sábado, 3 de julho de 2010

Sobre ontem

Peço desculpas aos visitantes do blog, mas minha nova rotina de trabalho está interferindo com a atualização do blog.
Prometo novos posts ainda esta noite, já que, sobre o jogo de ontem (os jogos, na verdade, pois Uruguai x Gana tb merece destaque) não tenho como escrever rápido. Ou pouco. Por favor, voltem mais tarde. Mas voltem, pois tenho bastante a dizer.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Espanha 1 x 0 Portugal

Eu gostaria de saber o que o time de Portugal foi fazer na África do Sul. Tenho a impressão de que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol virou para o Carlos Queiroz e disse: esqueça a classificação, esqueça melhorar o 4o lugar conquistado em 2006, vencer o Brasil ou até uma possível artilharia de Cristiano Ronaldo, sua missão é tirar a Costa do Marfim da Copa. Pois foi apenas isso o que Portugal fez no Mundial.
No 1o jogo, um 0 a 0 bem insosso contra os marfinenses. Parecia que os portugueses já planejavam golear a Coréia do Norte (tarefa q cabia ao Brasil, mas...), o que não foi muito difícil, para depois empatar com o Brasil, em outro 0 a 0, e tornar a classificação dos africanos quase impossível. Contra a nossa seleção, Portugal deve ter entrado em campo torcendo para que a Suíça ganhasse bem de Honduras e deixasse a Espanha com o 2o lugar de seu grupo, pois a equipe não fez o menor esforço para tentar ganhar de um Brasil desfalcado e completamente perdido em campo, com o objetivo de evitar o confronto com os espanhóis nas oitavas. E nem na fase de mata-mata os portugueses fizeram algum esforço, exceção feita ao excelente goleiro Eduardo, que, apesar de ter tomado seu primeiro e único gol na competição, impediu que Portugal sofresse uma goleada da atual campeã européia. Não à toa, Eduardo estava desolado ao final da partida, chorando copiosamente.

A seleção lusitana entrou em campo na 3a feira parecendo que estava ganhando de 2 a 0. Não disputava a bola, não marcava a saída de jogo espanhola e muito menos tentava atacar. Estavam todos os jogadores prostrados na entrada da grande área, impedindo que a Espanha tentasse chutar a gol. Tudo bem que Portugal não tem mais o time que foi vice-campeão europeu em 2004 e terminou a última Copa em 4o lugar, mas certamente tem um elenco muito melhor que o da Suíça. Não acho que a 3a colocação no ranking da Fifa faça jus ao atual time português, mas a seleção tem bons jogadores, como o já mencionado Eduardo, Simão, que fez uma excelente temporada no Atlético de Madri, Deco, que se machucou logo no primeiro jogo e ficou no banco durante o resto da competição, Tiago, Ricardo Carvalho e outros. Além de um craque, Cristiano Ronaldo, que, totalmente fora de sua posição, não pôde ser nesta Copa nem sombra do que foi no Manchester United durante anos ou no Real Madri na última temporada. O lateral direito Bosingwa e o ponta Nani, cortados por lesão, fizeram bastante falta, mas mesmo assim o plantel português era digno de uma campanha melhor no Mundial.

