, dentre assistir os jogos, trabalhar e assistir as mesas redondas, quase não tem sobrado tempo pra escrever, por mais que eu tenha muito pra falar. Mas vou tentar passar pra vcs um pouco do que aconteceu no mundo no futebol nos últimos dias, mesmo com atraso...

Pois é... Pra curar a ressaca do futebolzinho irregular do time do Dunga e da eliminação diante da Holanda, nada melhor que ver Argentina tomar um chocolate alemão. Maradona, escorrendo sebo na beira do campo, foi ficando cada vez mais assustado com os gols germânicos, que pareciam até o tal ketchup português ("Golo é que nem ketchup: quando aparece, aparece tudo de uma vez", citando o poeta Cristiano Ronaldo).
A tampa do ketchup abriu logo aos 3 minutos de jogo. Schweinsteiger cobrou falta, e o péssimo goleiro argentino ficou agachado no campo, esperando a bola chegar nas suas mãos, como se mais ninguém estivesse em campo. Müller deu um leve desvio de cabeça, e a bola entrou. Inicialmente, a Argentina ficou abalada, mas logo se refez e passou a primeira etapa do jogo buscando o empate: alguns lances isolados de Messi, uma ou outra boa jogada de Tévez ou Higuaín. Só que a Alemanha não é o México. Muito menos a Grécia, a Nigéria ou a Coréia do Sul. O time germânico continuou buscando o ataque e tendo boas chances diante da tenebrosa defesa argentina.
A equipe de Maradona tem tantos atacantes excelentes, que, mesmo jogando com três homens na frente, pode se dar ao luxo de ter mais três no banco, dois dos quais seriam titulares em qualquer outra equipe (é óbvio que não estou falando do Palermo). O problema é que do meio de campo pra trás a Argentina é quase nula. Demichelis já havia mostrado contra a Coréia do Sul porque os hermanos têm tanto medo de sofrer um contra-ataque. Heinze é o Cannavaro argentino: já foi excelente, mas o técnico não percebeu que o tempo passou. De Burdisso e Otamendi então é melhor nem falar nada, pois, se eu fosse argentina, encheria o blog de palavrões, mas como sou brasileira, corro sérios riscos de elogiar os dois defensores. Sobra para Mascherano, sozinho, tentar segurar o ataque adversário, já que El Pibe cometeu o pecado de não convocar Cambiasso, provavelmente o melhor volante do mundo. Com Samuel machucado e nomes como Jonas Gutiérrez no banco, Dieguito não tinha realmente muito o que fazer. E ficou provado que um time não pode ser campeão se não tiver um elenco completo, ou ao menos algo perto disso.
No segundo tempo, o que ainda restava da Argentina se desfez. Schweinsteiger, novamente, - o melhor em campo - lutou por uma bola e, já deitado, acabou passando para Podolski cruzar e Klose marcar. Se estava difícil para os hermanos, a tarefa tornou-se hercúlea. Messi sumiu; Higuaín dava a impressão de ter ficado no vestiário durante o intervalo; Di María parecia uma barata tonta. Tévez era o único que ainda tentava alguma coisa. E se eu disser que Diego Milito não saiu do banco vc acreditaria? Pois é, quando decidiu mexer no time pra tentar empatar ou virar o jogo, Maradona colocou Pastore e, depois, seu genro Agüero, que nada puderam fazer diante da tragédia que estava para acontecer. A Argentina tentou partir pra cima, não conseguiu, e sofreu dois contra-ataques letais: Friedrich (em outro lance espetacular de Schweinsteiger, que entrou na área driblando como se fosse brasileiro) e Klose fecharam o caixão argentino e carimbaram o passaporte de Dieguito de volta pra Buenos Aires.

A Alemanha tem um timaço. No jogo das quartas de final, parecia uma mistura de drible brasileiro, criatividade holandesa e toque de bola espanhol. É a melhor surpresa da Copa. E, para isso, os alemães têm que agradecer a Kevin-Prince Boateng, o ganês (irmão do Boateng alemão) que tirou Ballack da Copa após entrada criminosa na final da Copa da Inglaterra. Ballack pra mim é como o inglês Lampard: superestimado. Até tem seus momentos, mas não é nem metade do que dizem por aí. E é notória a melhora do time na ausência do meio-campista.
Ocupando o espaço deixado por Ballack, Schweinsteiger (cujo nome eu só copio e colo, pois nunca vou aprender a escrever) se tornou o grande homem do time: defende, desarma, cria jogadas, dribla, cruza e finaliza. Está em todos os cantos do campo. Não há uma jogada alemã que não passe por seus pés. Pra mim, concorre com Villa e Sneijder pelo título de melhor jogador do torneio (mas deve perder para um desses dois, pois não é goleador). Acompanho o campeonato Alemão e a Liga dos Campeões assiduamente e confesso que sempre achei o alemão bom jogador, mas ele tem se superado na Copa. Até porque não joga no seu clube na posição em que está (muito bem) "improvisado". Özil e Müller são os outros destaques e excelentes surpresas da seleção germânica. Muito cuidado, pois estarão tinindo em 2014!

Um comentário:

  1. O Maradona quis mandar essa tática que só funcionava na cabeça dele e, assim como os brasileiros, na primeira vez que deu de cara com um time de verdade, rodou bonito. Agora... eu não posso rir muito dos hermanos, pois Deus nos livrou do pior vexame da história, pq como o Gérson disse (te mandei o vídeo?), esse nosso meio de campo foi o pior em 150 anos... rs

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