Não. Eu não esqueci do blog. Eu sei que a Copa já acabou há quase duas semanas, e talvez ninguém queira mais saber a minha opinião sobre os últimos quatro jogos, mas esses textos estão na minha cabeça há tempos, e eu tinha prometido pra mim mesma que assim que eu tivesse um tempinho os postaria aqui. Acreditem ou não, só agora eu consegui um tempinho livre pra me dedicar um pouquinho ao De Letra. Então lá vai...
Se faltou emoção na Copa nas primeiras rodadas, não podemos reclamar da fase final. Uruguai x Holanda parecia ser um daqueles jogos em que o favorito jogaria melhor e venceria fácil, com muitas emoções, mas poucas surpresas. Mas não foi bem isso que aconteceu. O favorito até venceu, e a partida realmente foi recheada de emoções, mas o Uruguai não entregou a vaga na final tão facilmente assim...
A Holanda tem mais time que o Uruguai, isso é verdade. E a equipe sul-americana teve seu caminho à semifinal facilitado pelo chaveamento (disputando a vaga com Gana, EUA e Coréia do Sul), apesar do emocionante jogo contra Gana. Mas isso é futebol e, em campo, existem vários outros fatores importantes além da técnica e do talento. Se a Holanda tem alguns dos melhores jogadores da atualidade, como Sneijder e Robben, e outros que não são craques, mas são extremamente técnicos e competentes, o Uruguai tem (de sobra) algo que falta ao Brasil há bastante tempo: garra. Além, é claro, de Diego Forlán.
No primeiro tempo, o jogo foi bem parelho, o que refletiu no placar parcial: 1 a 1. Von Bronckhorst marcou o primeiro com um lindo chute de muito longe logo no início do jogo, mas não demorou para que o Uruguai empatasse, em outro chute lindo de fora da área, de (quem?!) Forlán. Dois gols que entraram pra lista dos mais bonitos da Copa.
Na segunda etapa, a Holanda foi superior. Marcou o segundo gol numa irregularidade quase imperceptível, um daqueles impedimentos "perdoáveis", que a gente só sabe que foi irregular pq a Fifa colocou 32 câmeras em campo em cada jogo (um show de imagens e de transmissão, mas isso é assunto pra outro post). Van Persie, que pouco (ou nada) fez na Copa, fingiu desviar a bola chutada por Sneijder, mas nem chegou a tocá-la. Apesar disso, participou da jogada, ajudando a enganar o goleiro Muslera (que, convenhamos, não precisa nem ser enganado pra sofrer um gol). O atacante holandês estava com o pé alguns centímetros à frente do último zagueiro uruguaio, mas o juiz não deu o impedimento. Acho até que Van Persie tentou desviar a bola, mas chegou atrasado.
O gol acalmou o ânimo uruguaio, que poderia ter sido definitivamente cessado pelo terceiro tento holandês, marcado por Robben pouco depois. Kuyt, livre, cruzou para o atacante do Bayern de Munique, livre, cabecear pra rede. Que falta fez o Lugano! Mas, como eu já mencionei, a garra uruguaia é algo que eles deveriam exportar, fazendo workshops mundo afora (principalmente no Brasil). O Uruguai seguiu lutando. E, no fim do jogo, diminuiu a diferença numa jogada ensaiada (ironicamente, arma tão usada pela Holanda na Copa).
O gol deu ânimo extra à equipe uruguaia. Se a Holanda achava q a partida já estava ganha, se enganou. Os 5 minutos finais foram de presão total do Uruguai dentro da área holandesa. Não estou exagerando. Foi pressão TOTAL mesmo! Era bola pra dentro da área e todos os tipos de finalização, com a Holanda tentando eliminar o perigo, cortando as jogadas de qualquer jeito, zunindo a bola pra frente, respirando apenas por alguns segundos. Não dava nem pra piscar. Mas o juiz apitou o fim do jogo, e a Holanda comemorou no final. Tenho que dizer que eu tb, já q estava torcendo pela equipe laranja, apesar de apreciar a garra uruguaia.
Foi uma aula de futebol. Um partidaço, com jogadas lindas e muita superação.
Pra falar a verdade, o Uruguai não tinha time pra chegar a uma semifinal de Copa. A equipe é fraca. Tem alguns bons jogadores, mas não era nada demais, só garantindo sua vaga no Mundial aos 45 do segundo tempo (figurativamente). Mas, das eliminatórias pra cá, o time foi se encontrando. E a Copa despertou aquele "algo a mais" em alguns jogadores, muito diferente do que aconteceu com o Brasil.
Para ajudar na armação do time, Forlán teve que jogar fora de sua posição. E, ao contrário de Cristiano Ronaldo ou de Van Persie, deu o seu melhor. O atacante foi um dos melhores armadores da Copa e, de quebra, ainda foi um dos artilheiros, com 5 (lindos) gols. Lugano, já com quase 30 anos, foi um verdadeiro líder em campo. Na competição, o zagueiro fez algumas das melhores partidas de sua carreira. E Suárez mostrou pro mundo o que apenas os torcedores do Ajax sabiam: tem faro de gol (além de ser ótimo goleiro!). A equipe cresceu (e muito) na competição e, após chegar como azarão na fase final, fez por merecer a vaga nas semifinais (e, posteriormente, o 4o lugar).
O Uruguai pode não ter sido o melhor time da Copa e certamente está longe de ter uma das melhores equipes do mundo, mas protagonizou alguns dos melhores momentos do Mundial, fez uma campanha histórica e resgatou a auto-estima do futebol do país. Foi muito prazeroso acompanhar os jogos do Uruguai e mais prazeroso ainda descobrir que o Uruguai ainda sabe jogar futebol. Além disso, foi uma honra (e uma ironia) ter o desacreditado país representar os sul-americanos nas semifinais da Copa, após as eliminações de Brasil e Argentina. Parabéns para os nossos outros hermanos!
Sobre a Holanda, tb podemos dizer que o time cresceu na Copa. Jogou muito melhor contra Brasil e Uruguai do que contra Dinamarca, Japão, Camarões ou Eslováquia. Talvez porque finalmente tenha enfrentado adversários de respeito. Mas ainda deixou um pouco a desejar. Não porque não jogou bonito, mas porque em momento algum conseguiu "garantir" o jogo. Nas duas partidas, correu sérios riscos de perder a vantagem e a classificação até o último minuto. Se eu fiquei nervosa nos momentos finais do jogo contra o Uruguai, imagino como não ficaram os holandeses! Eu teria escrito aqui antes mesmo da grande final que esse pecado holandês poderia custar caro...
Se num post anterior eu fiz uma observação sobre a comemoração de David Villa, neste eu faço uma pausa no futebol para elogiar a alegria dos príncipes holandeses. Nem pareciam europeus (muito menos nobres), de tanto que comemoravam, aplaudiam, pulavam, torciam e acenavam. Deram de mil a zero nos filhos de Diana, que assistiram sentadinhos às partidas da Inglaterra. Ponto pra realeza holandesa! Ah... e os cachecóis laranja são tudo!
Qual a sua seleção para o amistoso contra os Estados Unidos?
ResponderExcluirA minha, sem pensar muuuuito: Diego Alves, Rafael, Tiago Silva, Alex Silva e Marcelo; Lucas, Hernanes, Denilson e Ganso; Neymar e Pato.
ResponderExcluirOu melhor: Tiago Motta no lugar do Hernanes.
ResponderExcluirIh, tem que ter o Diego!
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