O problema de Portugal é o mesmo há anos: não tem um centroavante, um homem de referência na grande área, um bom finalizador, um atacante com faro de gol. Durante anos, esse homem foi o trivial Pauleta. Para se ter uma idéia de como o problema é grave, Pauleta, que nunca foi grande coisa, é o jogador com o maior número de gols pela seleção portuguesa. Ele foi um centroavante apenas razoável, porém nunca surgiu outro melhor para substituí-lo. Tiveram até que naturalizar o limitado Liédson, que nem no Flamengo do início dos anos 2000 conseguiu brilhar. Para solucionar esse problema, o técnico Carlos Queiroz optou por sacrificar seu melhor jogador, o responsável pela armação das jogadas de ataque e pelos lances mais criativos do time, o galáctico Cristiano Ronaldo, colocando-o isolado na frente, sem ninguém para passar-lhe a bola. Podem dizer que Ronaldo é mais midiático do que bom jogador, mas, apesar de toda a marra e todo o gel no cabelo milimetricamente (mal) cortado, o gajo é craque.
Não quero comparar o futebol de Messi com o de Ronaldo, pois acho que o argentino joga muito mais bola, mas, fazendo uma analogia entre os dois, Messi era muito criticado por não jogar na seleção o futebol que encantava o mundo nos jogos do Barcelona, o que também acontece com o português. No time espanhol, além de estar rodeado de outros craques, Messi atuava como gostava, solto, logo atrás do centroavante, primeiro pela direita e, recentemente, mais pela esquerda, armando as jogadas e, às vezes, finalizando também. Na Argentina, Alfio Basile e, posteriormente, Maradona, deixavam o Pulga isolado na frente. Messi sumia. Nesta Copa, Maradona percebeu que precisaria de Lionel Messi se quisesse ser campeão e decidiu deixar o atacante à vontade. Soltou-o no no meio do campo e deixou Tevez e Higuaín à sua frente, para receberem a bola e decidirem o jogo. Resultado: Messi, apesar de ainda não ter marcado, vem jogando um bolão, e Tevez e Higuaín já têm, juntos, 6 gols marcados.
Algo parecido acontece com Cristiano Ronaldo. No Manchester e, agora, no Real, Ronaldo joga servindo os homens de frente. Caindo mais pela direita, ele não tem a obrigação de jogar enfiado na grande área. Assim, o gajo fica mais solto e acaba até marcando mais gols (foi artilheiro do campeonato inglês na temporada 2007/8, com 31 tentos). Na falta de um finalizador competente, Queiroz despejou em Ronaldo a obrigação de ficar na frente, esperando a bola chegar para mandá-la em direção ao gol. Resultado: a bola não chegou, Cristiano só marcou uma vez (contra a fraquíssima Coréia do Norte, um gol esquisito, meio sem querer), e agora Portugal volta para casa após uma exibição vergonhosa contra a Espanha.

Já a Espanha tem centroavante de sobra. E meio-campista, e zagueiro... Se Fernando Torres não está bem (teve uma temporada recheada de contusões e passou por uma cirurgia pouco antes do Mundial) e não vem repetindo as ótimas atuações da Eurocopa, deixa que David Villa resolve. E se for melhor poupar Villa no fim do jogo, pode colocar Pedro, ou Llorente. Isso sem falar em Jesus Navas, que fez uma excelente partida contra Honduras, mas voltou a esquentar o banco.
Na última partida das oitavas-de-final, a Espanha nem tomou conhecimento do retrancado time de Portugal e partiu pra cima, fazendo uma bela exibição. Se o placar não foi mais dilatado, a culpa é do goleiro português, que deve estar até agora tentanto entender como foi que salvou alguns gols que certamente entrariam pra galeria dos mais bonitos do Mundial.
Xavi e Iniesta voltaram a mostrar em campo o entrosamento que têm no Barcelona. Sérgio Ramos teve novamente excelentes chances de gol (que pararam nas mãos de Eduardo), e Sérgio Busquets e Xabi Alonso rapidamente desfizeram qualquer tentativa portuguesa de se aproximar da meta espanhola. As melhores chances de gol de Portugal foram dois "quase frangos" de Casillas, um dos melhores goleiros do mundo, mas que estava meio desatento (por causa do tédio provocado pelo ataque português) e acabou assustando a torcida espanhola.
Depois de um primeiro tempo sem alteração no placar, apesar do bom futebol praticado pela Espanha, David Villa marcou o gol da vitória espanhola aos 18 da segunda etapa, em excelente troca de passes entre Iniesta, Llorente e Xavi, que deu de calcanhar para Villa finalizar. Eduardo ainda defendeu, mas Villa não desperdiçou o rebote. A Espanha continuou pressionando e Portugal continuou dormindo. Foi só nos 5 minutos finais da partida que Portugal pareceu acordar para o fato de que, na 2a fase da Copa, se você perder um único jogo, está eliminado. O time português ainda tentou empatar, mas já era tarde demais.

A Espanha melhora a cada partida. E começa a encantar. Seu próximo desafio é o fraco Paraguai, que, apesar de estar pela primeira vez nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo, parece ter esquecido o bom futebol apresentado nas eliminatórias. O time sul-americano protagonizou algumas das partidas mais chatas do Mundial até agora, contra a Nova Zelândia e contra o Japão (que eu não assisti, por motivos de força maior- e, por isso, não escrevo sobre - mas que, pelo que fiquei sabendo e pelo que pude ver nas mesas redondas dos canais de esporte, entra na lista dos jogos mais tediosos da História das Copas). Como em futebol tudo é possível, não vou contar antecipadamente com uma classificação espanhola para as semi-finais, mas posso dizer que um possível confronto entre Espanha e o vencedor de Alemanha x Argentina seria um daqueles jogos em que é melhor nem piscar.

Aproveito para fazer uma observação especial sobre as saídas de bola do goleiro Casillas. A Espanha tem alguns dos melhores jogadores de futebol da atualidade, que trocam passes com uma facilidade incrível. Aproveitando esse fato, Casillas está sempre repondo as bolas diretamente nos pés de seus companheiros, ao invés de chutá-la para a frente, sem direção nem objetivo. Casillas bate todos os tiros de meta e repõe todas as bolas defendidas em chutes curtos para os companheiros que estão por perto, que, por sua vez, vão tocando a bola de pé em pé até o campo de ataque. Isso é que é valorização da posse de bola. Jogando assim, a Espanha transforma toda defesa de Casillas em contra-ataque eficiente, mesmo que não rápido, e todo tiro de meta em perigo para o adversário. Como eu gostaria que Dunga e seus discípulos prestassem atenção nisso...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Brasil 3 x 0 Chile

O Brasil melhorou. Melhorou muito. Mas continua jogando mal. Para passar pela Holanda, ainda precisa melhorar muito mais. Tomara que o bom futebol holandês desperte o verdadeiro futebol brasileiro na nossa seleção.

Ramires entrou bem no lugar de Felipe Melo. Ok, ok... Qualquer um joga melhor que Felipe Melo, mas Ramires melhorou a qualidade do toque de bola no meio de campo do Brasil, que agora troca passes também na direção do gol adversário, e não só entre Lúcio, Juan, Gilberto Silva e Júlio César. Pena que tomou o segundo cartão amarelo, em sua segunda falta boba e desnecessária. Se não tivesse sido suspenso para as quartas-de-final, certamente voltaria como titular, independente da recuperação do nosso “volante-botineiro”. Agora é torcer para que a lesão de Felipe Melo não melhore até 6ª feira, e para que Dunga opte por Kleberson, e não Josué.
Daniel Alves continua perdido no meio de campo, mas um pouco menos que na partida anterior. Com a possível volta de Elano (que faz muita falta), faço coro para que Dunga finalmente se dê conta de que continuamos jogando com um homem a menos (Michel Bastos, cadê você?!) e reposicione nosso lateral direito reserva na lateral esquerda titular.
Kaká vem melhorando a cada partida e, se tiver oportunidade de jogar mais 3, certamente estará “tinindo” até o final da competição. Robinho e Luís Fabiano começaram a partida desatentos, errando passes bobos e finalizando mal. Mas logo se encontraram em campo e, com dois belos gols, se redimiram, porém ainda podem fazer mais.
Sobre Lúcio e Juan, novamente, sou só elogios. A defesa é o (único) ponto forte da nossa seleção. São dois dos melhores zagueiros do mundo e, por jogarem juntos na equipe nacional há muitos anos, perfeitamente entrosados. Até na hora do gol, quando Lúcio fez a proteção de Juan que, subindo desmarcado, tocou de cabeça para o funda da rede, após escanteio batido por Maicon. Particularmente, fiquei bastante emocionada com o primeiro gol do Brasil no jogo. Lembro do Juan estudando no mesmo colégio que eu e tendo que mudar para o turno da noite, em função dos treinos na equipe junior do Flamengo. Não nos conhecíamos, mas eu já era sua fã.
Hoje não vou nem comentar sobre a qualidade do Júlio César, que em momento algum teve seu gol realmente ameaçado pelo ataque chileno. É por isso também que não podemos dizer que o Brasil fez uma boa partida. Apesar de algumas boas jogadas, o Chile nunca demonstrou capacidade de desbancar a seleção pentacampeã mundial. No entanto, mesmo assim, tivemos dificuldade para vencer.
Na partida de hoje, o Brasil finalmente pôde realizar suas tão eficientes jogadas de contra-ataque. O segundo gol partiu de uma troca de passes excelente entre os homens de frente da seleção: Robinho arrancou e tocou para Kaká, que passou, na medida, para Luís Fabiano driblar o goleiro e fazer (outro) lindo gol. Já o terceiro foi fruto de uma jogada individual de Ramires, que arrancou driblando antes de tocar pra Robinho mandar pro gol.

Contra a Holanda, o Brasil certamente terá muitas oportunidades de contra-atacar, mas, enfrentando seu primeiro adversário de qualidade na Copa, terá que criar suas próprias jogadas, e não depender do rival para criar suas chances de gol. Até porque os ataques holandeses correm o risco de não nos proporcionar muitas oportunidades de contra-ataque, pois serão muito mais perigosos que os ataques norte-coreanos, marfinenses, portugueses ou chilenos foram até agora. Outro ponto (muito) preocupante será o duelo Robben x Michel Bastos. O atacante da seleção laranja é um dos melhores do mundo e, se tiver espaço, será extremamente perigoso. E espaço é o que não falta na faixa de campo em que o holandês atua e onde temos um jogador a menos. Na final da Liga dos Campeões da UEFA, Lúcio, Júlio César e Maicon conseguiram anular Robben, entretanto, naquela ocasião, Sneijder estava do lado deles.
O Brasil tem, nas quartas-de-final, sua grande oportunidade de finalmente deslanchar na competição (a Seleção não tem fama de jogar bem contra times bons e encontrar dificuldade contra times ruins?). Ou, ao menos, se despedir jogando um futebol digno da camisa amarela.

A não ser que a Espanha passe a jogar o futebol que a fez conquistar a última Eurocopa, os adversários da final devem sair dos confrontos Argentina x Alemanha e Holanda x Brasil. Vencer um duelo como esses fortalece qualquer equipe. É uma pena que apenas dois desses times continuem na competição. De qualquer maneira, serão dois jogaços imperdíveis.

Holanda 2 x 1 Eslováquia

A Holanda não vem jogando o futebol espetacular que encantou a muitos na Eurocopa 2008 e do qual seus muitos craques são capazes, mas é um dos times mais eficientes da Copa. Não joga bonito, mas joga bem (diferentemente do “não joga bonito, nem joga bem, mas vence” do qual o Dunga parece ser fã). Esta manhã, contra a Eslováquia, a Holanda teve total domínio do jogo, apesar de alguns excelentes chutes a gol por parte do adversário, em particular do artilheiro Vittek, para defesas sensacionais do goleiro holandês Stekelenburg.
A equipe laranja foi superior ao adversário durante os 90 minutos. Robben, mostrando-se totalmente recuperado da lesão muscular que quase o tirou do Mundial, abriu o placar num contra-ataque rápido, dando uma arrancada típica sua. A vitória magra deixava a Holanda tranqüila, e a Eslováquia ansiosa por empatar. Quando a equipe eslovaca partia pra cima da fraca defesa holandesa, o contra-ataque era rápido e perigoso, obrigando o goleiro Mucha a fazer excelentes defesas. Sneijder, Robben e Van Persie são extremamente rápidos e muito entrosados, dificilmente errando passes ou finalizações.
O ponto fraco da Holanda é a defesa. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen não inspiram confiança e, por duas vezes, cometeram o erro primário de marcar a bola ao invés do adversário. Resultado: chutes fortes à queima-roupa de Vittek para duas defesas espetaculares de Stekelenburg. Se a Eslováquia tivesse empatado, certamente mudaria o desenrolar da partida. Mas foi a Holanda que ampliou o placar.
Os jogadores holandeses trocam passes em toques de primeira e cobram rapidamente todas as faltas e os laterais que têm a seu favor. Se o adversário não estiver 100% atento, corre o risco de nem reparar que está sendo atacado. Foi o que aconteceu no final do 2º tempo, quando, após rápida cobrança de falta, Kuyt arrancou, tirou o goleiro do lance com uma cabeçada na bola e ainda teve a calma de decidir para quem tocar, deixando Sneijder de cara pro gol.
No último minuto, a defesa holandesa deu outra bobeada, e sobrou para Stekelenburg, que vinha fazendo uma partida impecável, parar Jakubko com falta dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o goleiro. Vittek converteu a penalidade e alcançou Higuaín na artilharia.

A Eslováquia, uma das equipes mais fracas do torneio, fez bonito na Copa, indo mais longe do que o previsto graças à fragilidade do grupo em que caiu no sorteio, com Paraguai, Nova Zelândia e a combalida Itália. Já a Holanda ainda não encantou, mas vem jogando com uma eficiência que, até agora, só a Argentina também foi capaz – continuam sendo as duas únicas equipes com 100% de aproveitamento no torneio. A equipe holandesa ainda tem que melhorar a atenção na defesa e, principalmente, o posicionamento dos zagueiros, mas está convidada a vir ao Brasil ensinar nossos jogadores a tocar a bola rapidamente e sempre na direção do gol.

Argentina 3 x 1 México

À primeira vista, era fácil adivinhar o resultado da partida: a Argentina eliminaria o México sem problemas, como fizera em 2006. Mas essa impressão logo sumiu quando a bola finalmente rolou. Nos primeiros 20 minutos, o México pressionou uma Argentina irreconhecível. Daria zebra? A seleção mexicana tinha a posse de bola e não saía do campo de ataque, mas pecava nas finalizações. Já nossos hermanos não pecam nem quando finalizam em impedimento. Aos 26 minutos, Carlitos Tevez abriu o placar após receber a bola muito à frente do penúltimo jogador mexicano. O árbitro não viu a irregularidade. Tampouco o bandeirinha. Mesmo após o replay no telão do estádio. Apesar dos protestos mexicanos, o juiz validou o gol, e o México, que estava melhor na partida, perdeu o ânimo. Foi o segundo erro grotesco de arbitragem desta Copa, e também o segundo erro que poderia ter transformado o jogo, caso o juiz tivesse acertado.
Depois disso, o que se passou em campo foi um duelo entre um México desanimado e uma Argentina burocrática, exceção feita aos lampejos de talento e criatividade do melhor jogador do mundo, Lionel Messi. A Argentina seguiu a mesma receita dos 3 jogos anteriores: o time não tem conjunto e a defesa é extremamente fraca, mas o talento individual de jogadores como Messi (que ainda não marcou, mas já mandou várias bolas no travessão e vem obrigando os goleiros adversários a fazerem ótimas defesas), Tevez e Higuaín vem fazendo a diferença (é sempre bom lembrar que Maradona ainda tem Agüero e Diego Milito no banco).
Aos 33 minutos do 1o tempo, Higuaín ampliou o placar e, já na segunda etapa, Tevez marcou um dos gols mais lindos da Copa em um belo chute de fora da área. Hernandez ainda diminuiu para o México em excelente jogada, mas em nenhum momento a vitória argentina esteve ameaçada.
A equipe comandada por Maradona ainda não encontrou o futebol que se espera dela, dada a qualidade individual de seus jogadores. Mas nunca podemos duvidar da garra argentina. Se eles repetiram o duelo das oitavas de 2006, eliminando o México, certamente não vão querer repetir também a eliminação nas quartas diante da Alemanha. O confronto entre dois dos melhores ataques da Copa promete mais uma partida de perder o fôlego.

domingo, 27 de junho de 2010

Alemanha 4 x 1 Inglaterra - o melhor jogo da Copa

EU AMO FUTEBOL!!!
Partidas como essa compensam por todas as peladas do campeonato brasileiro, por todas as exibições de 3a categoria da seleção brasileira de Dunga contra times fraquíssimos como Coréia do Norte ou Venezuela, por todos os joguinhos sem graça do campeonato carioca. Partidas como essa fazem a Copa do Mundo inteira valer a pena, incluindo Paraguai x Nova Zelândia ou Suiça x Honduras. Partidas como essa fazem até a gente torcer pela seleção rival. No caso, a Alemanha, que, se vencer a Copa, terá merecido essa conquista, em função do futebol apresentado hoje (é claro que o fato de os alemães terem a Argentina como próximo adversário facilita essa recente torcida...). Hoje, contra a Inglaterra, a Alemanha reencontrou o futebol que encantou o mundo contra a fraquíssima Austrália em sua partida de estréia. E espero que não o perca novamente.

Klose, Podolski e Müller formam um trio de atacantes extremamente eficiente e perigoso. Com Özil servindo de garçom, qualquer contra-ataque alemão pode ser fatal (e hoje a Alemanha deu uma verdadeira aula de contra-ataque. Será que Dunga estava assistindo?). Pra completar, a equipe germânica ainda tem Schweinsteiger, possivelmente o melhor volante da Copa, e Khedira, que não deixa saudades de Michael Ballack, cortado do mundial por uma lesão no último jogo do Chelsea na temporada. A zaga, formada por Mertesacker e Friedrich, não é o ponto mais forte do time, mas tampouco deixa a desejar. Lahm, pela direita, apoia o ataque tão bem quanto cobre a defesa. Boateng, pela esquerda, ainda é o ponto fraco do time, mas vem jogando melhor que o titular original da posição, Badstuber. No gol, Neuer, originalmente o terceiro goleiro do time, alterna excelentes defesas e saídas inseguras, mas, apesar da falha no gol inglês, segurou o resultado no segundo tempo. A Alemanha ainda pode se gabar de ter no banco de reservas Trochoswki, Mario Gomez e até o brasileiro naturalizado Cacau. O técnico Joachim Löw formou um time jovem, mas experiente, e que não se intimida com o peso da tradicionalíssima camisa alemã.

A Inglaterra começou o jogo apática, exatamente como jogara as 3 partidas anteriores. Só que a Alemanha não é EUA, Argélia ou Eslovênia. E Klose mostrou porque é o segundo alemão com mais gols em Copas (agora são 12), se antecipando ao zagueiro Upson e abrindo o placar aos 19 minutos. A seleção tricampeã ainda obrigaria o goleiro James a fazer bela defesa antes de entortar o English Team com seu toque de bola: de Özil para Klose, para Müller, para Podolski, para o fundo da rede. Foi aí que a Inglaterra acordou e decidiu mostrar para o mundo porque eu a considerava uma das favoritas à conquista da Copa. Foi aí também que nasceu a melhor partida desta Copa (muito possivelmente, da Copa inteira, independentemente do que ainda há por vir) e uma das melhores partidas de futebol que eu já assisti.
Upson se redimiu da falha no primeiro gol alemão e diminuiu a diferença no placar de cabeça, após saída esquisita de Neuer. Logo depois, o lance do jogo: Lampard (que decidiu "entrar em campo" hoje) mandou uma bomba de fora da área. A bola bateu no travessão e quicou dentro (muito dentro) do gol, mas o juiz e o bandeirinha (vesgos?) não validaram o tento, em uma espécie de "vingança" alemã da final da Copa de 1966, quando a Inglaterra, em final contra o mesmo adversário de hoje, teve validado um gol em que a bola nunca ultrapassou a linha.
A partir daí os dois times continuaram tocando a bola rapidamente, marcando o adversário no campo de ataque, pressionando em busca de mais gols, e proporcionando aos espectadores um espetáculo sem igual. O jogo foi corrido, disputado, leal, lindo. Qualquer coisa poderia acontecer e eu não conseguia nem piscar os olhos, com medo de perder uma jogada crucial.
Mas a Inglaterra jogava com 10 jogadores, e esse detalhe fez a diferença para o lado alemão. Se Lampard se redimiu das atuações apagadas nos primeiros jogos, mandando ainda outra bola no travessão (mas, dessa vez, sem quique dentro do gol), o mesmo não se pode dizer de Wayne Rooney, que, em todo o Mundial, não foi nem sombra do craque que não deixou os torcedores do Manchester United sentirem falta de Cristiano Ronaldo. Rooney pouco fez e, quando tocou na bola, não teve objetividade, ou mira, para chutá-la em direção ao gol.
Enquanto a Inglaterra (não) tinha Rooney, a Alemanha tinha Müller, que marcou seu segundo gol na competição após conta-ataque rápido de Schweinsteiger, no rebote de uma falta batida por Lampard em cima da barreira. O English Team sentiu o golpe. Joe Cole, no lugar de Milner, ainda tentava ajudar o ataque inglês, mas cada vez que a Inglaterra partia pra cima da seleção germânica, dava espaço pro contra-ataque alemão: Özil correu praticamente o campo inteiro antes de cruzar para Müller, livre, fazer seu segundo gol na partida.
O quarto gol alemão poderia ter fechado o caixão inglês, mas a Inglaterra continuou lutando, assim como a Alemanha. Um disputa de bola de Trochoswki (que entrara no lugar de Müller) no meio de campo foi sintomática da garra alemã na partida. Mas não houve mais alterações no placar.

É claro que o gol de empate da Inglaterra, se validado, poderia ter mudado a história dessa partida. Mas futebol tem dessas coisas (algo que a Fifa tanto gosta de ressaltar), e o dia hoje era mesmo da Alemanha.
Quando o jogo acabou, eu estava em estado de êxtase. Mas não demorou muito para que a minha felicidade se transformasse em desespero: enquanto a Alemanha tem Schweinsteiger, nós temos Felipe Melo; enquanto a Alemanha tem Özil, nós temos Elano. É pra sentar e chorar. Só nos resta torcer para que o pé frio do Mick Jagger não resolva assistir Brasil x Chile amanhã.

EUA 1 x 2 Gana

Quando foram definidos os times deste chaveamento (Uruguai, Coréia do Sul, EUA e Gana), eu considerei a seleção americana a que tinha maior probabilidade de seguir adiante na Copa, tornando-se a zebra das semi-finais. Os EUA têm uma equipe limitada, porém eficiente e determinada, e, a meu ver, o gol da classificação, aos 45 minutos do jogo contra a Argélia, daria uma vontade extra à seleção americana. Vontade que faltou na partida de oitavas-de-final contra Gana.

Segundo jogo de mata-mata da Copa e segundo jogo que começa movimentado, com ambas as equipes buscando o gol (será que a 1a fase faz com que os times "escondam" seu melhor futebol?). Dessa vez, foi Gana que abriu o placar (aprenderam a fazer gol!), num erro de saída de bola da seleção americana.
Os EUA só perceberam que estavam disputando uma Copa do Mundo no 2o tempo, quando, logo no primeiro minuto, obrigaram o goleiro Kingson a fazer boa defesa. O merecido empate teve origem em uma excelente arrancada de Dempsey, que, após driblar John Mensah, foi derrubado na área por Jonathan Mensah. Donovan cobrou o pênalti lembrando Romário em 94: a bola chegou a bater na trave, mas entrou.
Gana e EUA fizeram um segundo tempo emocionante, obrigando os goleiros adversários a fazerem excelentes defesas, mas não houve alteração no placar, e a partida foi para a prorrogação, a primeira desta edição da Copa. Em geral, tempo extra significa dois times cansados tocando a bola de um lado para o outro, à espera dos pênaltis. Mas não foi isso que aconteceu ontem. Logo aos 3 minutos, Gyan, que havia feito os dois gols de pênalti nas partidas anteriores, recebeu lançamento longo de Ayew, se manteve de pé após a trombada de Bocanegra (que acabou ajudando na finalização) e soltou uma bomba pro fundo das redes, comemorando com aquela sua dancinha esquisita. E não é que Gana aprendeu mesmo a fazer gol?
Os EUA passaram o resto do jogo tentando levar a classificação para os pênaltis, sem sucesso. Até o goleiro Howard tentou marcar de cabeça (ou seria de mão) no último lance da partida. Mas a vitória foi mesmo ganense. Ou, poderíamos dizer, africana, já que todo os Estrela Negra têm o apoio do continente inteiro.